import json

d = {}

d["sb/1/10/18"] = {
 "translation": "**Uddhava e Sātyaki começaram a abanar o Senhor com um leque decorado, e o Senhor, como o amo de Madhu, sentado sobre flores espalhadas, dava-lhes ordens ao longo do caminho.**"
}

d["sb/1/10/19"] = {
 "purport": "Em certos lugares, ouviam-se sons de bênçãos Védicas dirigidas à Personalidade de Deus Śrī Kṛṣṇa. As bênçãos eram apropriadas no sentido de que o Senhor desempenhava o papel de um ser humano, como se fosse primo de Mahārāja Yudhiṣṭhira, mas também eram inapropriadas, porque o Senhor é absoluto e nada tem a ver com qualquer espécie de relatividade material. Ele é *nirguṇa*, ou seja, não há nenhuma qualidade material nEle, mas Ele está pleno de qualidades transcendentais. No mundo transcendental, não há nada contraditório, ao passo que, no mundo relativo, tudo tem o seu oposto. No mundo relativo, branco é a concepção oposta a preto, mas, no mundo transcendental, não há distinção entre branco e preto. Por conseguinte, os sons de bênçãos pronunciados aqui e ali pelos eruditos *brāhmaṇas* parecem ser contraditórios em relação à Pessoa Absoluta, mas, quando aplicados à Pessoa Absoluta, perdem toda contradição e tornam-se transcendentais. Um exemplo pode esclarecer essa ideia. O Senhor Śrī Kṛṣṇa é, às vezes, descrito como um ladrão. Ele é muito famoso entre Seus devotos puros como o Makhan-Cora. Em Sua tenra idade, Ele costumava roubar manteiga das casas dos vizinhos em Vṛndāvana. Desde então, Ele é famoso como ladrão. Mas, apesar de ser famoso como ladrão, Ele é adorado como ladrão, ao passo que, no mundo mundano, um ladrão é punido e jamais é louvado. Por ser a Absoluta Personalidade de Deus, tudo Lhe é aplicável e, mesmo assim, apesar de todas as contradições, Ele é a Suprema Personalidade de Deus."
}

d["sb/1/10/2"] = {
 "purport": "Compara-se este mundo a um incêndio na floresta, causado pela fricção das touceiras de bambu. Tal incêndio florestal ocorre automaticamente, pois a fricção dos bambus se dá sem causa externa. De modo semelhante, no mundo material, a ira daqueles que desejam assenhorear-se da natureza material interage, e o fogo da guerra ocorre, exaurindo a população indesejada. Tais incêndios ou guerras acontecem, e o Senhor nada tem a ver com eles. Mas, como deseja manter a criação, Ele quer que a massa do povo siga a senda correta da autorrealização, que capacita os seres vivos a entrar no reino de Deus. O Senhor deseja que os seres humanos sofredores voltem ao lar, de volta a Ele próprio, e cessem de sofrer as tríplices aflições materiais. Todo o plano da criação foi feito dessa maneira, e aquele que não recobra o bom senso sofre no mundo material pelas aflições infligidas pela energia ilusória do Senhor. Por isso, o Senhor deseja que Seu representante genuíno governe o mundo. O Senhor Śrī Kṛṣṇa desceu para estabelecer esse tipo de regime e para matar as pessoas indesejadas que nada têm a ver com Seu plano. A Batalha de Kurukṣetra foi travada de acordo com o plano do Senhor, para que as pessoas indesejáveis pudessem sair do mundo e se estabelecesse um reino pacífico sob a regência de Seu devoto. O Senhor, portanto, ficou plenamente satisfeito quando o rei Yudhiṣṭhira ocupou o trono e a semente da dinastia de Kuru, na pessoa de Mahārāja Parīkṣit, foi salva."
}

