{"ref": "ttp/1", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/1/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "1. A Perfeição do Yoga", "purport": "O Senhor *Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus*, fala a respeito do mais elevado sistema de yoga no Sexto Capítulo do *Bhagavad-gītā*. Ali Ele explicou o sistema de haṭha-yoga. Lembrem-se, por favor, de que estamos pregando este movimento da consciência de Kṛṣṇa com base na autoridade do *Bhagavad-gītā*. Não se trata de algo fabricado. O sistema de bhakti-yoga é autorizado, e, se vocês desejam conhecer Deus, então têm de adotar este sistema de bhakti-yoga, pois no Sexto Capítulo do *Bhagavad-gītā* conclui-se que o mais elevado yogī é aquele que, dentro de si, pensa sempre em Kṛṣṇa.\n\n\n\nKṛṣṇa, a suprema autoridade, recomendou o sistema óctuplo de yoga. O primeiro passo deste sistema de yoga é selecionar um lugar muito recluso e sagrado. A meditação óctupla não pode ser executada numa cidade movimentada. Não é possível. Por isso, na Índia, aqueles que levam muito a sério a prática do yoga vão a Hardwar, um lugar muito recluso nos Himalaias, onde permanecem sozinhos e seguem um processo bastante restritivo de alimentação e sono. Não há possibilidade de relações sexuais. Essas regras e regulações devem ser seguidas com todo o rigor. Apenas fazer uma exibição de ginástica não é a perfeição do yoga. Yoga significa controle dos sentidos. Se a pessoa se entrega aos sentidos sem restrição, mas faz uma exibição de prática de yoga, jamais terá êxito. É preciso selecionar um lugar sagrado; em seguida, sentar-se com os olhos semicerrados e concentrar-se na ponta do nariz. Não se pode mudar a postura. Há muitas regras e regulações que, no presente, não há como seguir.\n\n\n\nMesmo há 5.000 anos, quando as circunstâncias do mundo eram diferentes, este sistema de yoga não era praticável. Até mesmo uma personalidade tão grandiosa como Arjuna, que pertencia à família real e era um grande guerreiro e amigo íntimo de Kṛṣṇa, vivendo constantemente com Ele, depois de ouvir este processo de yoga da boca de Kṛṣṇa numa conversa face a face, disse: \"Meu querido Kṛṣṇa, não é possível seguir.\" Admitiu francamente: \"Para mim, essas regras e regulações e essa prática para controlar a mente não são possíveis.\" Temos, então, de refletir: há 5.000 anos uma personalidade como Arjuna manifestou sua incapacidade de praticar este sistema óctuplo de yoga; como, então, poderíamos segui-lo agora?\n\n\n\nNesta era as pessoas têm vida muito curta. Na Índia, a duração média da vida é de trinta e cinco anos. No país de vocês talvez seja mais do que isso. Mas, na verdade, enquanto o avô de vocês viveu por 100 anos, vocês não conseguem. Essas coisas estão mudando. A duração da vida será reduzida. Há predições nas escrituras de que, nesta era, a duração da vida do homem, sua misericórdia e sua inteligência estão sendo reduzidas. Os homens não são muito poderosos; sua duração de vida é muito curta. Estamos sempre perturbados, e praticamente não temos nenhum conhecimento sobre a ciência espiritual.\n\n\n\nPor exemplo, nas centenas e milhares de universidades por todo o mundo não há um departamento de conhecimento em que se ensine a ciência da alma. Na verdade, todos somos almas espirituais. A partir do *Bhagavad-gītā* compreendemos que estamos transmigrando de um corpo a outro, mesmo durante nossas vidas presentes. Todos nós tivemos certa vez o corpo de um pequeno bebê. Onde está aquele corpo? Aquele corpo desapareceu. Atualmente sou um velho, mas lembro-me de que já fui um pequeno bebê. Recordo-me ainda de quando tinha cerca de seis meses; estava deitado no colo da minha irmã mais velha, que tricotava, e eu brincava. Posso lembrar-me disso, de modo que é possível a todos lembrarem-se de que tiveram um corpo pequeno. Após o corpo de bebê, tive o corpo de menino; depois, tive um corpo de juventude, e agora estou neste corpo. Onde estão aqueles corpos? Já se foram. Este é um corpo diferente. Explica-se no *Bhagavad-gītā* que, quando eu abandonar este corpo, terei de aceitar outro corpo. É muito simples de compreender. Mudei de tantos corpos, não apenas da infância à meninice e à juventude, mas, segundo a ciência médica, estamos mudando de corpo a cada segundo, imperceptivelmente. Este Processo indica que a alma é permanente. Embora eu tenha mudado de muitos corpos, lembro-me do meu corpo de bebê e do meu corpo de infância — sou a mesma pessoa, a alma. De modo semelhante, quando, em última análise, eu mudar este corpo, terei de aceitar outro. Esta fórmula simples está enunciada no *Bhagavad-gītā*. Todos podem refletir sobre ela, e é preciso que se faça pesquisa científica nesta área.\n\n\n\nRecentemente recebi a carta de um médico em Toronto. Ele sugeriu que existe o corpo e existe a alma. Mantive correspondência com ele. Na verdade, é um fato. A alma existe. Há tantas evidências, não apenas na literatura Védica, mas até mesmo pela experiência ordinária. A alma existe, e está transmigrando de um corpo a outro, mas, infelizmente, não há estudo sério sobre este assunto nas universidades. Isso não é nada bom. O *Vedānta-sūtra* diz: \"Esta forma humana de vida destina-se a buscar o espírito, a Verdade Absoluta.\" O sistema de yoga é empregado para buscar os princípios espirituais dentro deste mundo material. Esse processo de busca é recomendado no *Bhagavad-gītā* pelo próprio Kṛṣṇa. Quando Arjuna disse: \"O sistema que estás recomendando, o sistema de haṭha-yoga, não é possível para mim\", Kṛṣṇa assegurou-lhe que ele era o maior de todos os yogīs. Acalmou-o, dizendo-lhe que não se incomodasse por ser incapaz de praticar haṭha-yoga. Disse-lhe: \"De todos os diferentes tipos de yogīs — haṭha-yogīs, jñāna-yogīs, dhyāna-yogīs, bhakta-yogīs, karma-yogīs —, tu és o melhor yogī.\" Kṛṣṇa diz: \"De todos os yogīs, aquele que, dentro de si, pensa constantemente em Mim, meditando em Mim dentro do coração, é o yogī de primeira classe.\"\n\n\n\nQuem pode pensar em Kṛṣṇa sempre dentro de si? Isso é muito fácil de compreender. Se você ama alguém, pode pensar nele sempre dentro de si; do contrário, não é possível. Se você ama alguém, então naturalmente pensa nele o tempo todo. Isso é descrito no Brahma-saṁhitā. Aquele que desenvolveu amor por Deus, Kṛṣṇa, pode pensar nEle constantemente. Quando falo de Kṛṣṇa, vocês devem compreender que Ele é Deus. Outro nome de Kṛṣṇa é Śyāmasundara, que significa que Ele é enegrecido como uma nuvem, mas muito belo. Num verso do Brahma-saṁhitā, diz-se que um santa, uma pessoa santa que desenvolveu amor por Śyāmasundara, Kṛṣṇa, pensa no Senhor constantemente dentro do coração. Na verdade, quando alguém chega ao ponto de samādhi no sistema de yoga, pensa, sem cessar, na forma de Viṣṇu do Senhor dentro do coração. Está absorto nesse pensamento.\n\n\n\nKṛṣṇa, Śyāmasundara, é o Viṣṇu original. Isso se afirma no *Bhagavad-gītā*. Kṛṣṇa inclui Brahmā, Viṣṇu, Śiva e todos os demais. Segundo a escritura Védica, Ele Se expande primeiramente como Baladeva, Baladeva Se expande como Saṅkarṣaṇa, Saṅkarṣaṇa Se expande como Nārāyaṇa, e Nārāyaṇa Se expande como Viṣṇu (Mahā-Viṣṇu, Garbhodakaśāyī Viṣṇu e Kṣīrodakaśāyī Viṣṇu). Estas são afirmações Védicas. Podemos compreender que Kṛṣṇa é o Viṣṇu original, Śyāmasundara.\n\n\n\nEste é o sistema perfeito. Qualquer um que esteja pensando em Kṛṣṇa sempre dentro de si é um yogī de primeira classe. Se você quer a perfeição no yoga, não se contente apenas em praticar códigos. Você tem de ir além. Na verdade, a perfeição do yoga é alcançada quando se está em samādhi, pensando sempre na forma de Viṣṇu do Senhor dentro do coração, sem ser perturbado. Por isso, os yogīs vão a um lugar recluso e, controlando todos os sentidos e a mente e concentrando tudo na forma de Viṣṇu, alcançam o samādhi. Isso se chama perfeição do yoga. Na verdade, este sistema de yoga é muitíssimo difícil. Pode ser possível para algum homem solitário, mas, para a grande massa de pessoas, ele não é recomendado nas escrituras: harer nāma harer nāma harer nāmaiva kevalam/ kalau nāsty eva nāsty eva nāsty eva gatir anyathā [Adi 17.21]. \"Nesta era de Kali, é preciso cantar os santos nomes do Senhor para alcançar a libertação. Não há outra alternativa. Não há outra alternativa. Não há outra alternativa.\" (Bṛhan-Nāradīya Purāṇa)\n\n\n\nO sistema de yoga, tal como foi recomendado no Satya-yuga, a Era de Ouro, consistia em meditar sempre em Viṣṇu. No Tretā-yuga era possível praticar yoga executando grandes sacrifícios, e na era seguinte, Dvāpara-yuga, podia-se alcançar a perfeição mediante a adoração no templo. A era atual chama-se Kali-yuga. Kali-yuga significa a era da disputa e da discórdia. Ninguém concorda com ninguém. Cada um tem sua própria teoria; cada um tem sua própria filosofia. Se eu não concordo com você, você briga comigo. Este é o sintoma de Kali-yuga. O único método recomendado nesta era é cantar o santo nome. Simplesmente cantando o santo nome de Deus, pode-se atingir aquela autorrealização perfeita que se atingia pelo sistema de yoga no Satya-yuga, pela execução de grandes sacrifícios no Tretā-yuga e pela adoração em larga escala nos templos do Dvāpara-yuga. Essa perfeição pode ser atingida pelo método simples do Hari kīrtana. Hari significa a Suprema Personalidade de Deus; kīrtana significa glorificar.\n\n\n\nEste método é recomendado nas escrituras, e foi-nos dado por Caitanya Mahāprabhu há 500 anos. Ele apareceu numa cidade conhecida como Navadvīpa, situada a cerca de sessenta milhas ao norte de Calcutá. As pessoas ainda vão para lá. Temos um centro de templo ali. É também um local sagrado de peregrinação. Caitanya Mahāprabhu apareceu ali e iniciou este movimento de saṅkīrtana em massa, conduzido sem discriminação alguma. Ele predisse que este movimento de saṅkīrtana se difundiria por todo o mundo e que o mantra Hare Kṛṣṇa seria cantado em cada aldeia e cidade na superfície do globo. Em obediência à ordem do Senhor Caitanya Mahāprabhu, seguindo Seus passos, estamos tentando introduzir este movimento de saṅkīrtana, cantando Hare Kṛṣṇa, e ele está se mostrando muito bem-sucedido em toda parte. Estou pregando especialmente em países estrangeiros, por toda a Europa, a América, o Japão, o Canadá, a Austrália, a Malásia, etc. Introduzi este movimento de saṅkīrtana, e agora temos centros pelo mundo afora. Todos os oitenta centros estão sendo recebidos com grande entusiasmo. Não importei estes rapazes e moças da Índia, mas eles estão tomando este movimento muito a sério porque ele apela diretamente à alma.\n\n\n\nTemos diferentes estágios de nossa vida — o conceito corporal da vida, o conceito mental da vida, o conceito intelectual da vida e o conceito espiritual da vida. Na verdade, ocupamo-nos do conceito espiritual. Aqueles que são seduzidos pelo conceito corporal não são melhores do que cães e gatos. Se aceitamos que \"eu sou este corpo\", então não somos melhores do que os cães e gatos, pois o conceito de vida deles é assim. Devemos compreender que \"eu não sou este corpo\", como Kṛṣṇa quis incutir em Arjuna no início de Seu ensinamento do *Bhagavad-gītā*: \"Em primeiro lugar, tenta compreender o que tu és. Por que te lamentas no conceito corporal da vida? Tens de lutar. Certamente tens de lutar com teus irmãos, cunhados e sobrinhos, e te lamentas. Mas, antes de tudo, compreende se és corpo ou não.\" Esse é o começo do *Bhagavad-gītā*. Kṛṣṇa tentou fazer Arjuna compreender que ele não era seu corpo. Esta instrução não era exclusivamente para Arjuna, mas para todos. Em primeiro lugar, temos de aprender que \"eu não sou este corpo\", que \"eu sou alma espiritual\". Esta é a instrução Védica.\n\n\n\nTão logo se chega a este ponto de estar firmemente convencido de que não se é este corpo, isso se chama o estágio brahma-bhūta da percepção do Brahman. Isso é conhecimento, conhecimento real. O avanço do conhecimento para comer, dormir e acasalar-se é conhecimento animal. Um cão também sabe como comer, como dormir, como acasalar-se e como defender-se. Se nossa educação se estende apenas a esses pontos (o cão come segundo sua natureza, e nós também comemos, mas num lugar agradável, com alimentos bem cozidos sobre uma mesa bonita), isso não é avanço. O princípio continua sendo o de comer. De modo semelhante, você pode dormir num apartamento muito bonito num edifício de seis andares ou num edifício de 122 andares, e o cão pode deitar-se na rua, mas, quando ele dorme e quando você dorme, não há diferença. Você não pode saber se está dormindo num arranha-céu ou no chão, pois está sonhando algo que o tirou da cama. Esqueceu-se de que seu corpo está deitado ali, na cama, e está voando pelo ar, sonhando. Por isso, aprimorar o método de dormir não é avanço da civilização. De modo semelhante, o cão não tem nenhum costume social para o acasalamento. Sempre que há uma cadela, ele se acasala na rua. Você pode acasalar-se muito silenciosamente, num lugar secreto (embora agora as pessoas estejam aprendendo a acasalar-se como cães), mas o acasalamento está lá. O mesmo princípio se aplica à defesa. Um cão tem dentes e unhas com que pode defender-se, e vocês têm bombas atômicas. Mas a finalidade é defender-se, e nada mais. Por isso, a escritura diz que a vida humana não se destina apenas a esses quatro princípios da vida, as exigências corporais. Há outra coisa — um ser humano deve ser inquisitivo para aprender o que é a Verdade Absoluta. Essa educação está faltando.\n\n\n\nSegundo a civilização Védica, um brāhmaṇa é um homem erudito, ou aquele que conhece o espírito. Na Índia, os brāhmaṇas são tratados como homens eruditos, mas, de fato, eles não podem ser brāhmaṇas por nascimento. Espera-se que saibam o que é o espírito.\n\n\n\nPor nascimento, todos são śūdras, homens de quarta classe, mas a pessoa pode ser reformada pelo processo purificatório. Há dez espécies de processos purificatórios. A pessoa passa por todos esses processos e, por fim, dirige-se ao mestre espiritual, que lhe dá o cordão sagrado como reconhecimento de seu segundo nascimento. Um nascimento se dá por seu pai e sua mãe, e o outro nascimento se dá pelo mestre espiritual e pelo conhecimento Védico. Isto se chama segundo nascimento. Nessa ocasião, dá-se ao candidato a oportunidade de estudar e compreender o que é o Veda. Estudando muito bem todos os *Vedas*, ele realmente compreende o que é o espírito e qual é sua relação com Deus, e então se torna um brāhmaṇa. Acima dessa situação de compreensão do Brahman impessoal, ele chega à plataforma de compreender o Senhor Viṣṇu, a Suprema Personalidade de Deus; então, torna-se um Vaiṣṇava. Este é o processo perfeccional."}
{"ref": "ttp/2", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/2/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "2. O Yoga e o Mestre do Yoga", "purport": "Yoga significa o elo de ligação entre a alma e a Superalma, ou entre o Supremo e as diminutas criaturas vivas. O Senhor Śrī Kṛṣṇa é esse Supremo, a Personalidade de Deus. Sendo, portanto, o objeto último do yoga, o nome de Kṛṣṇa é yogeśvara, o mestre do yoga.\n\n\n\nNa conclusão do *Bhagavad-gītā*, diz-se: \"Onde está Kṛṣṇa, e onde está Arjuna, o maior dos arqueiros, ali, indubitavelmente, está a vitória.\"\n\n\n\nO *Bhagavad-gītā* é uma narrativa proferida por Sañjaya, o secretário de Mahārāja Dhṛtarāṣṭra. Isto é exatamente como as ondas do rádio: a peça está acontecendo no auditório, mas você pode ouvi-la de seu quarto. Assim, do mesmo modo que agora temos tal arranjo mecânico, naquela ocasião havia também certos arranjos, embora não houvesse máquina. De qualquer modo, o secretário de Dhṛtarāṣṭra podia ver o que estava ocorrendo no campo de batalha, e ele se encontrava no palácio, contando isso a Mahārāja Dhṛtarāṣṭra, que era cego. Ora, a conclusão a que chegou Sañjaya foi a de que Kṛṣṇa é a Suprema Personalidade de Deus.\n\n\n\nQuando se descreve a execução de yoga, diz-se que o nome de Kṛṣṇa é yogeśvara. Ninguém pode ser melhor yogī do que o mestre do yoga, e Kṛṣṇa é o mestre. Há muitos tipos diferentes de yoga. Yoga significa o sistema, e yogi significa a pessoa que pratica esse sistema. O objeto do yoga, a meta última, é compreender Kṛṣṇa. Por isso, a consciência de Kṛṣṇa significa praticar o tipo mais elevado de yoga.\n\n\n\nEste mais elevado sistema de yoga foi descrito por Kṛṣṇa no *Gītā* a Seu amigo mais íntimo, Arjuna. No início, o Senhor disse que este sistema só pode ser praticado por uma pessoa que tenha desenvolvido apego por ele. Este sistema de yoga consciente de Kṛṣṇa não pode ser praticado por um homem ordinário que não tenha apego por Kṛṣṇa, pois é um sistema diferente, e o mais elevado — o bhakti-yoga.\n\n\n\nHá cinco tipos de apego direto, e há sete tipos de apego indireto. O apego indireto não é bhakti. O apego direto chama-se bhakti. Se você está apegado a Kṛṣṇa pelo método direto, isso se chama serviço devocional, e, se está apegado a Kṛṣṇa por um método indireto, não é serviço devocional. Mas isso também é apego. O rei Kaṁsa, por exemplo, era o tio materno de Kṛṣṇa; e houve uma advertência de que Kaṁsa seria morto por um dos filhos de sua irmã. Por isso, ficou muito ansioso a respeito dos filhos de sua irmã, e decidiu matá-la. Devakī, a mãe de Kṛṣṇa, foi salva por seu marido, Vasudeva, que fez uma concessão e propôs a seu cunhado o seguinte: \"Tens medo do filho de tua irmã. Então tua própria irmã não irá te matar.\" E pediu: \"Não mates tua irmã. Salva-a, e prometo-te que todos os filhos que dela nascerem serão trazidos a ti, e, se quiseres, poderás matá-los.\"\n\n\n\nVasudeva fez isso para que sua pobre esposa pudesse ser salva. E Vasudeva pensou: \"Quando o filho de Devakī nascer, Kaṁsa pode ter uma mudança de coração.\" Mas Kaṁsa era um demônio tão grande que matou todos os filhos de Devakī. Fora dito que o oitavo filho da irmã o mataria. Assim, quando Kṛṣṇa estava no ventre de Sua mãe, Kaṁsa pensava sempre em Kṛṣṇa. Vocês podem dizer que ele não era consciente de Kṛṣṇa, mas, na verdade, era. Não diretamente, não por amor, mas como inimigo. Era consciente de Kṛṣṇa como inimigo. Logo, isso não é serviço devocional. Aquele que está em serviço devocional é consciente de Kṛṣṇa como amigo de Kṛṣṇa, servo de Kṛṣṇa, Seu pai ou Sua mãe, ou Seu amante.\n\n\n\nVocê pode querer Kṛṣṇa como seu amante, ou como seu filho; pode querer Kṛṣṇa como seu amigo, pode querer Kṛṣṇa como seu mestre, pode querer Kṛṣṇa como o Sublime Supremo. Estes cinco diferentes tipos de relações diretas com Kṛṣṇa chamam-se devoção, ou bhakti. Não acarretam lucro material algum.