### SB 1.18.48

> तिरस्कृता विप्रलब्धाः शप्ताः क्षिप्ता हता अपि ।\
> नास्य तत्प्रतिकुर्वन्ति तद्भक्ताः प्रभवोऽपि हि ॥४८॥

tiraskṛtā vipralabdhāḥ

śaptāḥ kṣiptā hatā api

nāsya tat pratikurvanti

*tad*-bhaktāḥ prabhavo 'pi hi

*tiraḥ-kṛtāḥ*—sendo difamados; *vipralabdhāḥ*—sendo enganados; *śaptāḥ*—sendo amaldiçoados; *kṣiptāḥ*—perturbados por negligência; *hatāḥ*—ou mesmo sendo mortos; *api*—também; *na*—jamais; *asya*—por todos esses atos; *tat*—isso; *pratikurvanti*—reagem; *tat*—do Senhor; *bhaktāḥ*—devotos; *prabhavaḥ*—poderosos; *api*—embora; *hi*—certamente.

**Os devotos do Senhor são tão tolerantes que, mesmo sendo difamados, enganados, amaldiçoados, perturbados, negligenciados ou até mortos, nunca se inclinam a vingar-se.**

O Ṛṣi Śamīka também sabia que o Senhor não perdoa uma pessoa que cometeu uma ofensa aos pés de um devoto. O Senhor só pode dar a orientação de abrigar-se unicamente no devoto. Ele pensou consigo mesmo que, se Mahārāja Parīkṣit lançasse uma contramaldição sobre o menino, este poderia ser salvo. Mas sabia também que um devoto puro é indiferente às vantagens ou aos reveses mundanos. Como tais, os devotos jamais se inclinam a reagir contra difamação pessoal, maldições, negligências etc. No que diz respeito a tais coisas, em assuntos pessoais os devotos não se importam com elas. Mas, caso sejam praticadas contra o Senhor e Seus devotos, então o devoto toma medidas muito enérgicas. Era um assunto pessoal e, por isso, Śamīka Ṛṣi sabia que o rei não reagiria. Dessa maneira, não havia outra alternativa senão dirigir um apelo ao Senhor em favor do imaturo menino.

Não é que somente os brāhmaṇas tenham poder bastante para conferir maldições ou bênçãos aos subordinados; o devoto do Senhor, ainda que não seja brāhmaṇa, é mais poderoso do que um brāhmaṇa. Mas um devoto poderoso jamais faz mau uso do poder para benefício pessoal. Todo poder que o devoto possa ter é sempre empregado em serviço unicamente ao Senhor e a Seus devotos.