d["sb/1/10/20"] = {
 "translation": "**As damas que se encontravam nos terraços de todas as casas de Hastināpura, todas absortas no pensamento das qualidades transcendentais do Senhor, que é cantado em poesia seleta, começaram a falar dEle. Essa conversa era mais atraente do que os hinos dos Vedas.**",
 "purport": "No Bhagavad-gītā, afirma-se que, em toda a literatura Védica, a meta é a Personalidade de Deus Śrī Kṛṣṇa. De fato, as glórias do Senhor são descritas em literaturas como os Vedas, o Rāmāyaṇa e o Mahābhārata. E, no Bhāgavatam, elas são mencionadas especificamente em relação ao Senhor Supremo. Por conseguinte, enquanto as damas nos terraços das casas da capital dos reis da dinastia Kuru falavam sobre o Senhor, elas eram mais agradáveis do que os hinos Védicos. Qualquer coisa cantada em louvor ao Senhor é Śruti-mantra. Há canções de Ṭhākur Narottama Dāsa, um dos ācāryas da Gauḍīya-sampradāya, compostas em bengali simples. Mas Ṭhākur Viśvanātha Cakravartī, outro ācārya muito erudito da mesma sampradāya, aprovou as canções de Ṭhākur Narottama Dāsa como sendo tão boas quanto os mantras Védicos. E assim é devido ao tema. A linguagem é irrelevante, mas o tema é importante. As damas, todas absortas no pensamento e nas ações do Senhor, desenvolveram a consciência da sabedoria Védica pela graça do Senhor. Por conseguinte, embora tais damas talvez não fossem grandes eruditas em sânscrito ou em outra coisa, ainda assim tudo o que falavam era mais atraente do que os hinos Védicos. Os hinos Védicos dos Upaniṣads, às vezes, dirigem-se indiretamente ao Senhor Supremo. Mas as conversas das damas falavam diretamente do Senhor e, dessa maneira, eram mais agradáveis ao coração. As conversas das damas pareciam ser mais valiosas do que as bênçãos dos eruditos brāhmaṇas."
}

d["sb/1/10/21"] = {
 "purport": "Há dois tipos de dissolução do cosmos manifesto. Ao final de cada 4.320.000.000 de anos solares, quando Brahmā, o senhor de um determinado universo, vai dormir, ocorre uma aniquilação. E ao final da vida de Brahmā, que ocorre ao término de seus cem anos de idade — em nosso cálculo, ao final de 8.640.000.000 x 30 x 12 x 100 anos solares —, há a aniquilação completa de todo o universo, e, em ambos os períodos, tanto a energia material chamada mahat-tattva quanto a energia marginal chamada jīva-tattva imergem na pessoa do Senhor Supremo. Os seres vivos permanecem adormecidos dentro do corpo do Senhor até que haja outra criação do mundo material, e essa é a maneira da criação, manutenção e aniquilação da manifestação material.\n\nA criação material efetua-se pela interação dos três modos da natureza material postos em ação pelo Senhor e, por isso, afirma-se aqui que o Senhor existia antes que os modos da natureza material fossem postos em movimento. No Śruti-mantra, diz-se que apenas Viṣṇu, o Senhor Supremo, existia antes da criação, e não havia Brahmā, Śiva nem outros semideuses. Viṣṇu refere-se ao Mahā-Viṣṇu, que repousa no Oceano Causal, e apenas por Sua respiração todos os universos são gerados em sementes e gradualmente se desenvolvem em formas gigantescas, com inumeráveis planetas dentro de cada universo. As sementes dos universos desenvolvem-se em formas gigantescas da mesma forma que as sementes de uma figueira-de-bengala se desenvolvem em incontáveis figueiras-de-bengala.\n\nEsse Mahā-Viṣṇu é a porção plenária do Senhor Śrī Kṛṣṇa, que é mencionado na Brahma-saṁhitā da seguinte maneira:\n\n\"Ofereço minhas respeitosas reverências à original Personalidade de Deus, Govinda, cuja porção plenária é o Mahā-Viṣṇu. Todos os Brahmās, ou os senhores dos universos, vivem apenas durante o período de Sua expiração, após os universos serem gerados a partir dos poros de Seu corpo transcendental.\" (Brahma-saṁhitā 5.58).\n\nDessa maneira, Govinda, ou o Senhor Kṛṣṇa, é também a causa do Mahā-Viṣṇu. As damas que falavam sobre essa verdade Védica devem tê-la ouvido de fontes autorizadas. Uma fonte autorizada é o único meio de conhecer definitivamente o tema transcendental. Não há outra alternativa.\n\nA imersão dos seres vivos no corpo de Mahā-Viṣṇu ocorre automaticamente ao final dos cem anos de Brahmā. Mas isso não significa que o ser vivo individual perca sua identidade. A identidade permanece e, tão logo haja outra criação pela vontade suprema do Senhor, todos os seres vivos adormecidos ou inativos são novamente soltos para começar suas atividades na continuação das diferentes esferas de vida anteriores. Isso se chama suptotthita naya, ou o despertar do sono e a nova ocupação no respectivo dever contínuo de cada um. Quando um homem está dormindo à noite, ele se esquece de si mesmo, do que é, de qual é seu dever e de tudo o que se refere a seu estado de vigília. Mas, tão logo desperta do sono, ele se lembra de tudo o que tem a fazer e, assim, ocupa-se novamente em suas atividades prescritas. Os seres vivos, igualmente, permanecem imersos no corpo de Mahā-Viṣṇu durante o período de aniquilação, mas, tão logo haja outra criação, eles se erguem para retomar seu trabalho inacabado. Isso também se confirma no Bhagavad-gītā (8.18-20).\n\nO Senhor existia antes que a energia criadora fosse posta em ação. O Senhor não é um produto da energia material. Seu corpo é completamente espiritual, e não há diferença entre Seu corpo e Ele próprio. Antes da criação, o Senhor permanecia em Sua morada, que é absoluta e una."
}