\n\n\n\nO conceito de aceitar Deus como filho é superior ao conceito de aceitar Deus como pai. Há uma distinção. A relação entre pai e filho é que o filho quer receber algo do pai. A relação do pai com o filho é que o pai sempre quer dar algo ao filho. Por isso, a relação com Deus, ou Kṛṣṇa, como filho é melhor do que a relação com Kṛṣṇa por parte de quem pensa: \"Se eu aceitar Deus como meu pai, então minha tarefa será pedir minhas necessidades ao pai.\" Mas, se eu me torno o pai de Kṛṣṇa, então, desde o início de Sua infância, minha tarefa será servi-Lo. O pai é o responsável pela criança desde o início de seu nascimento; por isso, o conceito desta relação de Vasudeva e Devakī é sublime.\n\n\n\nA mãe adotiva de Kṛṣṇa, Yaśodā, pensa: \"Se eu não alimentar Kṛṣṇa fartamente, Ele morrerá.\" Ela esquece que Kṛṣṇa é o Senhor Supremo, que Ele sustenta os três mundos. Esquece que apenas um Senhor supre as necessidades de todas as entidades vivas. Esta mesma Personalidade de Deus tornou-Se o filho de Yaśodā, e ela pensa: \"Se eu não O alimentar bem, Ele morrerá.\" Isto é amor. Ela esqueceu que é a Suprema Personalidade de Deus que apareceu diante dela como uma criancinha.\n\n\n\nEsta relação de apego é muito sublime. Requer tempo para ser compreendida, mas há uma posição em que, em vez de pedir: \"Ó Deus, por favor, dá-nos o pão de cada dia\", você pode, em vez disso, pensar que Deus morrerá se você não Lhe fornecer pão. Este é o êxtase do amor extremo. Tal relação existe entre Kṛṣṇa e Sua devota Rādhārāṇī, a maior devota, a maior amante de Kṛṣṇa. Mãe Yaśodā é Sua amante como mãe; Sudāmā é Seu amante como amigo; Arjuna também como amigo — há milhões e bilhões de diferentes tipos de devotos diretos de Kṛṣṇa.\n\n\n\nAssim, os sistemas de yoga, conforme aqui descritos, conduzem ao bhakti-yoga, e o bhakti-yoga pode ser praticado por pessoas que desenvolveram apego por Kṛṣṇa. Outros não podem praticá-lo. E, se alguém é capaz de desenvolver esse apego, a relação será que ele compreenderá Deus, Kṛṣṇa, perfeitamente. Por mais que tentemos compreender Deus por meio de nossas diferentes teorias ou especulações, ainda assim é uma tarefa difícil. Podemos dizer que compreendemos Deus, mas não é possível compreendê-Lo como Ele é, pois temos sentidos limitados, e Ele é ilimitado.\n\n\n\nDiz-se no *Śrīmad-Bhāgavatam* que nossos sentidos são imperfeitos, todos eles. Não podemos compreender perfeitamente nem mesmo o mundo material. Vocês viram tantos planetas e estrelas no céu à noite, mas não sabem o que são. Vocês nem mesmo sabem o que é o planeta Lua, embora os homens venham tentando há tantos anos chegar até lá em foguetes. Mesmo este planeta, a Terra! Não sabemos quantas variedades existem mesmo neste planeta! Se você for ao mar, ao céu, sua percepção é limitada. Nosso conhecimento, portanto, é sempre imperfeito. Quanto a isso devemos concordar. Se pensarmos tolamente que adquirimos todas as formas de conhecimento e que avançamos na ciência, isso é outra tolice. Não é possível.\n\n\n\nE, quando não é possível compreender nem mesmo as coisas materiais que vemos diariamente com nossos olhos, o que dizer do mundo espiritual e de *Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus*? Ele é a suprema forma espiritual, e não é possível compreendê-Lo com nossos sentidos limitados. Então, por que nos incomodamos tanto pela consciência de Kṛṣṇa, se isso não é possível? Se estes sentidos imperfeitos não podem perceber Kṛṣṇa como Ele é? A resposta é que, se você se torna submisso, se desenvolve a atitude espiritual de seguir Kṛṣṇa, e se está como servo ou amigo, como pai ou mãe ou como amante — se você começa a prestar serviço ao Senhor Supremo, então pode começar a conhecê-Lo.\n\n\n\nSeu serviço começa com a língua. Como? Com a língua você pode cantar Hare Kṛṣṇa, e com a língua pode saborear o kṛṣṇa-prasādam, o alimento espiritual. Logo, o início do processo é muito bom. Você pode cantar Hare Kṛṣṇa, Hare Kṛṣṇa, Kṛṣṇa Kṛṣṇa, Hare Hare/ Hare Rāma, Hare Rāma, Rāma Rāma, Hare Hare — e, sempre que Kṛṣṇa lhe oferecer prasādam, por Sua bondade, você o aceita. O resultado será que, se você se tornar submisso, e se começar este serviço — cantando e comendo prasādam —, Kṛṣṇa Se revelará diante de você.\n\n\n\nVocê não pode compreender Kṛṣṇa pela especulação; isso não é possível, pois seus sentidos são imperfeitos. Mas, se começar este processo de serviço, então será possível — um dia Kṛṣṇa Se revelará a você: \"Eu sou assim.\" Tal como Kṛṣṇa está revelando-Se a Arjuna. Arjuna é um devoto, e é submisso, e está em contato com Kṛṣṇa como amigo. Por isso, Kṛṣṇa está revelando-Se a ele.\n\n\n\nO *Bhagavad-gītā* foi falado a Arjuna, não a algum especulador filosófico Vedantista. No início do Quarto Capítulo, vocês notarão que Kṛṣṇa diz: \"Estou falando-te aquele antigo sistema de yoga.\" Está enunciado: \"a ti\". Arjuna era kṣatriya, um guerreiro. Era um chefe de família, nem sequer um sannyāsī, não um renunciante — mas estas não são qualificações para compreender Kṛṣṇa. Suponhamos que eu diga que me tornei um mendicante sannyāsī — isto não é uma qualificação, que eu possa agora compreender Kṛṣṇa. Então, qual é a qualificação? Esta: \"Aquele que desenvolveu o espírito de serviço, com amor e devoção, pode compreender-Me.\" Nenhum outro. Não os grandes eruditos e especuladores mentais; mas uma criança pode compreender Kṛṣṇa, se tiver plena fé nEle. Portanto, fé e devoção qualificam a pessoa.\n\n\n\nSimplesmente por tal fé e serviço, você compreenderá que Kṛṣṇa é a Suprema Personalidade de Deus. Tal como estamos pregando a consciência de Kṛṣṇa; não estamos desperdiçando seu tempo nem o nosso, pois temos plena fé em que Kṛṣṇa é a Suprema Personalidade de Deus. Teórica ou praticamente, vocês devem aceitar Kṛṣṇa como a Pessoa Suprema. Teoricamente, há a escritura revelada. Vocês compreenderão a partir da literatura Védica, a partir dos grandes devotos do passado e do presente.\n\n\n\nPara o presente, há o Senhor Caitanya. O Senhor Caitanya é a grande autoridade. Ninguém é maior. Ele era louco por Kṛṣṇa. E então, depois dEle, Seus seis discípulos, os gosvāmīs, deixaram-nos uma literatura imensamente valiosa — especialmente Jīva Gosvāmī. Eles escreveram volumes sobre Kṛṣṇa. Assim, sob a sucessão discipular, chegamos a este ponto; e, se vocês gostam da história passada, então retrocedam um longo, longo tempo até Vyāsadeva. É conhecido por ter escrito o *Śrīmad-Bhāgavatam* e outras literaturas sobre Kṛṣṇa. O *Śrīmad-Bhāgavatam* nada mais é do que uma descrição de Kṛṣṇa. Vyāsa é também o autor do *Bhagavad-gītā*. O *Gītā* foi falado por Kṛṣṇa e anotado por Vyāsa, que pôs este *Gītā* no *Mahābhārata*.\n\n\n\nLogo, Vyāsadeva aceita Kṛṣṇa como a Pessoa Suprema. No *Śrīmad-Bhāgavatam*, ele deu a descrição das diferentes encarnações; há vinte e cinco delas. E, na conclusão, ele diz que as descrições que são dadas das diferentes encarnações são todas partes das representações de Deus. Mas Kṛṣṇa é a própria Suprema Personalidade de Deus. Ele não é parte, mas cem por cento — cem por cento Deus. Assim, há a evidência da autoridade.\n\n\n\nE, praticamente, se acreditamos nos śāstras, as escrituras, então podemos ver: Quem pode ser mais poderoso do que Kṛṣṇa? Quem pode ser mais belo do que Kṛṣṇa? Quem pode ser mais famoso do que Kṛṣṇa? Kṛṣṇa apareceu há cinco mil anos, mas Seu conhecimento, que Ele deu sob a forma do Śrīmad *Bhagavad-gītā*, ainda é adorado. É adorado não apenas pelos hindus ou pelos indianos, mas é lido pelo mundo afora. No país de vocês há pelo menos cinquenta edições diferentes do *Bhagavad-gītā*, escritas por homens diferentes. De modo semelhante, na Inglaterra, na Alemanha, na França e em todos os outros países, vocês encontrarão centenas de edições do *Gītā*. Logo, quem pode ser mais famoso? Há muitas outras evidências, se vocês acreditam no śāstra: Kṛṣṇa casou-Se com 16.108 esposas, e proveu cada uma delas com um grande palácio, e cada uma delas teve 10 filhos, e dos 10 filhos nasceram muitos outros filhos. Assim, temos a evidência das Escrituras reveladas; e também no Brahma-saṁhitā, Kṛṣṇa é aceito como a Suprema Personalidade de Deus. Este é um livro muito antigo, supostamente escrito por Brahmā, o primeiro ser vivo no universo.\n\n\n\nNesse Brahma-saṁhitā, diz-se, īśvaraḥ paramaḥ kṛṣṇaḥ [Bs. 5.1]. Īśvara significa Deus. Há muitos deuses. Diz-se que há tantos semideuses, e há o Deus Supremo. Logo, o Brahma-saṁhitā diz, īśvaraḥ paramaḥ kṛṣṇaḥ [Bs. 5.1] — Ele é o Deus dos deuses. Īśvaraḥ paramaḥ kṛṣṇaḥ, e em seguida: sac-cid-ānanda-vigrahaḥ [Bs. 5.1] — e Seu corpo é eterno, e pleno de bem-aventurança e conhecimento. E a seguir: anādiḥ — Ele não tem começo, mas é o começo de todos. Anādir ādir govindaḥ [Bs. 5.1]. Go significa sentidos, go significa vaca, e go significa terra. Ele é o proprietário de toda a terra, é o proprietário de todas as vacas, e é o criador de todos os sentidos.\n\n\n\nBuscamos o prazer dos sentidos, mas nossa perfeição do prazer dos sentidos só pode ser alcançada quando reciprocamos nosso prazer com Kṛṣṇa. Por isso, Seu nome é Govinda, a Suprema Personalidade Original de Deus.\n\n\n\nA mesma Personalidade de Deus falou pessoalmente sobre Si mesmo a Arjuna no *Gītā*. Como podem vocês dizer que alguém, por meio de seu pensamento, por meio de especulação, possa dizer algo sobre Deus que seja mais importante do que aquilo que está sendo dito pelo próprio Kṛṣṇa? Não é possível. Ninguém pode falar melhor do que Kṛṣṇa sobre Deus, pois é o próprio Deus que está falando. Se vocês falam pessoalmente sobre vocês mesmos, quem pode dizer mais do que vocês? Logo, se têm fé, se acreditam teórica ou praticamente em Kṛṣṇa como a Suprema Personalidade de Deus, então, pelos discursos que são proferidos por Kṛṣṇa no *Bhagavad-gītā*, podem compreender Deus. Não há dificuldade.\n\n\n\nE, se vocês acreditam em Kṛṣṇa, então o resultado será que poderão compreender Deus — como Ele trabalha, como Suas energias agem, como Ele Se manifesta, o que é este mundo material, o que é o mundo espiritual, o que são as criaturas vivas, qual é sua relação — tantas coisas hão de ser encontradas na literatura de Deus.\n\n\n\nToda a literatura Védica trata de três coisas: a primeira é sua relação com Deus; em seguida, depois que vocês compreendem sua relação com Deus, podem agir nesse sentido. Assim como um homem ou uma mulher podem não ter relação alguma, mas, tão logo se estabelece a relação de que um é marido e a outra é esposa, então começam as transações.\n\n\n\nUma vez que compreendem sua relação com Deus, as pessoas geralmente acreditam que Deus é o pai, e que a tarefa do filho é pedir ao Pai o que quer que necessite. Mas essa é, na verdade, uma relação menor. Se vocês compreendem Deus perfeitamente, então existem também relações íntimas. Sua relação íntima será revelada quando vocês estiverem perfeitamente liberados. Cada uma e todas as criaturas vivas têm uma relação particular com Deus, mas, por enquanto, esquecemo-nos dela. Quando essa relação é revelada no processo das atividades devocionais, ou a consciência de Kṛṣṇa, vocês saberão que essa é a perfeição de sua vida. A consciência de Kṛṣṇa é uma grande ciência; não é uma especulação sentimental a respeito do amor. Baseia-se em proposições científicas descritas no *Bhagavad-gītā*, nos *Vedas* e no Brahma-saṁhitā; e é aceita por autoridades como o Senhor Caitanya, Rāmānujācārya, Madhvācārya, Nārada, Asita, Vyāsa — há tantas autoridades. A consciência de Kṛṣṇa não é um negócio ordinário de fazer amor ou de fazer dinheiro; é realidade, e, se vocês se apegarem a ela com seriedade, sua vida será perfeita.\n\n\n\nKṛṣṇa diz no *Bhagavad-gītā*: \"Após abandonar este corpo, aquele que Me conhece em verdade não volta novamente a este mundo material para aceitar um corpo material.\" Então, o que lhe acontece? Ele vai a Kṛṣṇa, de volta ao lar, de volta a Deus. Este movimento da consciência de Kṛṣṇa está dando às pessoas, diretamente, a compreensão de Kṛṣṇa. Estamos dando o conhecimento de Kṛṣṇa com base nestas escrituras autorizadas: o *Bhagavad-gītā* e os *Vedas*. Veda significa conhecimento, e Vedānta significa o fim último do conhecimento. O que é esse fim do conhecimento? Esse é Kṛṣṇa. Vedaiś ca sarvair aham eva vedyaḥ [Bg. 15.15]. Conhecendo todos os *Vedas*, a conclusão última deve ser Kṛṣṇa. Esta conclusão chega após muitos e muitos nascimentos. Após cultivar conhecimento por muitos e muitos nascimentos, quando alguém realmente se torna sábio, então se rende a Kṛṣṇa. Como pode render-se? Sabe que Vāsudeva, Kṛṣṇa, é tudo. Tudo o que vemos é simplesmente uma manifestação da energia de Vāsudeva. É preciso estar convencido deste ponto, e então a pessoa se torna um devoto. Kṛṣṇa, portanto, aconselha que, quer vocês compreendam quer não, simplesmente se rendam a Ele. O que Kṛṣṇa ensinou no *Bhagavad-gītā*, nós também estamos ensinando, sem ideias diferentes e fabricadas. Este é nosso movimento da consciência de Kṛṣṇa. Está aberto a todos, e o processo é muito simples. Temos nossos centros. Se vocês quiserem aproveitar este movimento, sejam bem-vindos. Vocês serão felizes."}
{"ref": "ttp/3", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/3/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "3. Além das Leis da Natureza", "purport": "Na vida materialista, não podemos controlar nossos sentidos e a mente. A mente está ditando: \"Goze seus sentidos desta maneira\", e estamos gozando nossos sentidos. A vida materialista significa gratificação dos sentidos. Este processo de gratificação dos sentidos prossegue vida após vida. Nas muitas variedades de vida, há diferentes critérios de gratificação dos sentidos. Kṛṣṇa é tão bondoso que nos deu plena liberdade para gratificar nossos sentidos.\n\n\n\nSomos parte integrante de Kṛṣṇa; temos pequenas partículas de todos os desejos de Kṛṣṇa. Nossa existência é uma pequena partícula da de Deus, tal como uma pequena partícula de ouro que tem todas as qualidades do ouro original. Kṛṣṇa tem a propensão para a gratificação dos sentidos. Ele é o gratificador original dos sentidos. Afirma-se no *Bhagavad-gītā* que Kṛṣṇa é o desfrutador supremo. Nosso espírito desfrutador existe porque existe originalmente em Kṛṣṇa.\n\n\n\nO *Vedānta-sūtra* diz que tudo se origina de Kṛṣṇa. Param Brahman, ou a Verdade Absoluta, significa aquilo de que tudo é gerado. Por isso, nosso desejo de gratificação dos sentidos provém de Kṛṣṇa. Aqui está a gratificação perfeita dos sentidos — Kṛṣṇa e Rādhārāṇī. Rapazes e moças tentam, de modo semelhante, gozar seus sentidos, mas de onde vem essa propensão? Vem de Kṛṣṇa. Por sermos parte integrante de Kṛṣṇa, a qualidade do desejo pela gratificação dos sentidos existe dentro de nós. Mas a diferença é que estamos tentando gratificar nossos sentidos no mundo material; por isso, estamos pervertidos. Na consciência de Kṛṣṇa, a pessoa gratifica seus sentidos em associação com Kṛṣṇa. Então é perfeito.\n\n\n\nPor exemplo, se há um doce bem feito ou algum bom alimento, e o dedo o pega, não pode desfrutá-lo. O alimento tem de ser dado ao estômago, e então o dedo também pode desfrutar. De modo semelhante, não podemos gratificar nossos sentidos diretamente. Mas, quando nos unimos a Kṛṣṇa, quando Kṛṣṇa desfruta, então podemos desfrutar. Esta é nossa posição. O dedo não pode comer nada independentemente; não pode desfrutar o belo doce. O dedo pode pegá-lo e colocá-lo no estômago, e, quando o estômago desfruta, então o dedo desfruta.\n\n\n\nTemos de purificar a propensão da gratificação material dos sentidos. Isto é consciência de Kṛṣṇa. Para a consciência de Kṛṣṇa, temos de ser purificados. O que é essa purificação? Não podemos desfrutar nada diretamente, de modo que temos de desfrutar através de Kṛṣṇa. Por exemplo, tomamos prasādam. O bom prasādam, o alimento que é preparado, não é tomado diretamente — nós o tomamos através de Kṛṣṇa. Em primeiro lugar, oferecemo-lo a Kṛṣṇa, e então o tomamos.\n\n\n\nQual é a dificuldade? Não há dificuldade, mas você se torna purificado. O processo de comer é o mesmo, mas, se você come diretamente, então se torna materialisticamente sobrecarregado. Se, contudo, oferece a Kṛṣṇa e então o toma, então se livra de toda a contaminação da vida material. Isto se afirma no *Bhagavad-gītā*. Os devotos tomam prasādam depois de oferecê-lo a Kṛṣṇa. Isto se chama sacrifício. O que quer que você ofereça a Kṛṣṇa, ou a Viṣṇu, chama-se sacrifício. O que quer que façamos aqui, dentro deste mundo material, é algum tipo de atividade pecaminosa, mesmo que não saibamos. Matar é atividade pecaminosa, mesmo que não matemos por vontade própria. Quando você caminha pela rua, está matando muitos animais. Sempre que bebe água, também está matando. Por baixo de um pote de água há muitas formigas e micróbios que estão sendo mortos. Sempre que você acende um fogo, há muitos pequenos micróbios que também queimam no fogo. Quando você mói especiarias com almofariz e pilão, muitos pequenos micróbios são mortos.\n\n\n\nSomos responsáveis por isso. Voluntária ou involuntariamente, estamos nos enredando em muitas atividades pecaminosas. Por isso, o *Bhagavad-gītā* diz que, se você tomar os restos do alimento após oferecer sacrifício, você se livra de toda a contaminação. Caso contrário, quem cozinha para comer pessoalmente, sem oferecer a Kṛṣṇa, está simplesmente comendo reações pecaminosas. Esta é nossa posição. Por isso, está enunciado que, como as pessoas geralmente não conseguem controlar seus sentidos, ocupam-se na maneira materialista de viver, na qual ocorre nascimento e morte repetidos em diferentes espécies.\n\n\n\nEu não sei qual é minha próxima vida, mas a próxima vida virá. Diante de nós há muitas espécies de vida; posso nascer em qualquer uma delas. Posso tornar-me um semideus, posso tornar-me um gato, posso tornar-me um cão, posso tornar-me Brahmā — há tantas formas de vida. Na próxima vida terei de aceitar uma destas formas, mesmo que eu não queira. Suponhamos que alguém perguntasse: \"Em sua próxima vida, gostaria de assumir a forma de um cão ou de um porco?\" Eu não gostaria. Mas a lei da natureza diz que, após abandonar este corpo, quando eu não existir mais neste corpo, terei de aceitar outro corpo segundo meu karma. Isso está nas mãos da natureza. É organizado por uma supervisão superior. Você não pode ordenar: \"Dê-me o corpo de Brahmā, dê-me o corpo de Indra ou de um rei ou algo elevado.\" Isso não está em suas mãos, nem nas minhas; isso será julgado pela agência superior de Deus, Kṛṣṇa, e a você será dado um corpo. Por isso, é nosso dever preparar um corpo que nos ajude a voltar a Kṛṣṇa. Isto é consciência de Kṛṣṇa.\n\n\n\nPrahlāda Mahārāja, uma grande autoridade, diz que é preciso aceitar instrução dos outros. É preciso aceitar instrução de um guru, um mestre espiritual. Não se deve aceitar instrução de ninguém a menos que se o aceite como guru. Mas mesmo aquele que tem um bom guru não pode permanecer consciente de Kṛṣṇa se está determinado a permanecer neste mundo material. Se minha determinação é permanecer neste mundo material para desfrutar a vida material, então, para mim, a consciência de Kṛṣṇa é impossível.\n\n\n\nTodos no mundo material estão ocupados em toda sorte de atividades políticas, filantrópicas e humanitárias para tornar a vida material feliz e próspera, mas isso não é possível. Deve-se compreender que, no mundo material, por mais que se tente fazer ajustes, não se pode ser feliz. Para citar um exemplo que dei muitas vezes, se você tirar um peixe da água, pode dar-lhe um leito de veludo muito confortável, mas, ainda assim, o peixe não pode ser feliz; ele morrerá. Como o peixe é um animal da água, não pode ser feliz sem água. De modo semelhante, todos somos almas espirituais; a menos que estejamos na vida espiritual ou no mundo espiritual, não podemos ser felizes. Esta é nossa posição.\n\n\n\nTodos estão tentando alcançar essa realização espiritual. Mas não sabemos. Por isso, estamos tentando ser felizes aqui, em condições materiais. Estamos ficando frustrados e confusos. Por isso, temos de abandonar este entendimento de que seremos muito felizes fazendo ajustes a este mundo material. Então, a consciência de Kṛṣṇa será efetiva.\n\n\n\nOs rapazes e moças que são nossos estudantes têm sido muito desdenhosos para com a maneira materialista de viver. Seus pais e responsáveis não são pobres. Não há escassez de alimento ou de desfrutes materiais. Por que eles estão sendo frustrados? Vocês podem dizer que, como a Índia está atingida pela pobreza, as pessoas estão frustradas, mas por que rapazes e moças americanos têm estado frustrados? Esta é a prova de que a maneira materialista de viver não pode torná-los felizes. Vocês podem prosseguir por algum tempo tentando ser felizes, mas a felicidade nunca virá da vida materialista. Isto é um fato. Aqueles que tentam ser felizes fazendo ajustes materiais não podem dedicar-se à consciência de Kṛṣṇa. A frustração e a confusão com a vida materialista são a qualificação para chegar à consciência de Kṛṣṇa. Estes rapazes e moças têm uma boa qualificação; estão chegando à consciência de Kṛṣṇa. Há um verso no *Śrīmad-Bhāgavatam* que afirma que, às vezes, para mostrar favor especial a Seus devotos, Kṛṣṇa retira toda a opulência material da pessoa. Por exemplo, os Pāṇḍavas foram despojados de seu reino, embora Kṛṣṇa estivesse presente ali. Kṛṣṇa estava presente como amigo deles, e, ainda assim, foram despojados de seu reino. Perderam sua propriedade, sua esposa foi insultada, e foram banidos para a floresta.\n\n\n\nEsta pergunta foi colocada por Yudhiṣṭhira Mahārāja a Kṛṣṇa. \"Como é\", indagou ele indiretamente, \"que Tu és nosso amigo e que somos colocados em tal dificuldade?\" Kṛṣṇa respondeu a Yudhiṣṭhira Mahārāja: \"Este é Meu favor especial.\" Às vezes, não podemos compreender o favor especial de Kṛṣṇa.\n\n\n\nAssim, esta frustração dos rapazes americanos e ingleses com a maneira materialista de viver é um bom sinal para aceitar a consciência de Kṛṣṇa. Naturalmente, ninguém precisa tornar-se pobre para dedicar-se à consciência de Kṛṣṇa. Mas, se alguém tiver o desejo de tornar-se espiritualmente avançado e, ao mesmo tempo, desfrutar a vida material, isso não é possível. Estas são duas aspirações contraditórias. É preciso tornar-se determinado a ser feliz na vida espiritual. Essa é a verdadeira felicidade.\n\n\n\nEsta forma humana destina-se especialmente a chegar a esse padrão de vida espiritual mediante o tapasya, rejeitando voluntariamente a maneira materialista de viver. Na história da Índia houve muitos grandes reis, como Bharata Mahārāja, que, mesmo numa idade muito jovem, praticaram tapasya. Bharata Mahārāja, com apenas vinte e quatro anos de idade, deixou sua jovem esposa, seus jovens filhos e todo o império Bhāratavarṣa e foi para a floresta meditar. Há muitos casos assim. Prahlāda Mahārāja foi questionado por seu pai, Hiraṇyakaśipu: \"Quem te ensinou esta consciência de Kṛṣṇa?\" O filho de um rei não se mistura com ninguém mais; recebe lições apenas dos preceptores designados. Como, então, este menino, que tinha apenas cinco anos de idade, era tão consciente de Kṛṣṇa? Seu pai ficou surpreso e, então, perguntou-lhe: \"Como adotaste a consciência de Kṛṣṇa?\" A resposta foi: \"Meu querido pai, a consciência de Kṛṣṇa não pode ser alcançada por uma pessoa como tu, cuja tarefa é sempre simplesmente desfrutar este mundo material.\" Hiraṇya significa ouro, e kaśipu significa leito macio e acolchoado.\n\n\n\nA vida materialista é gasta mastigando o mastigado. Tomem, por exemplo, um pai. Um pai sabe que tem responsabilidades, de modo que trabalha muito para manter sua família. É muito difícil manter o alto padrão de vida nesta era, de modo que é preciso trabalhar muito e ocupar o filho do mesmo modo. Apesar das experiências muito ruins com a vida materialista, ainda assim a pessoa ocupa seu filho da mesma maneira. Isso acontece repetidamente, de modo que é como mastigar coisas mastigadas. Uma vez que mastiguei cana-de-açúcar e tomei seu suco, ela é jogada fora na rua, e, se alguém quiser prová-la para ver quão doce é, está mastigando o mastigado. De modo semelhante, não temos uma experiência muito boa com esta vida materialista, esta dura luta pela vida, mas os seres humanos, como se afirma no *Śrīmad-Bhāgavatam*, nascem da qualidade da paixão. Há três qualidades no mundo material: bondade, paixão e ignorância. Como as pessoas estão no modo da paixão, adoram trabalhar muito. Esse trabalho árduo é considerado felicidade. Em Londres, vocês verão todos ocupados em trabalho árduo. De manhã, todos os ônibus e caminhões viajam em grande velocidade, e as pessoas vão ao escritório ou à fábrica desde a manhã até tarde da noite. Trabalham arduamente, e isso é chamado de avanço da civilização. Algumas delas estão frustradas; não querem isso. Haverá frustração — afinal, é trabalho árduo. Os porcos também trabalham duro dia e noite, pensando: \"Onde há esterco? Onde há esterco?\" Esse é o trabalho deles. Por isso, num sentido, este tipo de civilização é uma civilização de porcos e cães. Não é civilização humana. Civilização humana significa sobriedade. Deve-se ser inquisitivo. Um ser humano deve ser inquisitivo para saber estas coisas: Quem sou eu? Por que sou colocado nesta condição de trabalhar muito para obter apenas alguns grãos? Por que estou nesta situação desconfortável? De onde vim? Para onde tenho de ir? O *Vedānta-sūtra* começa afirmando que um ser humano deve ser inquisitivo para saber quem é, de onde vem e para onde tem de ir. A consciência de Kṛṣṇa é para aqueles que vieram a detestar este mundo material. Eles são bons candidatos para desenvolver a consciência de Kṛṣṇa. Indagarão por que estes homens estão trabalhando tão arduamente e qual é seu objetivo na vida.\n\n\n\nIsso é respondido no *Śrīmad-Bhāgavatam*. As pessoas trabalham tão arduamente porque não sabem efetivamente qual é o objetivo da vida. Todos dizem que estão cuidando de seu interesse próprio, mas não sabem qual é seu interesse próprio. Na te viduḥ svārtha-gatiṁ hi viṣṇu. Deve-se saber que seu verdadeiro interesse próprio é progredir em direção a Viṣṇu, a Suprema Personalidade de Deus. Não sabem disso. Por que não sabem? Porque têm esperanças que são muito difíceis de cumprir. Posso esperar por algo que seja possível; isso é bom. Mas, se espero por algo que jamais seja possível, essa é uma esperança que jamais será cumprida.\n\n\n\nSomos uma composição das energias externa e interna de Deus. A energia externa grosseira é este corpo material grosseiro, e a energia externa sutil é a mente, o ego e a inteligência. Atrás de ambas as energias — a energia externa grosseira e a energia externa sutil — está a alma, a energia interna. Este corpo é feito de terra, água, fogo, ar e éter. Isto se chama energia externa grosseira, e há também uma energia externa sutil de mente, inteligência e ego falso. E, atrás disso, a alma está lá.\n\n\n\nEu sou o proprietário deste corpo. Tal como a pessoa é coberta por uma camisa e um casaco que são externos a seu corpo real, de modo semelhante somos cobertos por este corpo grosseiro composto de terra, água, fogo, ar e éter, que é a energia externa grosseira de Deus, ou Kṛṣṇa, e pela mente, ego e inteligência, que são sutis. Assim, estamos cobertos.\n\n\n\nPosso pensar que, simplesmente por ter uma camisa e um casaco bonitos, posso ser feliz, mas será possível? A menos que coma bem, a menos que durma bem, a menos que tenha sua gratificação dos sentidos, você será feliz simplesmente por vestir uma camisa e um casaco caros? Não. Isso não é possível. Queremos ser felizes pelo ajuste desta energia externa. Isso não pode ser. Você é alma espiritual — você deve ter alimento espiritual, deve ter uma vida espiritual, e então pode ser feliz. Assim como você não pode ser feliz simplesmente por ter uma camisa e um casaco bonitos, de modo semelhante, simplesmente pela maneira materialista de viver, você não pode ser feliz. Há matéria grosseira e matéria sutil. A matéria grosseira inclui altos arranha-céus, máquinas, fábricas, boas estradas, bons carros, etc. A matéria sutil inclui boas canções, poesia, filosofia, etc. As pessoas estão tentando ser felizes com esta existência material grosseira e sutil. Isso não pode ser.\n\n\n\nPor que as pessoas aceitaram este tipo de civilização? Porque são conduzidas por líderes cegos. Estamos conduzindo este movimento da consciência de Kṛṣṇa, e muito poucos se interessam. Mas, suponhamos que anunciássemos alguma falsidade — \"Se vocês seguirem este caminho, dentro de seis meses tornar-se-ão Deus, e serão todo-poderosos.\" Muitas pessoas viriam. Isto é, na verdade, um cego conduzindo outros cegos. Suponhamos que um cego diga: \"Tudo bem, venham, sigam-me. Eu os ajudarei a atravessar esta movimentada Rua Mulberry.\" Ele é cego, e os seguidores também são cegos. O resultado será que serão atingidos por algum carro ou caminhão e todos morrerão.\n\n\n\nNão sabemos que estamos atados pelas rigorosas leis da natureza material. Como podemos nos libertar deste cativeiro material? Temos de aceitar instrução daqueles que não são cegos, cujos olhos estão abertos e que estão liberados deste cativeiro material. É preciso aceitar instrução de tais pessoas, e então a pessoa compreenderá seu interesse próprio. Caso contrário, se alguém que é cego aceita instrução de um cego, não lhe será possível libertar-se do cativeiro material.\n\n\n\nO que é interesse próprio? Qual é o interesse de uma criança quando está chorando? Está buscando o seio da mãe. Quem quer que saiba disso imediatamente leva a criança até sua mãe — \"Cuide de sua criança; ela está chorando.\" A mãe a leva ao seio, e a criança fica imediatamente feliz. A criança não pode expressar o que quer, e então simplesmente chora. Mas quem sabe pelo que ela chora a ajuda, e a criança se torna feliz. De modo semelhante, por sermos parte integrante de Kṛṣṇa, o Senhor Supremo, a Suprema Personalidade de Deus, estamos efetivamente chorando por Kṛṣṇa. Mas estes falsos líderes, estes líderes cegos que não sabem, estão dando pedra em vez de pão.\n\n\n\nComo alguém pode ser feliz? Já expliquei a energia externa grosseira e a energia externa sutil. Aqueles que se interessam por esta energia externa grosseira e sutil jamais terão sua ambição de vida cumprida. Aquele que se interessa por Viṣṇu e em mostrar o caminho de Viṣṇu é o verdadeiro amigo. Aquele que está dando a consciência de Kṛṣṇa é o verdadeiro amigo do mundo. Nenhuns outros podem dar felicidade à sociedade humana. Esta é a explicação dada por Prahlāda Mahārāja.\n\n\n\nVocê não pode fabricar um processo de felicidade lidando com esta energia material. Isso não é possível, porque a energia material não está sob seu controle. É controlada pelo Supremo. Como você pode superar a energia material? Não é possível. Isso se explica no *Bhagavad-gītā*. Não é possível superar as rigorosas leis da natureza material. Kṛṣṇa diz: \"É Minha energia; Eu sou o controlador. Mas pode-se render-se a Mim.\"\n\n\n\nTodas as atividades materiais da manifestação cósmica estão ocorrendo apenas para trazer de volta a Deus as almas rebeldes. Esta é a situação. As rigorosas leis de māyā estão aí. Por quê? Qual é a finalidade da força policial ou da força militar? A finalidade é manter os cidadãos obedientes ao estado. Se um cidadão é desobediente à lei do estado, é imediatamente colocado sob custódia policial. De modo semelhante, qualquer um que se tenha rebelado contra a superioridade de Deus é colocado sob as rigorosas leis da natureza material, e tem de sofrer. Esta é a posição. Por isso, seu interesse próprio é buscar a Suprema Personalidade de Deus e render-se a Ele. Isso o tornará feliz. Caso contrário, se ele simplesmente tenta aceitar as coisas materiais e tornar-se feliz, isso não é possível.\n\n\n\nPrahlāda Mahārāja dá uma pista sobre como se pode buscar o caminho de Viṣṇu, ou consciência de Kṛṣṇa. Ele diz que criamos tantas coisas desnecessárias e ficamos enredados por elas. No início do *Śrīmad-Bhāgavatam*, está enunciado que devemos desejar sair deste embaraço desnecessário e libertar-nos dos problemas que são criados. Esta manhã vi uma fotografia de Berlim que foi enviada por um de meus discípulos. Estive em Berlim e em Moscou, e ambas são cidades muito boas. Berlim é uma cidade muito boa, e Londres é também uma cidade muito boa, mas por que as pessoas se ocupam em lutar e bombardear umas as cidades das outras? Por que isto aconteceu? Porque perderam seu interesse em Viṣṇu, Deus. Por isso, estão pensando: \"Tu és meu inimigo; eu sou teu inimigo\", e brigam como cães e gatos. Mas, tão logo cheguemos à compreensão de Viṣṇu, à compreensão de Kṛṣṇa, estas cidades avançadas, estas civilizações avançadas, podem ser mantidas muito bem. Vocês serão felizes, comerão bem, dançarão bem, viverão bem e voltarão ao lar, de volta a Deus. Desfrutem esta vida e a próxima vida. Este é nosso pedido.\n\n\n\nTodos deveriam levar a sério o movimento da consciência de Kṛṣṇa e tentar compreendê-lo a sério. É autorizado segundo o princípio Védico; não é algo fabricado ou não autorizado. Estamos abrindo centros em diferentes partes do mundo para dar às pessoas a oportunidade de compreenderem seu verdadeiro interesse: Viṣṇu, Kṛṣṇa. Esta é nossa missão. Por favor, ajudem-nos e juntem-se a nós."}
{"ref": "ttp/4", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/4/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "4. O Objetivo do Yoga", "purport": "No *Bhagavad-gītā*, a palavra sânscrita mām é frequentemente usada. Esta palavra significa \"a mim\". *Kṛṣṇa, a Suprema Personalidade de Deus*, diz: \"a Mim\" — Kṛṣṇa. Não podemos interpretar isso de maneira diferente. Quando digo: \"Tragam-me um copo de água\", isso significa que sou a pessoa que necessita do copo de água, e, se vocês o fornecem a mim e não a outros, então está certo. Quando Kṛṣṇa diz \"a Mim\", isso significa Kṛṣṇa. Mas os filósofos ainda estão interpretando — dizem \"a alguma outra coisa\". Mesmo gramaticalmente, isso está errado.\n\n\n\nAquele que desenvolveu apego por Kṛṣṇa é consciente de Kṛṣṇa. Eles dizem que, se você tem apego por sua amada, sempre pensa nela. Isso é consciência de amante. É natural. Está enunciado que uma mulher que tem outro amante além do marido se mostra muito atenta às suas tarefas domésticas, mas está sempre pensando: \"Quando meu amante e eu nos encontraremos à noite?\" Este é um exemplo. É possível, apesar de nossa falsa ocupação, se amamos alguém, pensar nele o tempo todo. Se materialmente é possível, por que não espiritualmente? Esse é todo o ensinamento do *Bhagavad-gītā*.\n\n\n\nNo *Gītā*, Kṛṣṇa diz a Arjuna: \"Como guerreiro, tens de lutar. Não podes afastar-te da luta. É teu dever.\" Hoje em dia tenho experiência prática de que a junta de alistamento de seu país está convocando rapazes para alistarem-se no exército, mas eles não estão dispostos. Não estão dispostos porque não são treinados como kṣatriyas, guerreiros. São treinados como śūdras, trabalhadores. Por isso, o sistema de castas é muito científico. Uma seção do povo deve ser treinada como brāhmaṇas, homens de conhecimento. Aqueles que são suficientemente inteligentes na sociedade deveriam ser escolhidos e treinados em ciência filosófica superior. E aqueles que são menos inteligentes do que os brāhmaṇas deveriam receber treinamento militar. Precisamos de tudo na sociedade — não apenas de militares. Como pode todo mundo ser militar? Porque estão enviando śūdras, trabalhadores ordinários, para o Vietnã, estes estão sendo mortos desnecessariamente. Qualquer país que esteja muito orgulhoso do avanço científico, e que, todavia, não saiba como organizar sua sociedade, é uma sociedade de tolos.\n\n\n\nNo *Bhagavad-gītā*, Kṛṣṇa diz que há quatro divisões da sociedade: brāhmaṇa, kṣatriya, vaiśya e śūdra. Isso é natural. Alguns são inclinados ao avanço espiritual, e estes são os brāhmaṇas. Agora estamos treinando rapazes que são espiritualmente inclinados, e estão sendo desnecessariamente forçados ao serviço militar. Os tolos não têm conhecimento de que algum rapaz está sendo treinado em ciência superior. Por que ele deveria ser destruído quando está sendo aperfeiçoado? As pessoas intelectuais, esses rapazes que têm qualificações brahmínicas, são contidos na vida estudantil de brahmacarya: não comem carne, não tomam parte em sexo ilícito. Estão sendo treinados como brāhmaṇas completos, os mais elevados intelectuais, as pessoas mais purificadas da sociedade. Se há um brāhmaṇa numa família inteira, então toda a família — toda a sociedade — torna-se santificada. Mas, hoje, eles não têm conhecimento de como treinar um brāhmaṇa, ou como treinar um kṣatriya. Nos outros campos de ação, no trabalho de śūdras e vaiśyas, há bom treinamento. Se alguém quer ser homem de negócios, há faculdades ou escolas tecnológicas. Isso é muito bom. Mas por que todo mundo deveria ser arrastado para a tecnologia? Tal como em seu corpo: para uma manutenção apropriada, precisamos da cabeça, dos braços, do ventre e das pernas. Todas estas partes do corpo são necessárias. Você não pode dizer: \"Não precisamos da cabeça.\" Isso é disparate — precisamos de tudo. Suponhamos que haja um corpo sem cabeça — é um corpo morto. Se o corpo está agora intacto, mas não há cabeça, chama-se um corpo morto. A cabeça é considerada a parte intelectual do corpo. De modo semelhante, se não há brāhmaṇa na sociedade, esta é um corpo morto. Se não há um homem espiritual na sociedade, esta é uma sociedade morta.