d["sb/1/10/22"] = {
 "translation": "**A Personalidade de Deus, desejando novamente dar nomes e formas a Suas partes integrantes, as entidades vivas, colocou-as sob a orientação da natureza material. Por Sua própria potência, a natureza material é capacitada a recriar.**",
 "purport": "As entidades vivas são partes integrantes do Senhor. Há duas variedades delas, a saber, as nitya-mukta e as nitya-baddha. As nitya-muktas são almas eternamente liberadas e ocupam-se eternamente na reciprocidade do serviço amoroso transcendental com o Senhor em Sua morada eterna, além das criações mundanas manifestas. Mas as nitya-baddhas, ou almas eternamente condicionadas, são confiadas à Sua energia externa, māyā, para a retificação de sua atitude rebelde para com o Pai Supremo. As nitya-baddhas se esquecem eternamente de sua relação com o Senhor como partes integrantes. Elas se deixam confundir pela energia ilusória, na qualidade de produtos da matéria, e, assim, estão muito ocupadas em fazer planos no mundo material para se tornarem felizes. Elas prosseguem alegremente com seus planos, mas, pela vontade do Senhor, tanto os planejadores quanto os planos são aniquilados ao final de certo período, como mencionado acima. Isso se confirma no Bhagavad-gītā da seguinte maneira: \"Ó filho de Kuntī, quando o período de um kalpa [a duração da vida de Brahmā] termina, todas as entidades vivas imergem em Minha natureza, e, novamente, quando o tempo da criação amadurece, dou início à criação por intermédio de Minha energia externa.\" (Bg. 9.7)\n\nA palavra bhūyaḥ indica repetidas vezes, ou seja, o processo de criação, manutenção e aniquilação prossegue perpetuamente pela energia externa do Senhor. Ele é a causa de tudo. Mas os seres vivos, que são constitucionalmente as partes integrantes do Senhor e se esquecem da doce relação, recebem novamente a oportunidade de livrar-se das garras da energia externa. E, para reviver a consciência dele (do ser vivo), o Senhor também cria as escrituras reveladas. As literaturas Védicas são as instruções orientadoras para as almas condicionadas, a fim de que possam libertar-se da repetição da criação e aniquilação do mundo material e do corpo material.\n\nO Senhor diz no Bhagavad-gītā: \"Este mundo criado e a energia material estão sob Meu controle. Sob a influência de prakṛti, eles são automaticamente criados repetidas vezes, e isso é feito por Mim por intermédio de Minha energia externa.\"\n\nNa verdade, as entidades vivas, faíscas espirituais, não têm nomes nem formas materiais. Mas, a fim de satisfazer seu desejo de assenhorear-se da energia material de formas e nomes materiais, elas recebem a oportunidade desse falso desfrute e, ao mesmo tempo, recebem a oportunidade de compreender sua verdadeira posição por meio das escrituras reveladas. O ser vivo tolo e esquecido está sempre ocupado com formas falsas e nomes falsos. O nacionalismo moderno é a culminação desses nomes falsos e formas falsas. Os homens estão enlouquecidos atrás de nomes e formas falsos. A forma do corpo, obtida sob determinadas condições, é tomada como fato real, e o nome também adotado leva a alma condicionada a usar mal a energia em nome de tantos \"ismos\". As escrituras, contudo, fornecem a chave para compreender a verdadeira posição, mas os homens relutam em aprender as lições das escrituras criadas pelo Senhor para diferentes lugares e épocas. Por exemplo, o Bhagavad-gītā é o princípio orientador para todo ser humano, mas, pelo encanto da energia material, eles não se esmeram em conduzir os programas da vida em conformidade com o Bhagavad-gītā. O Śrīmad-Bhāgavatam é o estudo de pós-graduação do conhecimento para aquele que compreendeu cabalmente os princípios do Bhagavad-gītā. Infelizmente, eles não têm gosto por essas obras e, por isso, estão sob as garras de māyā para a repetição de nascimento e morte."
}