\n\n\n\nPor isso, Kṛṣṇa diz: \"Criei as quatro divisões da sociedade, segundo qualidade e trabalho.\" Se alguém está atuando como brahmacārī-brāhmaṇa e adquiriu a qualidade de compreender Kṛṣṇa, o Senhor Supremo, então por que deveria ser convocado para a ação no exército? O braço do corpo é o kṣatriya. Naturalmente, isso é necessário; para proteger a sociedade, para proteger o país, deve haver um arranjo militar. Ninguém desaprovará. Mas não os brāhmaṇas. É colocar um cavalo de corrida diante da carroça de trabalho. Um cavalo de corrida é necessário para diferentes propósitos. As outras bestas de carga — asnos, mulas e bois — são necessárias para puxar carroças.\n\n\n\nDigo isto francamente — todos podem ler — que qualquer sociedade em que não haja pessoas espirituais ou consciência de Kṛṣṇa é uma sociedade de canalhas, pois não tem cabeça. Onde há um homem sem cabeça, há um corpo morto. E, se não há cérebro, não há cabeça; se o cérebro não está funcionando bem, então ele é um louco; se não tem cabeça alguma, então é um homem morto.\n\n\n\nVocês acham que numa sociedade morta ou numa sociedade louca pode haver alguma paz? Não. Se a sociedade está cheia de loucos, então onde está a possibilidade de paz? Por isso, a consciência de Kṛṣṇa é o estudo mais importante da sociedade atual. Os homens que estão dirigindo a sociedade, o Presidente e o Secretário de Defesa, deveriam ter a inteligência para compreender esta ciência da alma.\n\n\n\nOutro dia, ao vir para o país de vocês, encontrei-me com um secretário do governo japonês em Tóquio. Eu queria explicar-lhe que deveria cooperar com este movimento, mas ele disse: \"Oh, não podemos cooperar com nenhum movimento religioso.\" Ele é um dos principais secretários do governo, e é tão tolo. Está considerando este movimento como um movimento religioso, assim como temos tantas religiões sentimentais. Mas isto não é sentimental. Isto é a necessidade da sociedade: uma classe de homens deve ser consciente de Kṛṣṇa. Caso contrário, a sociedade está condenada; vai para o inferno. E, quando tais canalhas estão à frente do governo, como pode haver paz? Como vocês podem esperar paz numa sociedade de cães? Os cães uivam por natureza — \"Au! Au! Au!\" — assim que veem outros cães. Então, querem dizer que haverá paz se transformarem a sociedade humana em sociedade de cães, em sociedade de gatos, em sociedade de tigres? O tigre é muito poderoso; pode matar muitos outros animais. Mas isso significa que ele é um animal muito importante? Não, ele não tem utilidade na sociedade. E agora somos muito poderosos, e temos boas armas com que lutar, e podemos matar muitas pessoas. Mas estas não são qualificações para homens bons ou uma boa sociedade.\n\n\n\nNão estamos destinados a fabricar uma sociedade de macacos ou tigres ou asnos — ou canalhas que trabalham muito duro. Querem dizer que uma sociedade de asnos obterá algum benefício da vida? Não.\n\n\n\nPara aqueles que desenvolveram atração por Kṛṣṇa, o apego pode ser desenvolvido. Antes da minha vinda ao Ocidente, não havia um movimento como esta consciência de Kṛṣṇa, mas agora está se desenvolvendo. Kṛṣṇa não nasceu no país de vocês; vocês não aceitam Kṛṣṇa como seu Deus religioso. Mas Kṛṣṇa é tão atraente que, embora vocês sejam estrangeiros, não são estrangeiros. Para Kṛṣṇa, vocês não são estrangeiros. Ele reclama todos. Nós O fazemos estrangeiro, mas isto é nossa tolice.\n\n\n\nNo *Gītā*, Kṛṣṇa diz: \"Meu querido Arjuna, há muitas formas e espécies de vida diferentes, indubitavelmente. Mas Eu sou o pai delas.\" Vejam só como Kṛṣṇa é universal. Está reclamando não apenas a sociedade humana, mas a sociedade animal, a sociedade dos pássaros, a sociedade das feras — todos. Ele diz: \"Eu sou o pai.\" Logo, como pode Kṛṣṇa ser estrangeiro? É uma invencionice mental. Eles dizem que Kṛṣṇa é indiano, ou que Kṛṣṇa é adorado pelos hindus e, por isso, é um dos Deuses hindus; e pensam que Kṛṣṇa está dizendo: \"Sim, Eu sou o Deus hindu. Sim, Eu sou indiano.\" Mas Ele é como o sol. Por que sol americano ou indiano? Nada é americano ou indiano; isto é tudo artificial.\n\n\n\n\"Este planeta pertence aos humanos, e nada mais.\" Este é o seu comunismo. Este comunismo atual é defeituoso, porque os russos dizem que a Rússia é para os russos ou que a China é para os chineses. Por que não para os outros? Pensem em termos de comunismo humano! Por que comunismo humano? Comunismo do ser vivo! Se vocês tomam este mundo como pertencente à sociedade humana, isso é defeituoso. Pertence a todos! Pertence à comunidade das árvores; pertence à comunidade das feras. Elas também têm o direito de viver. Por que vocês deveriam cortar as árvores? Por que deveriam mandar os touros ao matadouro? Isto é injustiça. Como vocês podem obter justiça praticando vocês mesmos a injustiça? Não temos consciência de Kṛṣṇa. Não sabemos que Kṛṣṇa é nosso pai original e que somos todos Seus filhos. A árvore é meu irmão, a formiga é meu irmão, o touro é meu irmão. O americano é meu irmão, o indiano é meu irmão, o chinês é meu irmão. Por isso, temos de desenvolver a consciência de Kṛṣṇa. Falamos todo este disparate de fraternidade universal e Nações Unidas — tudo disparate. Ou reconhecem o Pai, ou então não têm ideia de como perceber a fraternidade ou a humanidade. Por isso, vêm falando há anos e anos. São os mesmos tolos. Não conseguem ver a ONU? Têm sede em Nova York. Estão simplesmente falando disparate, e nada mais. Esta é a tarefa deles. Logo, a menos que haja plena consciência de Kṛṣṇa, não pode haver nenhuma melhora na condição mundial.\n\n\n\nKṛṣṇa diz que vocês têm de desenvolver seu apego por Ele. Comecem pelo começo, mas vocês podem fazê-lo; não é artificial. Tenho aqui uns poucos estudantes sinceros, apenas se desenvolvendo; não estão completos, mas estão desenvolvendo apego por Kṛṣṇa. Caso contrário, por que deveriam desperdiçar seu tempo cantando Hare Kṛṣṇa? Estão fazendo-o, e isso pode ser feito. Vocês podem desenvolver amor por qualquer coisa, se se esforçarem por isso. Mas o desenvolvimento por Kṛṣṇa é muito natural. Pois Kṛṣṇa não é uma coisa pertencente a um tipo particular de religião ou seita. Kṛṣṇa reclama: \"Eu pertenço a todos.\" Por isso, originalmente, todos nós estamos ligados a Kṛṣṇa; mas simplesmente esquecemo-nos. Este processo de cantar destina-se a evocar sua lembrança de Kṛṣṇa. Não é que estejamos introduzindo algo artificialmente em vocês. Não, Kṛṣṇa já está ligado a vocês, mas vocês esqueceram. E estamos tentando dar-lhes o processo para reviver sua consciência original. Assim, vocês podem vir ao nosso templo; este é o começo. Podem ver Kṛṣṇa ou os devotos de Kṛṣṇa, e podem cantar Hare Kṛṣṇa.\n\n\n\nKṛṣṇa não é diferente de Seu nome, pois Ele é absoluto. Não é diferente de Suas palavras. O nome Kṛṣṇa e a pessoa Kṛṣṇa não são diferentes. Pois tudo é Kṛṣṇa.\n\n\n\nA unicidade, a filosofia do monismo ou do panteísmo, é imperfeita. Quando essa unicidade vem em compreender Kṛṣṇa, isso é perfeição. Se Kṛṣṇa é a Suprema Verdade Absoluta da qual tudo está emanando, então tudo é Kṛṣṇa. Tal como vocês têm uma mina de ouro e estão preparando tantos utensílios e ornamentos de ouro e muitas outras coisas. Mas todos são ouro, porque o original é ouro. Logo, vocês podem chamá-lo de \"brinco\", mas têm de acrescentar \"ouro\" — brinco de ouro. Podem chamá-lo de \"colar\", mas é ouro, pois originalmente veio da mina de ouro. De modo semelhante, originalmente, tudo está vindo de Kṛṣṇa.\n\n\n\nSe Ele é o Supremo, a Verdade Absoluta, então nada é diferente dEle. Tal como, quer vocês digam brinco ou colar ou bracelete ou relógio de pulso, são todos feitos de ouro, e, por isso, são ouro. Mas, ao mesmo tempo, vocês não podem dizer que tudo isto é ouro — devem dizer: \"Este é um colar de ouro. Este é um brinco de ouro.\" O māyāvādī, ou impersonalista, dirá que tudo é Brahman. Mas \"tudo é Brahman\" não está correto.\n\n\n\nIsto é muito bem explicado no *Gītā*, no Décimo Terceiro Capítulo: \"Estou expandido por toda parte. Este é Meu aspecto impessoal.\" Kṛṣṇa está em toda parte em Seu aspecto impessoal, mas, ainda assim, é uma pessoa. O filósofo māyāvādī pensa que, se Kṛṣṇa Se tornou tudo, então onde está a possibilidade de Kṛṣṇa aqui, separadamente? Isto é completa canalhice, pois é pensar de maneira material. Não há conhecimento espiritual.\n\n\n\nÀ maneira material, suponhamos que vocês peguem um pedaço de papel e o despedacem em partículas e o joguem por toda parte. O papel original não tem mais existência. Isto é material. Mas obtemos informação dos *Vedas* de que a Verdade Absoluta é tão perfeita que, se vocês tirarem o todo, ainda assim o todo permanece. Um menos um é igual a um. A maneira material de pensar é um menos um igual a zero; mas espiritualmente não é assim. Espiritualmente, um menos um é igual a um, e um mais um também é igual a um.\n\n\n\nKṛṣṇa é tudo. Os māyāvādīs, os impersonalistas, veem nossas Deidades aqui e dizem: \"Oh, eles instalaram algumas formas de madeira, e as estão adorando como Deus.\" Mas quem conhece a ciência de Kṛṣṇa compreende que Kṛṣṇa é tudo e, portanto, pode aparecer em tudo. Com a eletricidade, a corrente está em toda parte ao longo da linha, de modo que, onde quer que vocês toquem, vocês a sentirão. De modo semelhante, a corrente de Kṛṣṇa em Sua forma impessoal está em toda parte, e é o técnico quem sabe como usar a força. Antes de instalarmos um telefone, temos uma conversa telefônica e simplesmente informamos a pessoa, antes mesmo de falarmos de dinheiro, que ela deve vir imediatamente para descobrir onde a ligação pode ser feita. E ela vem e faz seu trabalho; e nós não notamos, pois ela conhece a técnica. Assim, é preciso saber como conectar-se com Kṛṣṇa. Kṛṣṇa está em toda parte — isto é consciência de Kṛṣṇa. Mas é preciso saber como se pode obter Kṛṣṇa a partir dos aspectos da forma de Kṛṣṇa em madeira, ferro ou metal.\n\n\n\nVocês têm de aprender como contatar Kṛṣṇa em toda parte, em tudo. Isso é explicado no sistema de yoga. A consciência de Kṛṣṇa é também yoga, o yoga perfeito, o mais elevado de todos os sistemas de yoga. Um yogī pode vir, e podemos desafiá-lo, dizendo que este é o mais elevado sistema de yoga, embora, ao mesmo tempo, seja muito simples. Vocês não precisam exercitar seu corpo por um período de semanas antes de sentirem algum poder. Mas, na consciência de Kṛṣṇa, vocês não se sentirão cansados. Todos os nossos estudantes estão simplesmente ansiosos por estarem sobrecarregados de trabalho na consciência de Kṛṣṇa. \"Prabhupāda, o que posso fazer?\" E estão realmente fazendo. No mundo material, se vocês trabalharem por algum tempo, sentir-se-ão fracos.\n\n\n\nNaturalmente, não estou me exercitando. Sou um velho de setenta e dois anos. Eu estava doente, voltei à Índia; mas quero trabalhar. Na verdade, eu poderia me aposentar de todas estas atividades, mas, na medida do possível, quero trabalhar; quero aprender dia e noite. À noite, trabalharei com o ditafone, e sinto muito se não puder trabalhar. Isto é consciência de Kṛṣṇa. É preciso estar muito ansioso por trabalhar. Não é uma sociedade ociosa. Não, temos ocupações suficientes: editar jornais, vender jornais.\n\n\n\nSimplesmente descubram quão conscientes de Kṛṣṇa vocês podem ser. Se querem estar realmente em paz, se querem ser felizes, então desenvolvam a consciência de Kṛṣṇa. E o começo é desenvolver apego por Kṛṣṇa. O processo que prescrevemos é cantar e dançar diante das Deidades e oferecer prasādam, o alimento espiritual. Isto os tornará mais conscientes de Kṛṣṇa.\n\n\n\nO sistema de yoga, conforme descrito no *Bhagavad-gītā*, é diferente do sistema de yoga espúrio que está acontecendo no Ocidente nestes dias. Os sistemas de yoga que foram introduzidos no Ocidente pelos chamados yogīs não são genuínos. O yoga é difícil: a primeira coisa é controlar os sentidos. Esta é a posição do yogī: não lhe é permitido entregar-se à vida sexual. Se vocês se entregam à intoxicação, se se entregam ao consumo de carne, e se se entregam ao jogo e ao esporte — todo disparate —, não podem, ao mesmo tempo, tornar-se yogī. Fiquei perplexo quando um yogī veio aqui, tendo anunciado na Índia que vocês podem ser yogī mesmo que sejam viciados em bebida. Este não é o sistema de yoga. Este não é o padrão. Vocês podem chamá-lo de yoga, mas não é o sistema de yoga padrão.\n\n\n\nO sistema de yoga é especialmente difícil para esta era. No *Śrīmad-Bhāgavatam* compreendemos que yoga significa concentrar sua atenção no Superser, Viṣṇu. Ele está situado em seu coração. E, a fim de concentrar sua atenção, vocês têm de controlar os sentidos. Os sentidos estão funcionando tal como cavalos enfurecidos. Se vocês não conseguem controlar os cavalos de sua carruagem, será perigoso. Imaginem apenas que vocês estão sentados numa carruagem e seus cavalos estão tão furiosos que os estão arrastando para o inferno. Então, qual é sua posição? O sistema de yoga significa controlar estes sentidos. Os sentidos são também comparados a serpentes: A serpente não sabe quem é seu amigo e quem é seu inimigo. Morde a qualquer um. E, tão logo a serpente morda, o resultado é a morte. De modo semelhante, se os sentidos descontrolados funcionam à sua própria maneira, então vocês devem saber que estão numa posição perigosa.\n\n\n\nDiz-se que, quando alguém se torna demasiado sensual, perde a calma, perde sua identidade, esquece-se de si mesmo. Enfurecido pelos sentidos, um homem atacará até mesmo seus próprios filhos, até mesmo sua filha. Por isso, para aqueles que estão avançando na vida espiritual — não só para eles, mas para todos —, os śāstras, as escrituras, dizem que não se deve sentar num lugar isolado nem mesmo com a própria mãe, nem mesmo com a filha ou a irmã. Por quê? Porque os sentidos são tão fortes que, se ficam enfurecidos, vocês esquecerão se ela é mãe, irmã ou filha.\n\n\n\nVocês podem dizer que isto pode ser verdade apenas para algumas pessoas tolas, mas o śāstra diz que não — vocês não devem sentar-se num lugar isolado nem mesmo com a mãe, irmã ou filha, pois os sentidos são tão fortes que, mesmo que vocês sejam muito morais, ainda podem ser atraídos pelo sexo.\n\n\n\nNossa posição neste mundo, nosso sofrimento neste mundo, deve-se ao corpo. Este corpo é a causa de todas as misérias, e o objetivo último da vida deve ser sair deste corpo material e situar-se no corpo espiritual. Esta é uma atmosfera estrangeira. A alma é livre espiritualmente, mas foi condicionada por esta atmosfera material. E o corpo é desta matéria.\n\n\n\nUm ser humano está apto a indagar se é este corpo ou alguma outra coisa. Isto pode ser compreendido muito facilmente. Eu não sou este corpo, pois, na hora da morte, o corpo permanece — embora todos chorem: \"Oh, o pobre homem se foi!\" O homem está deitado ali. Por que vocês dizem que ele se foi? Está deitado ali! Nesse momento, podemos chegar à razão: o corpo não é o homem. O verdadeiro homem se foi. O corpo de infância muda-se para o corpo de juventude, e o corpo de infância se foi. De modo semelhante, quando o corpo de meninice se for, vocês terão de aceitar um corpo como o meu, o corpo de um velho. O corpo está mudando. Não só ano após ano, mas a cada segundo o corpo está mudando. Ainda assim, vocês estão situados ali. Isto é muito simples de compreender. E, porque o corpo está aí, estamos sofrendo. Todos estão tentando sair do sofrimento, em qualquer campo de ação; no campo econômico, no campo político ou em qualquer campo de atividade, social ou nacional, todos estão tentando sair da miséria. Não há nenhuma outra atividade. Quer nacional ou socialmente, individual ou coletivamente, todos estamos sofrendo; e este sofrimento se deve ao corpo.\n\n\n\nYoga significa indagar. O que sou eu? Se não sou este corpo, então o que sou eu? Sou alma pura. Ora, se minhas atividades corporais ou atividades sensuais são incorretas, eu não serei capaz de compreender-me — o que sou — e o *Bhagavad-gītā* diz que somos todos grandes tolos. Por que tolos? Pelo fato de termos este corpo, somos tolos. Se alguém o convida para vir ao seu apartamento, mas você sabe que ele está cheio de perigos, acha que gostaria de ir até lá? \"Oh, não\", você dirá, \"não vou para lá. Se está cheio de perigos, por que devo ir?\" De modo semelhante, você não acha que o corpo está cheio de perigos? Então, por que está indo para lá, aceitando repetidos nascimentos? Quando você está voando num avião, está sempre receoso de que possa haver uma queda. E o que é essa queda? Deve-se ao corpo. A alma não pode ser afetada por quedas. Mas você está sempre com medo.\n\n\n\nA alma sempre existe, e o corpo não existirá. E, como você existe e a alma aceitou o corpo não existente, por isso você sofre.\n\n\n\nO problema, então, é como sair, assim como você tenta sair de uma febre. A condição febril não é sua vida permanente. Vida permanente é desfrute, mas, devido à febre, você não pode desfrutar a vida. Quando está doente, não pode sair; tem de descansar e tomar tantos medicamentos e fórmulas. Mas não queremos isso — \"Por que devo ser uma pessoa doente?\" Mas você está doente. De modo semelhante, devemos sempre saber que este estágio condicional corporal da alma pura é uma condição enferma. E qualquer um que não saiba que está sofrendo de doença é um tolo. Ele é o Tolo Número Um.\n\n\n\nO śāstra diz que todos nascem tolos: porque tem este corpo, por isso ele nasceu tolo. Nenhum ser, seja americano ou indiano, gato ou cão, está livre disso. Vocês chegaram à doença, e nada mais. Se sentem: \"Eu sou americano\", isso é uma espécie de doença; se sentem: \"Eu sou indiano\", isso é também uma doença; se sentem: \"Eu sou um gato\", isso é uma doença. Vocês não são gato, não são cão, não são indiano, não são branco, não são preto. Vocês são sua alma — esta é sua identidade! E aquele que não compreende esta verdade, que \"eu sou alma pura\", é derrotado em todas as suas atividades.\n\n\n\nO Senhor Jesus Cristo ensinou assim: Se vocês perdem sua alma e ganham o mundo inteiro, o que ganham? As pessoas não sabem o que são, e, ainda assim, trabalham tal como loucos. Vejam só, todas estas pessoas estão trabalhando, e são loucos. Não são americanos, nem indianos, alemães ou japoneses. Não são nada disso. Receberam uma chance de vir a este lugar travesso, esta Terra; e, então, tendo nascido num lugar particular, têm um tipo particular de corpo — e estão loucos por ele.\n\n\n\nO *Bhagavad-gītā* diz que, assim como nossas vestes externas são trocadas, assim este corpo é trocado. Yoga significa o processo de sair desta encarnação material. Assim como vocês estão repetindo trocas de roupa, assim estão repetindo nascimento e morte, e esta é a causa de suas misérias. Se vocês não compreendem isso, então todas as suas atividades terminam em derrota.