d["sb/1/10/23"] = {
 "purport": "Como se afirma no Bhagavad-gītā, o Senhor só pode ser conhecido em Sua verdadeira natureza por meio do serviço devocional puro. Assim, afirma-se aqui que somente os grandes devotos do Senhor, que são capazes de limpar a mente de toda a poeira material por meio do rígido serviço devocional, podem experimentar o Senhor como Ele é. Jitendriyā significa aquele que tem pleno controle sobre os sentidos. Os sentidos são partes ativas do corpo, e suas atividades não podem ser detidas. O meio artificial dos processos iogues para tornar os sentidos inativos provou ser um abjeto fracasso, mesmo no caso de grandes yogīs como Viśvāmitra Muni. Viśvāmitra Muni controlou os sentidos por meio do transe iogue, mas, quando por acaso encontrou Menakā (uma mulher da sociedade celestial), tornou-se vítima do sexo, e a maneira artificial de controlar os sentidos fracassou. Mas, no caso de um devoto puro, os sentidos não são absolutamente impedidos de modo artificial de fazer qualquer coisa; ao contrário, recebem diferentes boas ocupações. Quando os sentidos se ocupam em atividades mais atraentes, não há possibilidade de serem atraídos por quaisquer outras ocupações inferiores. No Bhagavad-gītā, diz-se que os sentidos só podem ser controlados por meio de melhores ocupações. O serviço devocional requer purificar os sentidos ou ocupá-los nas atividades do serviço devocional. O serviço devocional não é inação. Tudo o que se faz em serviço ao Senhor torna-se imediatamente purificado de sua natureza material. A concepção material deve-se unicamente à ignorância. Não há nada além de Vāsudeva. A concepção de Vāsudeva desenvolve-se gradualmente no coração do erudito após uma prolongada aceleração dos órgãos receptivos. Mas o processo termina no conhecimento de aceitar Vāsudeva como o tudo em tudo. No caso do serviço devocional, esse mesmíssimo método é aceito desde o próprio início, e, pela graça do Senhor, todo conhecimento verdadeiro revela-se no coração de um devoto graças ao ditame do Senhor a partir de dentro. Por conseguinte, controlar os sentidos por meio do serviço devocional é o único e mais fácil meio."
}

d["sb/1/10/24"] = {
 "purport": "Como se afirma no Bhagavad-gītā, toda a literatura Védica glorifica a grandeza do Senhor Śrī Kṛṣṇa. Isso é confirmado também aqui no Bhāgavatam. Os Vedas são expandidos em muitos ramos e subramos por grandes devotos e encarnações dotadas de poder do Senhor, como Vyāsa, Nārada, Śukadeva Gosvāmī, os Kumāras, Kapila, Prahlāda, Janaka, Bali, Yamarāja, etc., mas, especialmente no Śrīmad-Bhāgavatam, as partes confidenciais de Suas atividades são descritas pelo devoto confidencial Śukadeva Gosvāmī. Nos Vedānta-sūtras, ou Upaniṣads, há apenas um indício das partes confidenciais de Seus passatempos. Em literaturas Védicas como os Upaniṣads, etc., o Senhor foi expressivamente distinguido da concepção mundana de Sua existência. Sendo Sua identidade plenamente espiritual, Sua forma, Seu nome, Sua qualidade, Sua parafernália, etc., foram elaboradamente distinguidos da matéria e, por isso, Ele é, às vezes, mal compreendido pelas pessoas menos inteligentes como impessoal. Mas, de fato, Ele é a Pessoa Suprema, Bhagavān, e está parcialmente representado como o Paramātmā ou o Brahman impessoal."
}