\n\n\n\nYoga significa sair desta encarnação, e significa conhecer-se a si mesmo. Este corpo nasce dos pais. De modo semelhante, como alma pura, vocês são também a fonte de seu nascimento. Não queremos dizer um nascimento que comece historicamente a partir de um certo dia e termine num certo dia. Não; a alma não é assim — não tem começo, e não tem fim. Mas, no *Bhagavad-gītā*, diz-se que a alma é parte integrante de Deus. Deus é eterno, Deus é pleno de alegria e bem-aventurança. A posição da Pessoa Absoluta, Deus, é que Ele é pleno de bem-aventurança, eterno, e pleno de conhecimento. E, porque também somos parte integrante do Supremo, temos bem-aventurança e eternidade parciais, e somos plenos de conhecimento, segundo nosso tamanho infinitesimal.\n\n\n\nOs seres humanos são compreendidos como os mais inteligentes de todas as criaturas vivas, mas estão usando mal sua inteligência. Como? Estão usando mal sua inteligência devotando-a às propensões animais. Estas propensões animais são comer, dormir, acasalar-se e temer. Vocês podem analisar a tendência da civilização moderna: todos estão ocupados com estes quatro princípios da vida animal. Estão dormindo e criando algumas almofadas para um sono confortável. Estão criando pratos palatáveis para a propensão de comer. Estão excitando o sexo muito bem, para a necessidade de acasalamento. E estão defendendo seu país com tantas bombas atômicas — esta é a propensão do medo.\n\n\n\nMas estes sintomas vocês encontrarão entre os animais. Eles também estão dormindo de acordo com suas próprias maneiras, e estão se defendendo. Podem não ter a bomba atômica, mas têm alguma maneira de defender-se. Vocês podem matar seu inimigo, ou ele pode matá-los, mas, de fato, não há defesa. Vocês não podem defender-se; onde quer que vocês larguem a bomba, ela os ferirá, devido à radiação nuclear. Logo, esta não é a solução para os seus problemas. A solução para os seus problemas é sair do estado condicionado de vida. Isto se chama yoga — ligar-se ao Supremo.\n\n\n\nExiste um Supremo. Esta criação material é tão bonita — vocês não acham que há um amigo por trás dela? O céu é tão belo, o alimento está sendo produzido, a lua está nascendo no momento devido, o sol está nascendo no momento devido, fornecendo calor para sua saúde, fornecendo calor aos sistemas planetários. Tudo está organizado muito bem; e, ainda assim, os tolos dizem que não há nenhum cérebro por trás disso, mas que tudo está acontecendo automaticamente.\n\n\n\nO fato é que existe Deus, Kṛṣṇa, e somos todos partes integrantes de Kṛṣṇa. Fomos condicionados de uma maneira ou de outra nesta atmosfera material. Mas agora temos esta forma humana de vida, e, então, temos de sair do enredamento. Mas sair não é possível. Vocês não podem sair do enredamento do corpo material a menos que desenvolvam sua consciência de Kṛṣṇa. A consciência de Kṛṣṇa não é artificial — não pensem isso. Esta é a maior necessidade do ser humano. A consciência de Kṛṣṇa, consciência de Deus, está aí dentro de vocês. Vocês não percebem, quando há uma execução de kīrtana, que, quanto mais inocente uma pessoa, mais cedo ela começa? Imediatamente, a criança começa a aplaudir, começa a dançar. Isto está dentro dela; e é muito simples, esta consciência de Kṛṣṇa.\n\n\n\nLogo, a menos que desenvolvam a consciência de Kṛṣṇa, não há resgate do enredamento da vida condicionada. Isto vocês têm de compreender. Isto não é nenhum sentimentalismo. Não, é uma grande ciência. Vocês têm de compreendê-la bem. Então a forma humana de vida será bem-sucedida; do contrário, será derrotada. Vocês podem tornar-se uma grande nação, mas essa não é a solução do problema da vida.\n\n\n\nPela graça de Kṛṣṇa, sou capaz de servi-los com a energia da minha vida. Deixei os Estados Unidos em 1967 com problemas de saúde; mas a vida e a morte — tudo — dependem de Kṛṣṇa. Pensei: \"Deixem-me voltar a Vṛndāvana, pois Vṛndāvana é um lugar santificado onde a consciência de Kṛṣṇa é muito forte.\" Pensei que poderia ir até lá e morrer em consciência de Kṛṣṇa. Naturalmente, se vocês estão sempre na atmosfera de consciência de Kṛṣṇa, então aqui também podem ter Vṛndāvana. Vṛndāvana não é um lugar particular que se chama Vṛndāvana. Kṛṣṇa diz: \"Não é que Eu viva no Reino de Deus, em Vaikuṇṭha; nem é que Eu viva no coração do yogī.\" O yogī quer descobrir onde Kṛṣṇa está dentro do coração. Mas Kṛṣṇa diz: \"Não estou na morada no céu espiritual, nem estou no coração do yogī.\" Então, onde Tu estás? Kṛṣṇa diz: \"Permaneço onde Meus devotos puros estão cantando Minhas glórias.\" Isso é Vṛndāvana.\n\n\n\nLogo, se isso é Vṛndāvana, então estou ali. Não há diferença. Onde quer que haja luz elétrica, há eletricidade. Compreende-se naturalmente. De modo semelhante, onde quer que haja consciência de Kṛṣṇa, ali é Vṛndāvana. Podemos criar Vṛndāvana pela misericórdia de Kṛṣṇa, se cantarmos Hare Kṛṣṇa. Aperfeiçoem esta consciência de Kṛṣṇa; tentem compreender a filosofia por trás dela. É uma ciência, não um engodo. Podemos falar de qualquer ângulo de visão.\n\n\n\nA consciência de Kṛṣṇa é a grande necessidade da sociedade humana. Aprendam-na e apreciem-na, compreendam-na e assimilem-na — e ensinem-na. É muito simples. Se vocês cantarem Hare Kṛṣṇa sem ofensas, tudo será revelado a partir de dentro, pois Kṛṣṇa está sentado dentro de vocês. Se vocês são fortes e têm fé e convicção em Kṛṣṇa, bem como no mestre espiritual, o veículo transparente para Kṛṣṇa, então Kṛṣṇa está ali. Os *Vedas* dizem que, se vocês têm fé implícita em Deus e fé implícita em seu guru genuíno, que lhes ensina a consciência de Kṛṣṇa, então o resultado será que todas as escrituras Védicas serão reveladas com autoridade.\n\n\n\nO processo é espiritual; não requer nenhuma qualificação material. Os especuladores que não são almas realizadas estão cobertos de ilusão e estão simplesmente desperdiçando seu tempo. O que quer que façam em sua aula oficial, permanecem os mesmos canalhas tolos. Mas nossos estudantes conscientes de Kṛṣṇa sentirão uma mudança em suas vidas, uma mudança em felicidade e uma mudança em juventude, também. Esta é a realidade.\n\n\n\nEu lhes peço, meus queridos jovens moças e rapazes, que levem a consciência de Kṛṣṇa muito a sério, e vocês serão felizes — sua vida será aperfeiçoada. Será a sublime adição à sua vida. Não é um engodo. Não viemos aqui para angariar algum dinheiro. O dinheiro é fornecido por Kṛṣṇa. Estou indo e vindo da Índia — não apenas eu, mas meus estudantes também. Para um homem rico haveria muitas despesas; tais viagens custariam dez mil dólares ou mais. Mas nosso negócio é Kṛṣṇa, e Ele fornecerá. Não sei de onde vem o dinheiro, mas Kṛṣṇa o fornece. Na consciência de Kṛṣṇa, vocês serão felizes. São a jovem geração; são a flor de seu país e de sua sociedade. Pratiquem este mais sublime sistema, a consciência de Kṛṣṇa. Sejam felizes e façam os outros felizes. Esta é a verdadeira missão da vida."}
{"ref": "ttp/5", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/5/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "5. Nossa Vida Real", "purport": "O *Bhagavad-gītā* diz que, dentre muitos milhares de seres humanos, talvez um tente fazer a perfeição de sua vida. O homem é um animal, mas possui uma prerrogativa especial: o pensamento racional. O que é esse pensamento racional? O poder de raciocínio, a argumentação. Ora, o poder de raciocínio existe igualmente em cães e gatos. Suponhamos que um cão se aproxime de você; se você disser: \"Sai!\", ele compreenderá. O cão compreenderá que você não o quer. Logo, ele tem algum poder de raciocínio. Mas qual é o poder de raciocínio especial do ser humano?\n\n\n\nNo que tange às necessidades corporais, o poder de raciocínio existe até mesmo no animal. Se uma gata quer roubar leite de sua cozinha, possui um poder de raciocínio muito apurado: fica sempre à espreita de quando o dono está fora, para então pegá-lo. Assim, para as quatro propensões da vida animal — comer, dormir, acasalar-se e defender-se —, há poder de raciocínio até mesmo nas bestas. Então, qual é o poder de raciocínio especial do ser humano, pelo qual ele é chamado animal racional?\n\n\n\nO poder de raciocínio especial é indagar: \"Por que estou sofrendo?\" Este é o raciocínio especial. Os animais sofrem, mas não sabem como remediar o sofrimento. Os seres humanos, porém, realizam avanço científico e avanço filosófico, avanço cultural, avanço religioso — progresso em tantas linhas — porque querem ser felizes. \"Onde está o ponto da felicidade?\" Este poder de raciocínio é especialmente concedido ao ser humano. Por isso, no *Gītā*, Kṛṣṇa diz: \"Dentre tantos homens, um pode conhecer-Me.\"\n\n\n\nGeralmente, as pessoas são tal como animais. Simplesmente não sabem nada além das necessidades do corpo: como comer, como dormir, como acasalar-se e como defender-se. E o *Bhagavad-gītā* diz que, dentre muitos milhares, alguém pode desenvolver este poder de raciocínio: \"Por que estou sofrendo?\" Faz esta pergunta: \"Por que estou sofrendo?\" Não queremos sofrer, mas o sofrimento nos é imposto. Não queremos frio demais, mas frio demais e calor demais nos são impostos.\n\n\n\nQuando surge algum impulso para despertar este poder de raciocínio, isto se chama brahma jijñāsā. Isto se encontra no *Vedānta-sūtra*. O primeiro verso diz que, agora, esta forma humana de vida destina-se a indagar como resolver o problema do sofrimento.\n\n\n\nAssim, Kṛṣṇa diz que esta prerrogativa especial do ser humano não desperta muito facilmente, exceto por meio de alguma boa associação. Tal como temos esta associação consciente de Kṛṣṇa. Se obtivermos tal associação, onde coisas elevadas são discutidas, então virá esse despertar da razão, essa prerrogativa especial do ser humano. Enquanto esta pergunta não surgir na mente de alguém, ele deve compreender que quaisquer atividades que esteja realizando hão de conduzi-lo à sua derrota. Está simplesmente levando uma vida animal. A situação muda quando estas perguntas surgem: Por que estou sofrendo? O que sou eu? Estou destinado ao sofrimento? Estou destinado a problemas?\n\n\n\nPasso por problemas pelas leis da natureza e pelas leis do estado. A questão da liberdade, portanto, é como ficar livre de todos esses problemas. O *Vedānta-sūtra* também diz que a alma, meu verdadeiro eu, é, por natureza, alegre. Ainda assim, estou sofrendo. O Senhor Kṛṣṇa diz, ademais, que, quando estas perguntas surgem, gradualmente a pessoa chega a Deus. Diz-se que aqueles que despertaram para estas perguntas estão na senda da perfeição. E, quando vem a questão de Deus e de nossa relação com Deus, essa é a perfeição final de nossa vida.\n\n\n\nOra, Kṛṣṇa diz que, dentre muitos milhares de pessoas, uma pode tentar fazer a perfeição desta vida; e, dentre muitos milhões de tais pessoas na senda da perfeição, apenas uma pode compreender Kṛṣṇa. Logo, compreender Kṛṣṇa não é muito fácil. Mas é também o mais fácil. Não é fácil, mas, ao mesmo tempo, é o mais fácil. É o mais fácil se vocês seguirem as formas prescritas.\n\n\n\nO Senhor Caitanya Mahāprabhu introduziu este cantar de Hare Kṛṣṇa. Ele não o introduziu exatamente; já consta das escrituras. Mas Ele propagou especialmente esta fórmula. Nesta era, este é o método mais fácil de autorrealização. Simplesmente cantem Hare Kṛṣṇa. Pode ser feito por todos. Em minha sala de aula, sou talvez o único indiano. Meus estudantes são todos americanos, e tomam parte no cantar muito bem, cantando e dançando. Isso significa que, em qualquer país, em qualquer lugar, isto pode ser executado. Por isso, é o mais fácil. Vocês podem não compreender a filosofia do *Bhagavad-gītā*. Isso tampouco é muito difícil; mas, ainda assim, se vocês pensam que não conseguem compreender, podem cantar muito facilmente: Hare Kṛṣṇa, Hare Kṛṣṇa.\n\n\n\nSe quisermos compreender Deus, Kṛṣṇa, este é o começo. O começo mais fácil — simplesmente cantar. Ora, há muitos estudantes da minha instituição ISKCON. Esta instituição está aberta há pouco mais de um ano; mas alguns dos estudantes, simplesmente cantando, pela graça de Kṛṣṇa, avançaram de tal modo que conseguem falar sobre a ciência de Deus, e responderão muito facilmente àquelas perguntas humanas. Assim, este é o método mais fácil de meditação transcendental.\n\n\n\nKṛṣṇa diz que, dentre muitos milhões de pessoas, uma pode compreendê-Lo. Mas, pelo cantar deste Hare Kṛṣṇa, conforme introduzido pelo Senhor Caitanya — cantando e dançando —, vocês podem compreender Kṛṣṇa em muito pouco tempo. O conhecimento começa não a partir de Kṛṣṇa, mas a partir de coisas que estamos acostumados a ver todos os dias.\n\n\n\nA terra é grosseira. Se vocês a tocam, podem sentir sua dureza. Mas, tão logo a terra se torne ainda mais fina, é água, e o toque é macio. E, em seguida, da água ao fogo, ainda mais fino. Depois do fogo ou da eletricidade, o ar é ainda mais fino; e, depois do ar, o céu, o éter, é ainda mais fino. Além do éter, a mente é ainda mais fina; e, além da mente, a inteligência é ainda mais fina. E, se vocês forem além da inteligência para compreender a alma, ela é ainda mais fina. A partir destes elementos, as pessoas descobriram tantas ciências. Há muitos cientistas, por exemplo, que são especialistas em solos; analisando um tipo particular de terra, podem dizer que espécie de minerais ali se encontram. Alguém busca prata, alguém busca ouro, alguém busca mica. Isto é o conhecimento das coisas grosseiras — a terra. Se vocês forem a substâncias mais finas, então estudarão a água ou coisas líquidas, como gasolina e álcool. Indo ainda mais fino, da água vocês passarão ao fogo e à eletricidade. Se estudarem eletricidade, terão de estudar todo tipo de livros. E, deste fogo mais fino, vocês chegarão ao ar. Temos tanto avanço em nossos aviões; estudamos como eles se movem, como são feitos — agora foguetes e jatos — e tantas coisas estão sendo descobertas.\n\n\n\nA seguir, vem o estudo do etéreo: a eletrônica, as transformações etéreas de uma coisa em outra. Então, ainda mais fina, é a mente — a psicologia e a psiquiatria. Mas, quanto à inteligência, ao racionalismo, há apenas uma pequena especulação filosófica. E quanto à alma? Existe alguma ciência da alma? Os materialistas não têm nenhuma. A ciência material avançou até o estudo do éter, ou da mente e da inteligência, mas não há nenhum avanço além disso. Além da inteligência, eles não sabem o que existe. Mas aqui, no *Bhagavad-gītā*, vocês podem encontrar isto.\n\n\n\nO *Bhagavad-gītā* começa no ponto que vem após a inteligência. Quando Arjuna ficou perplexo no início, foi sua inteligência que ficou perplexa — se devia lutar ou não lutar. Kṛṣṇa começa o *Gītā* a partir do ponto em que a inteligência falha. Como começa o conhecimento da alma? É exatamente como uma criança que brinca. Vocês podem compreender que o corpo desta criança é agora muito pequeno, mas, um dia, esta criança será adulta, como vocês ou eu. A mesma alma, porém, continuará. Logo, pela inteligência, vocês podem compreender que, embora o corpo seja mudado, a alma permanece ali. A mesma alma que existia no corpo da criança continua no corpo do velho. Por isso, a alma é permanente, e apenas o corpo foi mudado. Esta é uma coisa muito fácil de compreender. E a última mudança deste corpo é a morte. Assim como a cada momento, a cada segundo, a cada dia, a cada hora, o corpo está mudando, assim também a última mudança é quando a pessoa já não pode agir com o corpo e, então, tem de aceitar outro. Tal como, quando minha roupa está demasiado gasta ou velha, não posso vesti-la; tenho de pegar uma roupa nova. Algo semelhante ocorre com a alma. Quando o corpo está demasiado velho ou inoperante, tenho de mudar para outro corpo. Isto se chama morte.\n\n\n\nEste é o começo do *Bhagavad-gītā*, quando está presente o conhecimento preliminar da alma. E vocês descobrirão que há apenas alguns poucos capazes de compreender a existência da alma como permanente e a do corpo como mutável. Por isso, Bhagavān, o Senhor Kṛṣṇa, diz que, dentre muitos, muitos milhões de pessoas, uma pode compreendê-la. Mas, ainda assim, o conhecimento está ali. Se vocês quiserem compreendê-lo, não é difícil. Vocês podem compreendê-lo.\n\n\n\nOra, devemos indagar sobre a existência do ego, a mais fina substância material. O que é o ego? Eu sou alma pura, mas, com minha inteligência e minha mente, estou em contato com a matéria, e identifiquei-me com a matéria. Este é o ego falso. Eu sou alma pura, mas estou me identificando falsamente. Por exemplo, estou me identificando com a terra, pensando que sou indiano ou que sou americano. Isto se chama ahaṅkāra. Ahaṅkāra significa o ponto em que a alma pura toca a matéria. Esse ponto de junção se chama ahaṅkāra. O ahaṅkāra é ainda mais fino do que a inteligência.\n\n\n\nKṛṣṇa diz que estes são os oito elementos materiais: terra, água, fogo, ar, éter, mente, inteligência e ego falso. Ego falso significa identificação falsa. Nossa vida nesciente começou desta identificação falsa — pensar que sou esta matéria, embora veja todos os dias, a cada momento, que não sou esta matéria. A alma existe permanentemente, ao passo que a matéria está mudando. Este equívoco, esta ilusão, chama-se ahaṅkāra, ego falso. E sua liberação significa quando vocês estão fora deste ego falso. Qual é esse status? Ahaṁ brahmāsmi. Eu sou Brahman, eu sou espírito. Este é o começo da liberação.\n\n\n\nNaturalmente, alguém pode estar sofrendo de uma doença, de febre, e a temperatura pode baixar até o normal, 36,8 graus. Logo, ele está agora normal, mas essa não é a cura. Suponhamos que, por dois dias, mantenha temperatura de 36,8 graus, mas, com uma ligeira mudança de dieta, uma ligeira mudança de comportamento, a temperatura sobe imediatamente para 38. Recaída. De modo semelhante, simplesmente purificar a mente, rejeitando esta falsa identificação ahaṅkāra — eu não sou este corpo, não sou esta matéria; sou alma —, isto não é liberação. É apenas o começo da liberação. Se vocês se mantiverem firmes neste ponto e continuarem — assim como poderiam continuar suas atividades e manter sua temperatura em 36,8 graus —, então vocês são um homem saudável.\n\n\n\nPor exemplo, no Ocidente há agora certa propaganda em favor de entregar-se à intoxicação. As pessoas querem esquecer a existência corporal. Mas por quanto tempo vocês esquecerão? Haverá uma recaída. Vocês podem esquecer por uma hora ou duas, pela intoxicação, e pensar que não sou este corpo. Mas, a menos que estejam efetivamente na plataforma de compreender a si mesmos mediante o conhecimento, não é possível continuar. Ainda assim, todos tentam pensar: \"Eu não sou este corpo.\" Têm a experiência de que sofrem tanto por conta da identificação corporal e, por isso: \"Se ao menos eu pudesse esquecer minha identificação corporal!\"\n\n\n\nEsta é apenas uma concepção negativa. Quando vocês efetivamente se realizam, simplesmente compreender que vocês são Brahman não bastará. Vocês têm de ocupar-se nas atividades do Brahman. De outro modo, vocês cairão. Simplesmente voar muito alto não é solução para o problema de ir à Lua. Hoje em dia, os tolos tentam ir à Lua, mas simplesmente sobem 240.000 milhas a partir da Terra, tocam a Lua e retornam. Estão muito orgulhosos. Há tanta conversa sobre aeronáutica: multidões, reuniões e conferências. Mas o que eles fizeram? O que são 240.000 milhas naquele vasto céu? Mesmo que vocês percorram 240 milhões de milhas, ainda estarão limitados. Logo, isto não basta. Se vocês quiserem ir alto, devem ter um abrigo permanente. Se puderem descansar ali, então não poderão cair. Mas, se não têm descanso, terão de cair. O avião sobe alto, sete milhas, oito milhas a partir da terra, mas desce imediatamente.\n\n\n\nAssim sendo, simplesmente compreender o ahaṅkāra não significa mais do que compreender a identificação falsa. Simplesmente compreender que não sou matéria, sou alma, não é perfeição. O impersonalista, o filósofo do vazio, simplesmente pensa no negativo: que não sou esta matéria, não sou este corpo. Isso não permanecerá. Vocês têm não apenas de perceber que não são matéria, mas têm de ocupar-se no mundo espiritual. E esse mundo espiritual significa atuar em consciência de Kṛṣṇa. Esse mundo espiritual, esse funcionamento de nossa vida real, é a consciência de Kṛṣṇa.\n\n\n\nO ego falso eu já expliquei. Não é nem matéria nem espírito, mas a junção — onde a alma espiritual entra em contato com a matéria e se esquece de si mesma. É tal como, no delírio, um homem está doente e seu cérebro se confunde, e gradualmente ele se esquece de si e se torna um louco. Vai esquecendo aos poucos. Há, então, o começo da perda, e há um ponto em que ele se esquece. Esse ponto inicial chama-se ahaṅkāra, ou ego falso.\n\n\n\nCantar o mahā-mantra — Hare Kṛṣṇa, Hare Kṛṣṇa, Kṛṣṇa Kṛṣṇa, Hare Hare/ Hare Rāma, Hare Rāma, Rāma Rāma, Hare Hare — é o processo não meramente de pôr fim a este falso conceito do eu, mas que vai além disso, ao ponto em que a alma espiritual pura se ocupa em suas atividades eternas, bem-aventuradas e oniscientes no amoroso serviço a Deus. Esta é a culminância do desenvolvimento consciente, o objetivo último de todas as entidades vivas que agora evoluem pelos ciclos e espécies da natureza material."}
{"ref": "ttp/6", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/6/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "6. O Mantra Hare Kṛṣṇa", "purport": "A vibração transcendental estabelecida pelo cantar de Hare Kṛṣṇa, Hare Kṛṣṇa, Kṛṣṇa Kṛṣṇa, Hare Hare/ Hare Rāma, Hare Rāma, Rāma Rāma, Hare Hare é o método sublime para reviver nossa consciência transcendental. Como almas espirituais vivas, somos todos originalmente entidades conscientes de Kṛṣṇa, mas, devido à nossa associação com a matéria desde tempos imemoriais, nossa consciência está agora adulterada pela atmosfera material. A atmosfera material em que vivemos agora chama-se māyā, ou ilusão. Māyā significa aquilo que não é. E o que é esta ilusão? A ilusão é que todos tentamos ser senhores da natureza material, ao passo que, na verdade, estamos sob o jugo de suas estritas leis. Quando um servo tenta artificialmente imitar o todo-poderoso mestre, isto se chama ilusão. Tentamos explorar os recursos da natureza material, mas, na verdade, ficamos cada vez mais enredados em suas complexidades. Por isso, embora estejamos empenhados numa árdua luta para conquistar a natureza, somos cada vez mais dependentes dela. Esta luta ilusória contra a natureza material pode ser interrompida de imediato pelo renascimento de nossa eterna consciência de Kṛṣṇa.\n\n\n\nHare Kṛṣṇa, Hare Kṛṣṇa, Kṛṣṇa Kṛṣṇa, Hare Hare é o processo transcendental para reviver esta consciência pura original. Cantando esta vibração transcendental, podemos limpar todas as ansiedades dentro de nossos corações. O princípio básico de todas estas ansiedades é a consciência falsa de que sou o senhor de tudo o que contemplo.\n\n\n\nA consciência de Kṛṣṇa não é uma imposição artificial à mente. Esta consciência é a energia natural original da entidade viva. Quando ouvimos a vibração transcendental, esta consciência é revivida. Este método, o mais simples de meditação, é recomendado para esta era. Pela experiência prática também, pode-se perceber que, cantando este mahā-mantra, ou o Grande Cantar para a Libertação, sente-se de imediato um êxtase transcendental vindo do estrato espiritual. No conceito material da vida, estamos ocupados na questão da gratificação dos sentidos, como se estivéssemos no estágio animal inferior. Um pouco elevada acima deste status de gratificação dos sentidos, a pessoa se ocupa na especulação mental com o propósito de sair das garras materiais. Um pouco elevada acima deste status especulativo, quando alguém é inteligente o bastante, procura descobrir a causa suprema de todas as causas — dentro e fora. E quando alguém está factualmente no plano da compreensão espiritual, superando os estágios dos sentidos, da mente e da inteligência, está, então, no plano transcendental. Este cantar do mantra Hare Kṛṣṇa é executado a partir da plataforma espiritual e, dessa forma, esta vibração sonora supera todos os estratos inferiores da consciência — a saber, o sensual, o mental e o intelectual. Não há necessidade, portanto, de compreender a língua do mantra, nem há qualquer necessidade de especulação mental ou de ajuste intelectual para cantar este mahā-mantra. É algo automático, a partir da plataforma espiritual e, como tal, qualquer um pode tomar parte em vibrar este som transcendental sem qualquer qualificação prévia. Em um estágio mais avançado, naturalmente, espera-se que a pessoa não cometa ofensas com base na compreensão espiritual.\n\n\n\nNo início, pode não estar presente a totalidade dos êxtases transcendentais, que são oito em número. São eles: (1) ficar estancado como mudo, (2) transpiração, (3) arrepio dos pelos do corpo, (4) deslocamento da voz, (5) tremor, (6) desfalecimento do corpo, (7) chorar em êxtase, e (8) transe. Mas não há dúvida de que cantar por algum tempo conduz a pessoa imediatamente à plataforma espiritual, e ela demonstra o primeiro sintoma disto no ímpeto de dançar ao som do cantar do mantra. Vimos isto na prática. Mesmo uma criança pode tomar parte no cantar e na dança. Naturalmente, para alguém demasiado enredado na vida material, leva-se um pouco mais de tempo para chegar ao ponto padrão, mas mesmo um homem tão absorto na matéria é elevado à plataforma espiritual muito rapidamente. Quando é cantado por um devoto puro do Senhor, com amor, tem a maior eficácia sobre os ouvintes e, como tal, este cantar deve ser ouvido dos lábios de um devoto puro do Senhor, para que se obtenham efeitos imediatos. Na medida do possível, deve-se evitar o cantar a partir dos lábios de não-devotos. O leite tocado pelos lábios de uma serpente tem efeitos venenosos.\n\n\n\nA palavra Harā é a forma de tratamento da energia do Senhor, e as palavras Kṛṣṇa e Rāma são formas de tratamento do próprio Senhor. Tanto Kṛṣṇa como Rāma significam o prazer supremo, e Harā é a energia do prazer supremo do Senhor, transformada em Hare (Há-rê) no vocativo. A energia do prazer supremo do Senhor nos ajuda a alcançar o Senhor.\n\n\n\nA energia material, chamada māyā, é também uma das multienergias do Senhor. E nós, as entidades vivas, somos também a energia, a energia marginal, do Senhor. As entidades vivas são descritas como superiores à energia material. Quando a energia superior está em contato com a energia inferior, surge uma situação incompatível; mas, quando a energia marginal superior está em contato com a energia superior, chamada Harā, fica estabelecida em sua condição feliz e normal.\n\n\n\nEstas três palavras, a saber, Harā, Kṛṣṇa e Rāma, são as sementes transcendentais do mahā-mantra. O cantar é um chamado espiritual ao Senhor e a Sua energia, para que se dê proteção à alma condicionada. Este cantar é exatamente como o choro genuíno de uma criança pela presença de sua mãe. Mãe Harā ajuda o devoto a alcançar a graça do Pai, o Senhor, e o Senhor Se revela ao devoto que canta sinceramente este mantra.\n\n\n\nNenhum outro meio de realização espiritual é tão eficaz nesta era de disputa e hipocrisia quanto o mahā-mantra: Hare Kṛṣṇa, Hare Kṛṣṇa, Kṛṣṇa Kṛṣṇa, Hare Hare/ Hare Rāma, Hare Rāma, Rāma Rāma, Hare Hare."}
{"ref": "ttp/7", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/7/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "7. Como Funciona o Bhakti-yoga", "purport": "No *Bhagavad-gītā*, Kṛṣṇa diz a Seu discípulo Arjuna: \"Estou revelando-te uma parte muito confidencial do conhecimento, pois és Meu querido amigo.\" Como se afirma no Quarto Capítulo, o *Bhagavad-gītā* é falado a Arjuna por causa de sua única qualificação: ele era um devoto. O Senhor diz que o mistério do *Bhagavad-gītā* é muito confidencial. Sem ser um devoto imaculado, vocês não podem conhecê-lo. Na Índia há 645 comentários diferentes sobre o *Gītā*. Um professor propôs que Kṛṣṇa é um médico e Arjuna é Seu paciente, e fez seu comentário dessa maneira. De modo semelhante, há comentaristas e pessoas que entenderam que todos são perfeitos e que podem interpretar a escritura à sua própria maneira. No que nos diz respeito, concordamos em ler o *Bhagavad-gītā* segundo as instruções dadas no próprio *Gītā*. Isto tem de ser recebido pela paramparā, o sistema de sucessão discipular. Está sendo ensinado pela Pessoa Suprema porque \"tu és Meu querido amigo. Desejo que te tornes próspero e feliz. Por isso, falo a ti.\" Kṛṣṇa quer que todos sejam felizes, pacíficos e prósperos, mas eles não o querem. O brilho solar está aberto a todos, mas, se alguém deseja permanecer na escuridão, o que o brilho solar pode fazer por ele? Logo, o *Gītā* está aberto a todos. Há diferentes espécies de vida, e existem graus inferiores e superiores de compreensão — isto é um fato. Mas Kṛṣṇa diz que este conhecimento é para qualquer um. Se alguém tem nascimento inferior ou o que quer que seja, isso não importa. O *Bhagavad-gītā* oferece um tema transcendental que todos podem compreender, contanto que sigam o princípio enunciado no Quarto Capítulo. Ou seja, que o *Gītā* vem descendo em sucessão discipular: \"Em primeiro lugar, instruí este sistema de yoga ao deus do sol, Vivasvān, que o ensinou a Manu, que o ensinou a Ikṣvāku.\" A partir de Kṛṣṇa, a sucessão discipular vem descendo, mas \"no curso do tempo, a sucessão discipular foi rompida.\" Por isso, Arjuna é feito o novo discípulo. No Segundo Capítulo, Arjuna se rende: \"Até aqui conversamos como amigos, mas agora Te aceito como meu mestre espiritual.\" Qualquer um que siga o princípio nesta linha aceita o guru como Kṛṣṇa, e o estudante deve representar Arjuna. Kṛṣṇa fala como o mestre espiritual de Arjuna, e Arjuna diz: \"Tudo o que Tu disseres, eu aceito.\" Leiam-no assim — não: \"Disto eu gosto, então aceito; disto eu não gosto, então rejeito.\" Tal leitura é um disparate inútil.\n\n\n\nO preceptor deve ser um representante de Kṛṣṇa, um devoto, e o estudante deve ser como Arjuna. Então, este estudo da consciência de Kṛṣṇa é perfeito. De outro modo, é desperdício de tempo. No *Śrīmad-Bhāgavatam* afirma-se: \"Se alguém quer compreender a ciência de Kṛṣṇa, deve associar-se com devotos puros. Quando se realizam discussões entre devotos puros, revela-se a potência da linguagem espiritual.\" A discussão acadêmica do *Gītā* é fútil. Nos *Upaniṣads* afirma-se: \"Àquele que tem fé firme em Deus, e fé semelhante no representante de Deus, todo o significado da linguagem Védica será revelado.\" Devemos ter a qualificação de ser um devoto. Tornem-se queridos por Deus. Meu mestre espiritual costumava dizer: \"Não tentem ver Deus. Atuem de tal modo que Deus os veja.\" Temos de qualificar-nos. Por sua qualificação, o próprio Deus virá e os verá.\n\n\n\nSe alguém pode perceber Deus, é transcendental a todas as exigências materiais. Estamos sempre insatisfeitos no mundo material, em circunstâncias que não perduram; a felicidade é temporária, e a aflição temporária também não existirá por muito tempo. Frio, calor, dualidade — tudo vai e vem. Chegar ao estágio absoluto é o processo da consciência de Kṛṣṇa. Kṛṣṇa está sentado no coração de cada um e, à medida que vocês se purificam, Ele lhes mostrará a senda. E, no fim, vocês deixarão este corpo e irão ao céu espiritual.\n\n\n\n\"Ninguém Me conhece\", diz Kṛṣṇa, \"nem Minha influência, Meu poder e Minha extensão. Mesmo os maharṣis [os grandes pensadores] não sabem. Eu sou a origem de todos os semideuses e a origem de todos os ṛṣis.\" Há tantos antepassados que não conhecemos, e há Brahmā e os semideuses — o que sabemos? Não podemos alcançar a plataforma em que sejamos capazes de apreender Deus. Reunimos conhecimento por meio de sentidos limitados, e Kṛṣṇa não pode ser alcançado pela mente, o centro dos sentidos. Sentidos imperfeitos não podem apreender o conhecimento perfeito. A manipulação da mente e dos sentidos não pode alcançá-Lo. Se vocês ocuparem os sentidos no serviço ao Senhor, contudo, então Ele Se revelará através de seus sentidos.\n\n\n\nAs pessoas podem dizer: \"Qual a utilidade de compreender Deus? Qual a utilidade? Deixem-No ficar em Seu lugar, deixem-me ficar no meu.\" Mas, nos śāstras, as escrituras, afirma-se que as atividades piedosas nos elevarão a beleza, conhecimento e bom nascimento; e que, por atividades ímpias (pecaminosas), sofremos. O sofrimento está sempre presente, piedoso ou ímpio, mas faz-se uma distinção. Quem conhece Deus, contudo, fica liberado de todas as possíveis reações pecaminosas, o que nenhuma soma de piedade pode realizar. Se rejeitamos Deus, jamais poderemos ser felizes.\n\n\n\nSem sequer considerar a sociedade humana, se tomarmos os semideuses, que são mais avançados e inteligentes, eles também não conhecem Kṛṣṇa. Os sete grandes sábios, cujo planeta fica perto da Estrela Polar, também não conhecem. Kṛṣṇa diz: \"Eu sou o original, a fonte de todos estes semideuses.\" Ele é o pai de tudo, não só a origem dos semideuses, mas também dos sábios — e do universo. O *Śrīmad-Bhāgavatam* descreve como surgiu a forma universal, e tudo emana dEle. Kṛṣṇa é também a origem do Paramātmā, a Superalma; e a impessoal brahmajyoti, a refulgência luminosa, está nEle. De tudo, de cada concepção, \"Eu sou a fonte.\" A Verdade Absoluta pode ser percebida em três fases, mas é uma verdade não-dual. Brahman (a refulgência luminosa), a Superalma localizada e Bhagavān — a Pessoa Suprema — são três aspectos ou traços de Deus.\n\n\n\nSe ninguém conhece a Suprema Personalidade de Deus, como Ele pode ser conhecido? Ele pode ser conhecido quando o Senhor Supremo vem diante de vocês e Se revela a vocês. Então vocês podem conhecê-Lo. Nossos sentidos são imperfeitos e não podem perceber a Verdade Suprema. Quando vocês adotam uma atitude submissa e cantam, a percepção começa a partir da língua. Comer e vibrar som é a tarefa da língua. Se vocês conseguem controlar sua língua para prasādam, o alimento espiritual, e fazer a vibração sonora do santo nome, então, pela rendição da língua, vocês podem controlar todos os outros sentidos. Se não conseguem controlar sua língua, não podem controlar seus sentidos. Saboreiem prasādam e tornem-se espiritualmente avançados. Vocês podem ter este processo em seu lar: ofereçam alimentos vegetarianos a Kṛṣṇa, cantem o mantra Hare Kṛṣṇa e ofereçam reverências:\n\n\n\nnamo brahmaṇya-devāya\n\ngo-brāhmaṇa-hitāya ca\n\njagat-hitāya kṛṣṇāya\n\ngovindāya namo namaḥ\n\n\n\nTodos podem oferecer e, então, tomar o alimento com amigos. E cantem diante do retrato de Kṛṣṇa, e levem uma vida pura. Vejam só o resultado — o mundo inteiro se tornará Vaikuṇṭha, onde não há ansiedade. Tudo é ansioso conosco porque aceitamos esta vida material. O exato oposto vale no mundo espiritual. Ninguém, contudo, sabe como sair do conceito material. Tomar um intoxicante não ajuda; as mesmas ansiedades continuam ali quando vocês deixam de estar bêbados. Se querem ser livres e querem vida eterna com bem-aventurança e conhecimento, dediquem-se a Kṛṣṇa. Ninguém pode conhecer Deus, mas há este caminho: o processo da consciência de Kṛṣṇa.\n\n\n\nNo *Śrīmad-Bhāgavatam* afirma-se que ninguém pode conquistá-Lo nem aproximar-se dEle, mas Ele Se deixa conquistar. Como? Deixem as pessoas permanecerem em suas próprias posições, mas que abandonem a especulação disparatada por meio de volumes e volumes de livros. Milhares de livros são impressos e lidos e, após seis meses, jogados fora. Deste modo e daquele — como podem vocês conhecer o Supremo pela especulação a partir da informação fornecida por seus sentidos obtusos? Abandonem a pesquisa — joguem-na fora — e simplesmente tornem-se submissos; reconheçam que são limitados e subordinados à natureza material e a Deus. Ninguém pode ser igual ou maior do que Deus. Por isso, sejam submissos. Procurem ouvir sobre as glórias do Senhor Supremo a partir de fontes autorizadas. Tal autoridade é transmitida pela sucessão discipular. Se pudermos compreender pela mesma autoridade que Arjuna, isso é autoridade real. Deus está sempre pronto a revelar-Se; vocês simplesmente tornem-se conscientes de Kṛṣṇa. Sigam a senda percorrida pelos grandes ācāryas, os preceptores devotados, e então tudo será conhecido. Embora seja inconquistável e incognoscível, Ele pode ser conhecido em seu lar.\n\n\n\nSe vocês adotarem este processo e seguirem os princípios, qual será o resultado? Assim que compreenderem, saberão que o Senhor Supremo é a causa de todas as causas, mas que Ele não é causado por nenhuma outra causa. E que Ele é o mestre de todos os planetas. Isto não é aceitar cegamente. Deus deu a vocês o poder da razão, o poder da argumentação — mas não argumentem falsamente. Se quiserem conhecer a ciência transcendental, devem render-se. Rendam-se à autoridade e conheçam-No por sinais. Não se rendam a um tolo ou a um canalha. Encontrem alguém que esteja vindo na sucessão discipular, alguém que esteja plenamente convencido sobre a Suprema Verdade Absoluta. Se encontrarem tal pessoa, rendam-se e procurem agradá-la, sirvam-na e questionem-na. A rendição a ela é rendição a Deus. Questionem para aprender, não para desperdiçar tempo.\n\n\n\nO processo está ali, mas, se desperdiçarmos tempo com intoxicação, jamais O veremos, o Senhor inconquistável. Sigam os princípios e, lenta mas seguramente, sem dúvida, vocês conhecerão. \"Sim, estou progredindo\", dirão. E é muito fácil, e vocês podem executá-lo e permanecer num estado de espírito feliz. Estudem, participem com música, comam prasādam. E ninguém pode enganá-los por este processo. Mas, se vocês querem ser enganados — vão aos enganadores.\n\n\n\nProcurem compreendê-lo a partir da fonte autorizada e apliquem-no em sua vida. Dentre os mortais que estão morrendo, vocês se tornarão os mais inteligentes, pois estão livres das ações pecaminosas. Se vocês agirem apenas para Kṛṣṇa, então estarão livres de todas as reações. Não terão ansiedade alguma sobre o que é auspicioso ou inauspicioso, pois estarão em contato com o mais auspicioso. Este é o processo. Em última análise, podemos entrar em contato com Kṛṣṇa. A vida será bem-sucedida. Qualquer um pode adotá-la, pois é muito simples.\n\n\n\nEis uma boa fórmula apresentada pelo próprio Kṛṣṇa: deve-se compreender a posição de Kṛṣṇa. Ele é não-nascido e sem causa alguma. Temos experiência, todos nós, de que nascemos e de que temos uma causa; nosso pai é nossa causa. Se alguém se apresenta como Deus, tem de provar que é não-nascido e não-causado. Nossa experiência prática é que nascemos. Kṛṣṇa não nasce. Temos de compreender isto. Compreender isto é estar firmemente convencido de que Ele é a causa, mas não é causado; e, como não é causado, é o proprietário de toda manifestação. Quem compreende esta filosofia simples não está iludido.\n\n\n\nGeralmente estamos iludidos. Reivindicamos a propriedade da terra. Mas, antes do meu nascimento, a terra estava aqui, e, após a minha morte, ainda estará aqui. Por quanto tempo continuarei reivindicando, num corpo após outro: \"Esta é minha terra! Esta é minha terra!\"? Não é disparate? Tem-se de sair da ilusão. Devemos saber que tudo o que estamos fazendo no conceito material da vida é ilusão. Temos de compreender se estamos iludidos ou não. E todas as almas condicionadas estão iludidas. Quem aprende a desiludir-se fica livre de todos os embaraços. Se queremos liberdade de todos os vínculos, então temos de compreender Deus. Não há como negligenciar isto; é nosso principal dever.\n\n\n\nDentre milhões de entidades, uma pode ser iluminada. Geralmente, todos nós nascemos tolos. Tão logo nasço, sou cuidado pelos pais e educado a reivindicar falsamente uma terra como minha. A educação nacional significa torná-los mais tolos. Não sou tolo? Estou mudando meu corpo como uma roupa, vida após vida. Vocês têm tantas mentes, tantas roupas — por que reivindicam esta? Por que não compreendem: \"Esta roupa é boa, mas no próximo momento posso estar em outra\"? Vocês estão nas garras da natureza. Não podem dizer que roupa terão: \"Natureza, faze-me americano.\" Não; a natureza material controla. Se vivem como cão — aqui, tomem a roupa de um cão. Se vivem uma vida divina — aqui, tomem Deus.\n\n\n\nDentre muitos tolos, alguém procura compreender o que eu efetivamente sou. Cão? Americano? Russo? Esta verdadeira indagação prossegue. Se vocês indagam, têm de perguntar a alguém, não apenas a si mesmos. Ao atravessar a rua num lugar que vocês não conhecem, têm de perguntar ao policial ou a algum cavalheiro. Para o \"que sou eu\", vocês têm de recorrer também a uma autoridade. O que é um mestre espiritual? É uma pessoa versada na ciência de Kṛṣṇa. Ordinariamente, ninguém indaga; mas, se um homem indaga, pode fazer progresso e chegar a esta compreensão: Kṛṣṇa é a causa de todas as causas.\n\n\n\nQuatro espécies de pessoas, seguidoras da escritura e da autoridade superior, indagam sobre Kṛṣṇa. Aqueles viciados em atividades pecaminosas não conseguem indagar. Prosseguem na intoxicação. O homem reto, piedoso, indaga e vai a Deus. Concedem-se facilidades às pessoas neste processo, pela autoridade — para fazer as pessoas felizes, não para explorá-las. A finalidade da ISKCON é, deste modo, compreender a ciência de Deus. Vocês querem felicidade. Aqui está. Vocês estão aflitos pelas reações pecaminosas. Mas, se não há reação pecaminosa, não há sofrimento. Quem conhece Kṛṣṇa, sem dúvida, está aliviado de todas as reações. Kṛṣṇa diz: \"Venham a Mim, e Eu lhes darei liberdade de todas as reações.\" Não desacreditem disto. Ele pode dar-lhes abrigo; Ele tem todo o poder. Se eu lhes fizesse tal promessa, como não tenho tal poder, poderia quebrar a promessa.\n\n\n\nSe vocês se associarem com a consciência de Kṛṣṇa, sua relação latente com Kṛṣṇa será evocada. Vocês têm uma relação com Ele. Não há possibilidade de descrer; é simplesmente tolice. A relação latente está ali. Vocês querem servir Kṛṣṇa, mas simplesmente pelo encanto da ilusão pensamos que não temos conexão alguma com Kṛṣṇa. Continuamos fazendo todo o disparate \"independente\", e estamos sempre ansiosos. Quando nos associarmos com estes sentimentos latentes por Kṛṣṇa, contudo, vamos ocupar-nos na consciência de Kṛṣṇa.\n\n\n\n\"Deus é não-nascido\" indica que Ele é diferente do mundo material. Não temos tal experiência do não-nascido. Esta cidade nasceu — a história está repleta de datas. A natureza espiritual, contudo, é não-nascida, e de imediato podemos ver a diferença. A natureza material nasce. Vocês têm de compreender; se Kṛṣṇa é não-nascido, então é espiritual, não como um de nós. Kṛṣṇa não é alguma \"pessoa extraordinária que também nasceu\". Ele não nasce. Logo, como posso decidir que Ele é um homem ordinário? \"Aqueles que são tolos e canalhas pensam em Mim como um homem ordinário\", diz Kṛṣṇa no *Gītā*. Ele é diferente de tudo neste mundo. Ele é anādi, sem causa.\n\n\n\nKṛṣṇa pode ser espiritual, mas há outros corpos espirituais. Temos corpos espirituais como o de Kṛṣṇa, mas eles nascem. Não nascem exatamente; é como as faíscas do fogo. As faíscas não nascem do fogo; elas estão efetivamente ali. Nós também não nascemos; somos faíscas que saem da forma original. Mesmo que não nasçamos, a faísca sai de Kṛṣṇa e, portanto, somos diferentes; as faíscas do fogo são fogo, mas não são o fogo original. Quanto à qualidade, somos os mesmos que Kṛṣṇa. É como a diferença entre pai e filho. Pai e filho são diferentes e não-diferentes ao mesmo tempo. O filho é uma expansão do pai, mas não pode reivindicar que é o pai; isso seria disparate.\n\n\n\nPorque Kṛṣṇa Se declara o proprietário supremo, Ele é, portanto, diferente de qualquer coisa. Se eu sou o proprietário do estado de Nova York, ainda assim não sou o estado de Nova York. Em cada passo há dualidade. Ninguém pode dizer que somos completamente um com Deus.\n\n\n\nQuando vocês puderem compreender a posição de Kṛṣṇa e a sua própria de uma bela maneira analítica, então imediatamente ficarão livres das reações pecaminosas. Este processo os ajudará. Cantem Hare Kṛṣṇa e limpem sua mente, e vocês receberão a mensagem. É preciso estar qualificado. Se cantarem e ouvirem, sem nenhum pagamento, vocês se aproximarão de Deus. Todas as coisas se tornarão claras e iluminadas."}
{"ref": "ttp/8", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/8/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "8. Fontes do Conhecimento Absoluto", "purport": "Precisamos ouvir sobre o método de saborear o *Śrīmad-Bhāgavatam*, o texto mais elevado sobre a ciência da consciência de Deus, o fruto maduro e amadurecido da árvore da sabedoria Védica. A palavra sânscrita rasa significa suco, tal como o suco de uma laranja ou de uma manga. E o autor do *Śrīmad-Bhāgavatam* pede que vocês procurem, por gentileza, saborear o rasa, ou suco, do fruto do *Bhāgavatam*. Por quê? Por que devo saborear o suco do fruto do *Bhāgavatam*? Porque é o fruto maduro da árvore Védica dos desejos. Como árvore dos desejos, o que quer que vocês queiram, podem obter dos *Vedas*. Veda significa conhecimento; é tão completo que, quer vocês queiram desfrutar neste mundo material, quer queiram desfrutar a vida espiritual, ambas as espécies de conhecimento estão ali. Se vocês seguirem os princípios Védicos, então serão felizes. Isto é como os códigos do estado. Se os cidadãos obedecem, então serão felizes, não haverá transgressão criminal, e desfrutarão a vida. O estado não vem a vocês por nada, apenas para incomodá-los, mas, se vocês viverem segundo a lei do estado, não há possibilidade de infelicidade.\n\n\n\nDe modo semelhante, esta alma condicionada, a entidade viva, veio aqui a este mundo material em busca de desfrute e de felicidade material. E os *Vedas* são o guia: tudo bem, desfrutem — mas desfrutem segundo estes princípios. Isto se chama Veda. Por isso, tudo está ali. Tal como, às vezes, realizamos uma cerimônia de casamento no templo. O que é esta cerimônia de casamento? É a união de homem e mulher, rapaz e moça. Já estão lá — vivendo como amigos — qual a utilidade desta cerimônia de casamento? É Védica: os *Vedas* contemplam o viver junto, a vida sexual, mas sob algumas regulações especiais, para que vocês possam ser felizes. O fim último é tornar-se feliz. Se vocês seguirem as regras e restrições Védicas, isso não significará que serão impedidos de comer ou que não terão permissão para dormir, não terão permissão para defender-se ou ter vida sexual. Não é assim. Suas necessidades corporais são as mesmas que as dos animais; os animais também comem, também dormem, também se acasalam e também se defendem. Logo, precisamos também destas coisas. Mas os *Vedas* prescrevem algumas regulações: vocês ajam desta maneira, de modo que não sejam infelizes. Se seguirem a regulação, em última análise, o resultado será que estarão livres do enredamento material.\n\n\n\nEsta vida material não se destina à alma espiritual. É simplesmente um equívoco que vocês queiram desfrutar esta vida material. Mas Kṛṣṇa, o Senhor Supremo, dá-nos ordens específicas para que possamos desfrutar, de tal maneira que, no fim, compreenderemos que esta não é nossa vida adequada — nossa vida adequada é espiritual. Esta forma humana de vida é aperfeiçoada tão logo cheguemos à compreensão da existência espiritual — que eu sou Brahman. De outro modo, se eu não cuido da minha vida espiritual, então o resultado é que devo viver como vivem os cães e os gatos. Há toda possibilidade de que minha próxima vida seja uma vida animal. E se, por acaso ou por algum capricho da natureza, eu chegar à vida animal, então serão necessários milhões e milhões de anos antes de eu chegar novamente a esta forma humana de vida. Logo, a forma humana de vida destina-se à autorrealização, e os *Vedas* são a direção.\n\n\n\nOra, no *Bhagavad-gītā*, vocês descobrirão que Kṛṣṇa diz que estudar ou seguir as regras e regulações dos *Vedas* significa efetivamente chegar à compreensão da consciência de Kṛṣṇa. Isto se afirma também no *Śrīmad-Bhāgavatam*. Logo, os *Vedas* dão a vocês a oportunidade de chegar gradualmente ao ponto de compreender Kṛṣṇa, após muitos e muitos nascimentos. Mas o *Bhāgavatam* é chamado a essência da vida, o fruto maduro dos *Vedas*, pois o *Bhāgavatam* dá a vocês diretamente o que é necessário em sua vida.\n\n\n\nOs *Vedas* dividem-se em quatro: Sāma, Ṛg, Atharva e Yajur. Em seguida, estes são explicados pelos *Purāṇas*, dos quais há dezoito. Em seguida, estes são ainda mais explicados pelos *Upaniṣads*, dos quais há 108. Os *Upaniṣads* são resumidos no *Vedānta-sūtra*, e o *Vedānta-sūtra* é, por sua vez, explicado pelo *Śrīmad-Bhāgavatam*, pelo mesmo autor. Este é o processo. Logo, o *Bhāgavatam* é a essência de todo o conhecimento Védico.\n\n\n\nNaimiṣāraṇya é uma floresta muito famosa e sagrada no norte da Índia, aonde todos os ṛṣis, os sábios, geralmente vão para auxiliar seu avanço espiritual de vida. Este *Śrīmad-Bhāgavatam* foi discutido pela primeira vez nesta era naquela floresta. Quando foi discutido, o grande santo Sūta Gosvāmī foi indagado por seu auditório: Agora que Kṛṣṇa voltou à Sua morada, com quem repousa agora o conhecimento transcendental? Esta pergunta foi levantada. O *Bhagavad-gītā* foi falado pelo próprio Kṛṣṇa, e contém todas as descrições do jñāna-yoga, karma-yoga, dhyāna-yoga e bhakti-yoga. Ora, fez-se esta indagação: Onde se pode obter conhecimento espiritual, agora que Kṛṣṇa Se foi? A resposta foi que Kṛṣṇa, ao partir, deixou-nos o *Śrīmad-Bhāgavatam*. É a representação, a representação sonora, de Kṛṣṇa. O *Bhāgavatam* não é diferente de Kṛṣṇa, assim como o *Gītā* não é diferente de Kṛṣṇa. Eles são absolutos. Kṛṣṇa e a vibração sonora de Kṛṣṇa não são diferentes. Kṛṣṇa e o nome de Kṛṣṇa também não são diferentes. E Kṛṣṇa e a forma de Kṛṣṇa, igualmente, não são diferentes. Isto é absoluto. Requer realização.\n\n\n\nEste *Bhagavad-gītā* e este *Śrīmad-Bhāgavatam* são encarnações sonoras de Kṛṣṇa. O *Śrīmad-Bhāgavatam* é também a encarnação literária de Kṛṣṇa, e é o fruto do conhecimento Védico. Vocês podem ter a experiência de que existe um pássaro chamado papagaio. O corpo do papagaio é verde, e seu bico é vermelho. A qualificação específica do papagaio é que ele imita o que quer que vocês digam. Esse pássaro papagaio toca o fruto maduro e, naturalmente, se o fruto amadurece na árvore, torna-se muito saboroso. Mais ainda, se o fruto é provado pelo papagaio, torna-se ainda mais saboroso. Esta é a maneira da natureza. Assim, aqui se diz que este *Śrīmad-Bhāgavatam* é tal como o fruto maduro do conhecimento Védico e, ao mesmo tempo, foi tocado por Śukadeva Gosvāmī, o mestre espiritual de Sūta. Śuka significa papagaio em sânscrito.\n\n\n\nEste *Śrīmad-Bhāgavatam* foi explicado pela primeira vez por Śukadeva Gosvāmī, embora o autor seja seu pai, Vyāsa. Śukadeva tinha apenas dezesseis anos quando lhe foi ensinado o *Bhāgavatam*, e ficou iluminado. Já estava liberado no conceito impessoal do Absoluto, mas, após ouvir o *Bhāgavatam* de seu pai, ficou atraído pelos passatempos de Kṛṣṇa e tornou-se um pregador do *Bhāgavatam*. Primeiro explicou-o diante de Mahārāja Parīkṣit, o grande rei. Uma breve história de Mahārāja Parīkṣit é que ele foi um rei muito piedoso, mas, infelizmente, por alguns de seus atos, foi amaldiçoado por um menino brāhmaṇa a morrer dentro de sete dias. Naqueles dias, se um brāhmaṇa amaldiçoasse alguém, isso se tornaria realidade. Eles tinham o poder de amaldiçoar ou de conceder bênção.\n\n\n\nLogo, Parīkṣit compreendeu que dentro de uma semana teria de morrer, e preparou-se. Abandonou seu reino, confiando-o a seu filho, Mahārāja Janamejaya, desapegou-se da família e sentou-se às margens do Ganges, perto de Délhi. Não era exatamente o Ganges; era, na verdade, o Yamunā. Ali, por ser um grande imperador, vieram muitos sábios eruditos.\n\n\n\nParīkṣit então indagou de todos os grandes sábios ali presentes: \"Qual é meu dever? Vou morrer dentro de sete dias; ora, qual é meu dever? Vós sois todos sábios eruditos; por favor, prescrevei para mim.\" Logo, alguém disse para praticar yoga, alguns disseram para praticar jñāna, o cultivo do conhecimento; havia opiniões diferentes. Mas, naquele momento, Śukadeva Gosvāmī entrou na floresta e, embora Śukadeva tivesse apenas dezesseis anos, era tão erudito e renomado que todos os velhos sábios, incluindo seu pai, Vyāsadeva, levantaram-se para demonstrar-lhe respeito. Ele era tão erudito. Logo, quando ele apareceu, ficou combinado: \"Aqui está Śukadeva Gosvāmī. Que ele decida o que fazer. Nós o designamos como nosso representante.\"\n\n\n\nŚukadeva Gosvāmī foi assim autorizado a falar, e perguntaram-lhe: \"Qual é meu dever? Tenho muita sorte de teres vindo nesta hora decisiva. Por gentileza, dize-me qual é meu dever.\"\n\n\n\nŚukadeva Gosvāmī disse: \"Está bem, explicarei a ti o *Śrīmad-Bhāgavatam*.\" Então, todos os presentes concordaram.\n\n\n\nComo o *Bhāgavatam* foi falado pela primeira vez por Śukadeva Gosvāmī, por isso se menciona que, assim como o papagaio toca o fruto maduro e este se torna ainda mais doce, assim também este *Śrīmad-Bhāgavatam*, por ter sido tocado primeiro por Śukadeva Gosvāmī, tornou-se ainda mais saboroso.\n\n\n\nA ideia é que qualquer literatura Védica, especialmente o *Bhāgavatam* ou o *Gītā*, deve ser aprendida tal como falada por uma alma realizada. Especialmente esta literatura, que é chamada literatura vaiṣṇava, não deve ser ouvida de uma pessoa que não seja devoto. Este ponto eu acentuei várias vezes. Aqueles que são não-devotos, aqueles que são especuladores mentais, aqueles que são trabalhadores fruitivos, aqueles que são meditadores ou yogīs místicos, não podem explicar a ciência de Deus. Isto é especialmente mencionado também por Sanātana Gosvāmī, outro grande santo; aqueles que não estão em serviço devocional, não-divinos, aqueles que não têm fé em Deus — tais pessoas não devem ter permissão para falar sobre o *Bhagavad-gītā* e o *Śrīmad-Bhāgavatam*, ou qualquer literatura que esteja em relação com o Senhor Supremo. Logo, não é que qualquer um possa falar o *Bhāgavatam* ou o *Gītā* e teremos de ouvi-lo. Não. Sanātana Gosvāmī especialmente nos proíbe: não devemos ouvir sobre o Senhor Supremo de alguém que não seja purificado.\n\n\n\nAlguém pode perguntar: \"Como podem contaminar-se as palavras de Kṛṣṇa, que são, naturalmente, transcendentalmente puras? Qual é o mal se as ouvirmos do não-devoto?\" Esta pergunta pode ser levantada. O exemplo dado aqui é que o leite é muito bom e nutritivo, mas, tão logo é tocado por uma serpente, torna-se veneno imediatamente. A serpente é muito invejosa. Morde e mata imediatamente, desnecessariamente, e, por isso, é considerada o mais cruel dos animais entre as entidades vivas. No śāstra, recomenda-se a não-violência, como em toda escritura, mas a serpente e o escorpião podem ser mortos. Vocês não podem dizer que o leite é tão nutritivo, e podemos bebê-lo — qual o mal se for tocado por serpentes? Não — o resultado será a morte. Não se deve ouvir, pelo menos, o *Bhagavad-gītā* e o *Śrīmad-Bhāgavatam* daqueles que não são devotos do Senhor, que não têm percepção de Deus e que são invejosos dEle. Seu toque os torna veneno. As palavras do Senhor são sempre sublimes, mas, tão logo são tocadas pelo não-devoto semelhante à serpente, deve-se ser muito cuidadoso ao ouvir.\n\n\n\nNo *Bhāgavatam* indica-se que, assim que Śukadeva o tocou, tornou-se delicioso. Esta é a distinção. Basicamente, é o fruto maduro do conhecimento Védico, mas, ao mesmo tempo, foi tocado por Śukadeva Gosvāmī.\n\n\n\nO Senhor é o objeto supremo do yoga e o reservatório de todo o prazer transcendental; Ele Se revela apenas a Seus devotos e, pela misericórdia de Seus devotos, todos podem saborear Sua associação íntima."}
{"ref": "ttp/9", "book": "ttp", "lang": "pt", "url": "/pt/library/ttp/9/", "verse_text": "", "devanagari": "", "synonyms": "", "translation": "9. A Verdadeira Fórmula para a Paz", "purport": "Toda entidade viva está em busca de paz. Esta é a luta pela existência. Todos, dos aquáticos à mais elevada forma de ser humano — da formiga até Brahmā, a primeira criatura deste universo —, buscam paz. Este é o objetivo principal. O Senhor Caitanya disse que uma pessoa que está em plena consciência de Kṛṣṇa é o único homem pacífico, pois não tem exigências. Esta é a qualificação especial de uma pessoa que está em consciência de Kṛṣṇa. Ela é akāmaḥ. Akāmaḥ refere-se àqueles que não têm desejo, que são autossuficientes, que não têm nada a pedir e que estão plenamente pacíficos. Quem são eles? São os devotos que estão situados em consciência de Kṛṣṇa.\n\n\n\nTodos os outros enquadram-se em três classes. Uma classe é bhukti, aqueles que estão ansiando por felicidade e desfrute materiais. Estas pessoas querem comer, beber, alegrar-se e desfrutar. Há diferentes modos de desfrute conforme o corpo. As pessoas buscam o desfrute dos sentidos neste planeta, em outros planetas, aqui, ali e em toda parte. Seu principal objeto é gratificar os sentidos. Isto se chama bhukti. A próxima classe é a daquelas pessoas que estão fatigadas ou frustradas na gratificação dos sentidos e, por isso, querem liberação deste enredamento material. E, então, há aqueles que, em busca de conhecimento, especulam sobre o que é a Verdade Absoluta. Assim, há alguns que querem desfrute dos sentidos, e outros, os salvacionistas, que estão buscando liberação. Os salvacionistas também têm algum desejo, o desejo de estar livres deste enredamento material. Em seguida, há aqueles que são yogīs; estão em busca da perfeição mística. Há oito espécies de perfeições místicas que concedem a capacidade de tornar-se o menor, de tornar-se o mais pesado, ou de obter o que quer que se deseje. As pessoas ordinárias que buscam a gratificação dos sentidos e aqueles que são salvacionistas ou que buscam a perfeição mística, todos têm alguma exigência. Mas e quanto aos devotos? Não têm exigências. Como simplesmente querem servir Kṛṣṇa, estão à espera da ordem de Kṛṣṇa, e essa é sua satisfação. Se Kṛṣṇa quer que os devotos vão ao inferno, eles estão preparados a ir ao inferno. E se Kṛṣṇa diz: \"Venham a Mim\", estão preparados a ir. Não têm exigências. Este é o estágio perfeccional.\n\n\n\nHá um verso muito belo no qual um devoto reza: \"Estarei simplesmente consciente de Ti, meu querido Senhor, consciente de Kṛṣṇa, livre de todas as exigências mentais.\" Na verdade, por estarmos em cativeiro material, temos muitas exigências. Algumas pessoas querem gratificação dos sentidos, aquelas que são um pouco mais elevadas querem satisfação mental, e aquelas que são ainda mais refinadas querem demonstrar alguma magia ilusionista de poder neste mundo. Todas estão em cativeiro material em diferentes capacidades. Por isso, uma pessoa que é consciente de Kṛṣṇa reza ao Senhor: \"Meu querido Senhor, quando estarei plenamente absorto em Teus pensamentos ou em Teu serviço?\" \"Teus pensamentos\" não são simplesmente especulação abstrata e inventada; é um modo prático de pensar. \"Vou tornar-me pacífico.\" Toda invenção mental — quero isto, quero aquilo — será completamente erradicada.\n\n\n\nEstamos pairando sobre o plano mental. Demos procuração à mente, e a mente está nos conduzindo — \"Venha aqui, vá ali.\" É preciso interromper tal disparate. \"Serei simplesmente Teu servidor eterno. E serei muito alegre, pois tenho meu mestre.\" Todos os outros que não estão em consciência de Kṛṣṇa estão sem guia. Eles são seus próprios guias. A pessoa que é consciente de Kṛṣṇa tem o guia supremo; por isso, não tem medo. Por exemplo, enquanto uma criança está sob os cuidados dos pais, não tem medo. Mas, tão logo ela se torna livre, encontra muitos impedimentos. Este é um exemplo rudimentar, mas, de modo semelhante, quando alguém se torna completamente livre de toda invenção mental e se ocupa cem por cento em consciência de Kṛṣṇa vinte e quatro horas por dia, será pacífico de imediato. Isso é paz.\n\n\n\nPor isso, Caitanya Mahāprabhu diz que aqueles que são conscientes de Kṛṣṇa, por não terem exigências, são efetivamente pacíficos. Aqueles que buscam o desfrute dos sentidos, a salvação e a perfeição mística iogue estão sempre cheios de ansiedade. Enquanto alguém está cheio de ansiedade, deve saber que ainda está sob o jugo da natureza material. E, assim que alguém fica livre de toda ansiedade, deve saber que está liberado. Esta ansiedade temerosa existe porque não conhecemos Kṛṣṇa, o Senhor Supremo, o controlador supremo. Em vez disso, temos outras concepções e, por isso, estamos sempre ansiosos.\n\n\n\nHá muitos exemplos, como o de Prahlāda Mahārāja. Ele tinha apenas cinco anos, uma criança mimada, mas, por ser um devoto do Senhor, seu pai tornou-se seu inimigo. Esta é a maneira do mundo. Assim que alguém se torna devoto do Senhor, encontra tantos obstáculos. Mas esses obstáculos não impedirão a pessoa nem serão empecilhos na senda. Devemos estar sempre pessoalmente preparados para tornar-nos conscientes de Kṛṣṇa. De outro modo, há apenas o reino de māyā, a ilusão. Māyā tentará derrotar-nos assim que vir: \"Oh, aqui está uma alma viva saindo de meu jugo.\" Tão logo alguém se torna consciente de Kṛṣṇa e plenamente se rende ao Senhor Supremo, não tem mais nada a temer desta ilusão. A pessoa consciente de Kṛṣṇa é a pessoa perfeitamente pacífica.\n\n\n\nTodos querem paz no mundo. Os manifestantes pela paz não sabem como obter paz, mas querem paz. Li um discurso do Arcebispo de Cantuária no qual ele disse: \"Vocês querem o reino de Deus sem Deus.\" Este é nosso defeito. Se vocês querem paz, então aceitem que paz significa compreender Deus. Isto se afirma no *Bhagavad-gītā*. A menos que vocês estejam em contato com o Senhor Supremo, Kṛṣṇa, não podem ter paz. Por isso, temos uma fórmula para a paz diferente. A verdadeira fórmula para a paz é que se deve saber que Deus é o proprietário de todo este universo, incluindo os Estados Unidos da América. Ele é o proprietário da Rússia, é o proprietário da China, é o proprietário da Índia, de tudo. Mas, porque reivindicamos que somos os proprietários, há luta, há discórdia, há discordância, e como pode haver paz?\n\n\n\nEm primeiro lugar, é preciso aceitar que Deus é o proprietário de tudo. Somos simplesmente convidados por cinquenta ou cem anos. Vimos e vamos, e, enquanto a pessoa está aqui, está absorta neste pensamento: \"Esta é minha terra. Esta é minha família. Este é meu corpo. Esta é minha propriedade.\" E, quando há uma ordem do Supremo para que se deixe o lar, a propriedade, o corpo, a família, o dinheiro e o saldo bancário, e tudo se foi, deve-se tomar outro lugar. Estamos sob o jugo da natureza material, e ela está oferecendo diferentes espécies de corpos: \"Ora, meu caro senhor, aceite este corpo.\" Aceitamos um corpo americano, um corpo indiano, um corpo chinês, um corpo de gato ou um corpo de cão. Não sou o Proprietário nem mesmo deste corpo e, todavia, digo que sou este corpo. Na verdade, isto é ignorância. E como pode alguém ter paz? A paz pode ser obtida quando alguém compreende que Deus é o proprietário de tudo. Os amigos da pessoa, sua mãe, o pai de sua mãe e o Presidente são todos hóspedes do tempo. Quando este conhecimento é aceito, então haverá paz.\n\n\n\nEstamos em busca de um amigo que nos dê paz e tranquilidade. Esse amigo é Kṛṣṇa, Deus. Façam apenas amizade com Ele; verão que todos são seus amigos. Como Deus está situado no coração de cada um, se vocês fizerem amizade com Deus, Ele ditará de dentro, para que vocês também sejam tratados de maneira amistosa. Se vocês fizerem amizade com o comissário de polícia, recebem alguma vantagem. Se fizerem amizade com o Presidente Nixon, todos serão seus amigos, pois todos estão sob o Presidente. Se vocês querem algo de algum funcionário, simplesmente chamem o Presidente Nixon, e ele dirá: \"Tudo bem, cuidem deste homem.\" De tudo se cuida. Procurem apenas ter amizade com Deus, e todos serão seus amigos. Se todas as pessoas compreendessem este belíssimo fato, que Deus é o amigo de todos e que Ele é o proprietário supremo, elas se tornariam pacíficas. Isto é explicado também pelo Senhor Caitanya.\n\n\n\nNo *Bhagavad-gītā*, no *Śrīmad-Bhāgavatam*, no *Caitanya-caritāmṛta*, ou em qualquer literatura Védica ou qualquer outra literatura em qualquer outra religião, o mesmo fato é apresentado: Deus é o proprietário. Deus é o único amigo. Se vocês compreenderem isto, então terão paz. Esta é a fórmula para a paz. Tão logo vocês invadam a Propriedade de Deus, chamando-a de sua, a natureza material, a ação policial, estará ali: \"Vocês não são o proprietário.\" Vocês podem ter simplesmente o que lhes é destinado por Deus.\n\n\n\nSua tarefa é elevar-se à perfeita consciência de Kṛṣṇa, e nada mais. Se vocês se desviarem desta lei, se não aceitarem este princípio, se quiserem desfrutar mais, então terão de sofrer mais. Não há possibilidade de esquecimento. Por isso, o Senhor Caitanya diz: \"Quem é consciente de Kṛṣṇa não tem exigências. Assim, está em paz.\"\n\n\n\nAqueles em consciência de Kṛṣṇa não conhecem nada além de Kṛṣṇa. Na verdade, apenas aqueles que são conscientes de Kṛṣṇa são pacíficos, sem medo de nada. Não estão nem no céu nem no inferno nem em parte alguma, a não ser com Kṛṣṇa, de modo que, para eles, tudo é Vaikuṇṭha, sem medo. De modo semelhante, o Senhor Kṛṣṇa, como Paramātmā, a Superalma, vive em toda parte. Vive também no coração de um porco. O porco come fezes, mas isso não significa que, por estar o Senhor Supremo no coração do porco, Ele esteja também submetido a tal punição. O Senhor e Seus devotos são sempre transcendentais aos modos da natureza material. Pessoas que são completamente conscientes de Kṛṣṇa são muito raras e muito pacíficas. Dentre milhões e milhões de pessoas, é muito difícil encontrar uma que seja efetivamente consciente de Kṛṣṇa; tão rara é esta posição da consciência de Kṛṣṇa. Mas o próprio Kṛṣṇa, como Senhor Caitanya, vendo a condição lamentável dos dias atuais, está diretamente dando, de forma gratuita, amor a Deus.\n\n\n\nContudo, porque o amor a Deus está sendo dado gratuitamente e tão facilmente, as pessoas não se importam com ele. Meu mestre espiritual costumava dizer que, se vocês pegarem uma manga langera, que é uma manga de primeira classe, da mais elevada qualidade na Índia, muito cara, muito doce e muito saborosa, e forem de porta em porta tentando distribuí-la gratuitamente, as pessoas duvidarão: \"Por que este homem trouxe esta manga langera? Por que está tentando distribuí-la gratuitamente? Deve haver algum motivo por trás disso.\" De modo semelhante, o Senhor Caitanya distribuiu esta manga langera da consciência de Kṛṣṇa muito barato, mas as pessoas são tão tolas que pensam: \"Oh, eles estão simplesmente cantando Hare Kṛṣṇa; o que há nisso? Isto se destina aos tolos, que não conseguem especular e não têm qualquer padrão mais elevado de conhecimento.\" Mas não é assim. Diz-se: \"Dentre milhões e milhões de pessoas, apenas algumas se interessam pela consciência de Kṛṣṇa.\" Não negligenciem esta informação; é muito rara, e, se vocês praticarem a consciência de Kṛṣṇa, sua vida será bem-sucedida. Sua missão na vida humana será cumprida. Esta semente da consciência de Kṛṣṇa é muito rara e muito valiosa. O Senhor Caitanya disse que inumeráveis entidades vivas perambulam e transmigram nas 8.400.000 espécies de vida, uma após a outra. Dentre tantas, pode vir uma que seja afortunada, que tenha fortuna espiritual.\n\n\n\nÀs vezes, os devotos do Senhor vão de porta em porta. Sua política é ir como mendigos. Logo, na Índia, os mendigos, especialmente os sannyāsīs, são muito respeitados. Se um sannyāsī vem à casa pedir esmola, é muito bem recebido: \"Swamījī, o que posso fazer pelo senhor?\" O devoto mendigo não pedirá nada, mas o que quer que se possa dar, mesmo um capātī, torna a pessoa espiritualmente rica. Esse homem que oferece um capātī a um devoto puro que vem à sua porta é feito espiritualmente rico. Quando alguém é avançado em riqueza espiritual, oferece boa recepção aos devotos, na medida do possível. Segundo o sistema Védico, mesmo que seu inimigo venha à sua casa, vocês têm de recebê-lo de tal maneira que esqueçam que ele é seu inimigo. Este é o sistema geral para receber um devoto puro que sacrificou tudo pelo Senhor.\n\n\n\nEstas são instruções para os chefes de família. O chefe de família deve sair de seu lar ao meio-dia e chamar quem quer que esteja com fome para que venha, por favor, e tome o alimento. Apenas se ninguém vier em resposta ao seu chamado é que o chefe da casa pode tomar suas refeições. Há tantas regras e regulações apenas para treinar um homem a tornar-se divino. Não são supersticiosas nem supérfluas. O ser humano deve ser treinado a ser divino. Por ser parte integrante de Deus, lhe é dada a chance de ser treinado. Este treinamento é dado porque, um dia ou outro, a pessoa pode tornar-se consciente de Kṛṣṇa.\n\n\n\nSe, por acaso, durante este treinamento, ele se encontra com um preceptor que é uma pessoa santa e devoto puro do Senhor, então, por tal contato, torna-se puro. Por isso, o Senhor Caitanya disse que a pessoa afortunada que teve algum patrimônio espiritual em seus tratos passados buscará a associação de um devoto puro. A semente da consciência de Kṛṣṇa é recebida pela misericórdia do guru, o mestre espiritual, e pela misericórdia de Kṛṣṇa. Quando o mestre espiritual e o Senhor Kṛṣṇa quiserem que uma pessoa tenha a consciência de Kṛṣṇa, então a semente frutifica muito bem. Esse patrimônio espiritual torna a pessoa afortunada e, assim, ela se torna espiritualmente animada e, então, encontra-se com um mestre espiritual genuíno e, pela graça do mestre espiritual, pode receber a semente da consciência de Kṛṣṇa. Esta é sua urgência interior: \"Onde posso obter esta associação? Onde posso obter esta consciência?\"\n\n\n\nEste processo é recomendado; é o processo geral do avanço espiritual. Kṛṣṇa está dentro de vocês e, tão logo Kṛṣṇa veja que vocês são muito sinceros, que estão buscando, Ele lhes envia um mestre espiritual genuíno. Esta combinação de Kṛṣṇa e do mestre espiritual é a causa de a pessoa receber a semente da consciência de Kṛṣṇa. A semente está ali. Se vocês têm uma boa semente de uma roseira, qual é seu dever? Se têm a semente de qualquer planta boa, é seu dever não trancá-la no cofre de segurança de um banco. Seu dever é semeá-la no solo. Onde devem semear essa semente? Se vocês têm informação da consciência de Kṛṣṇa, semeiem-na em seu coração. Não nesta terra, mas na terra dentro de vocês mesmos. E, depois de semear a semente, têm de derramar um pouco de água sobre ela, de modo que essa água é o ouvir e o cantar. Uma vez que a semente é semeada no coração, derramem apenas um pouco de água, e ela crescerá.\n\n\n\nEste processo não deve ser interrompido pelo pensamento de que, por estar alguém iniciado, não há necessidade de ouvir e cantar. Deve prosseguir continuamente. Se vocês interrompem o derramar de água numa planta, ela secará, não produzirá nenhum fruto. De modo semelhante, mesmo que vocês sejam altamente elevados em consciência de Kṛṣṇa, não podem interromper este processo de ouvir e cantar, pois māyā é tão forte, tão poderosa, que, tão logo veja: \"Ah, aqui está uma oportunidade\", de imediato vocês secarão. Pelo processo de derramar água, essa planta da consciência de Kṛṣṇa cresce. Como cresce? Há um limite para toda planta que vocês veem; ela cresce, cresce e cresce, mas há um limite onde ela para de crescer. Mas a planta da consciência de Kṛṣṇa cresce de tal maneira que não descansa em parte alguma deste universo material, pois uma pessoa consciente de Kṛṣṇa não se satisfaz com facilidades planetárias em parte alguma deste universo material. Mesmo que vocês lhe ofereçam Siddhaloka, onde os habitantes são tão poderosos e elevados que conseguem voar pelo céu sem aviões, ela não ficará satisfeita.\n\n\n\nHá um planeta, Siddhaloka, segundo o *Śrīmad-Bhāgavatam*, onde os habitantes não precisam de aviões nem de naves espaciais para voar de um planeta a outro. Acima de Siddhaloka há muitos outros planetas. Vi que a mais recente opinião moderna é que cada estrela é um sol, e há diferentes sistemas planetários, sistemas solares; mas, segundo a literatura Védica, há inumeráveis universos que são identidades separadas. O limite deste universo é o céu mais externo. O cientista moderno diz que toda e cada estrela é um sol. Mas a literatura Védica não diz isso. A literatura Védica nos informa que há apenas um sol em cada universo, mas há inumeráveis universos e, assim, há inumeráveis sóis e luas. O planeta mais elevado deste universo chama-se Brahmaloka. E o Senhor Kṛṣṇa diz: \"Mesmo que vocês se aproximem do planeta mais elevado, terão de voltar novamente.\" Os foguetes e astronautas estão indo muito alto, e aqui na terra as pessoas aplaudem; mas, após apenas um breve tempo, eles descem de novo. Por mais que se aplauda, não se pode fazer mais do que isso. De modo semelhante, aqueles que são materialistas podem subir bem alto, até Brahmaloka, onde está Brahmā, mas aqueles que são conscientes de Kṛṣṇa rejeitarão até mesmo isso. Eles negligenciam até a impessoal brahmajyoti. Não se importam com ela.\n\n\n\nA cobertura deste universo é muitíssimo maior do que este espaço em que estamos agora. O exterior do universo é dez vezes o espaço interno, de modo que se tem de penetrar essa cobertura e, então, alcançar Virajā, o Oceano Causal. A perfeição filosófica budista é alcançar essa Virajā. Quando esta existência material está completamente acabada, chama-se virajā, segundo a linguagem Védica. Mas a pessoa consciente de Kṛṣṇa não apenas penetra a cobertura deste universo, mas, depois de alcançar esse Oceano Causal, que é a posição neutra, continua. A planta cresce tão bem desde Brahmaloka até Virajā e até o céu espiritual e, mesmo quando essa planta alcança o céu espiritual, não se satisfaz com nenhum planeta Vaikuṇṭha.\n\n\n\nO planeta mais elevado do céu espiritual é Kṛṣṇaloka. É tal como uma flor de lótus, onde Kṛṣṇa está em pé. E ali, quando a planta encontra os pés de lótus de Kṛṣṇa, ela descansa. Tal como um cipó cresce, cresce e cresce e, finalmente, se prende a alguma coisa e então se expande, assim, quando a planta devocional chega aos pés de lótus de Kṛṣṇa, expande-se. Tão logo este cipó da consciência de Kṛṣṇa captura os pés de lótus de Kṛṣṇa, abriga-se ali. \"Ali. Agora terminei minha jornada. Que eu me expanda aqui.\" Expandir-se significa desfrutar a associação de Kṛṣṇa. Ali os devotos estão satisfeitos.\n\n\n\nEsse cipó tem de prosseguir e, assim, aqueles que já estão em consciência de Kṛṣṇa, se têm seu crescimento natural, saboreiam o fruto desse cipó mesmo nesta vida.\n\n\n\nSe vocês continuarem este processo de cantar e ouvir, crescerão e crescerão, e alcançarão efetivamente os pés de lótus de Kṛṣṇa, e ali saborearão Sua associação."}