d["sb/1/10/25"] = {
 "purport": "Como se mencionou acima, a criação cósmica é a propriedade do Senhor Supremo. Essa é a filosofia básica do Īśopaniṣad: tudo é a propriedade do Ser Supremo. Ninguém deve usurpar a propriedade do Senhor Supremo. Deve-se aceitar apenas aquilo que Ele bondosamente concede. Por conseguinte, a Terra, ou qualquer outro planeta ou universo, é a propriedade absoluta do Senhor. Os seres vivos são certamente Suas partes integrantes, ou filhos, e, assim, cada um deles tem o direito de viver pela misericórdia do Senhor para executar seu trabalho prescrito. Ninguém, portanto, pode usurpar o direito de outro homem ou animal individual sem ser sancionado para tanto pelo Senhor. O rei, ou o administrador, é o representante do Senhor para cuidar da administração da vontade do Senhor. Ele deve, portanto, ser uma pessoa reconhecida, como Mahārāja Yudhiṣṭhira ou Parīkṣit. Tais reis têm plena responsabilidade e conhecimento, recebido das autoridades, sobre a administração do mundo. Mas, por vezes, devido à influência do modo da ignorância da natureza material (tamo-guṇa), ou o mais baixo dos modos materiais, reis e administradores chegam ao poder sem conhecimento nem responsabilidade, e tais administradores tolos vivem como animais em prol de seu próprio interesse pessoal. O resultado é que toda a atmosfera fica carregada de anarquia e elementos viciosos. Nepotismo, suborno, trapaça, agressão e, por isso, fome, epidemia, guerra e outros traços perturbadores semelhantes tornam-se proeminentes na sociedade humana. E os devotos do Senhor, ou os fiéis, são perseguidos por todos os meios. Todos esses sintomas indicam a hora de uma encarnação do Senhor, para restabelecer os princípios da religião e aniquilar os maus administradores. Isso também se confirma no Bhagavad-gītā.\n\nO Senhor, então, aparece em Sua forma transcendental, sem qualquer vestígio de qualidades materiais. Ele desce apenas para manter o estado de Sua criação em condições normais. A condição normal é que o Senhor proveu cada planeta com todas as necessidades dos seres vivos nativos. Eles podem viver felizes e executar suas ocupações predestinadas, a fim de alcançar a salvação no final, seguindo as regras e regulações mencionadas nas escrituras reveladas. O mundo material é criado para satisfazer os caprichos das nitya-baddhas, ou almas eternamente condicionadas, assim como se fornecem berços de brinquedo aos meninos travessos. De outro modo, não haveria necessidade do mundo material. Mas, quando elas se embriagam com o poder da ciência material para explorar os recursos ilegalmente, sem a sanção do Senhor, e isso apenas para a gratificação dos sentidos, há a necessidade da encarnação do Senhor para castigar os rebeldes e proteger os fiéis.\n\nQuando Ele desce, exibe atos sobre-humanos justamente para provar Seu supremo direito, e materialistas como Rāvaṇa, Hiraṇyakaśipu, Kaṁsa, etc., são suficientemente punidos. Ele age de uma maneira que ninguém pode imitar. Por exemplo, o Senhor, quando apareceu como Rāma, construiu uma ponte sobre o Oceano Índico. Quando apareceu como Kṛṣṇa, desde Sua própria infância mostrou atividades sobre-humanas ao matar Pūtanā, Aghāsura, Śakaṭāsura, Kāliya, etc., e depois Seu tio materno Kaṁsa. Quando esteve em Dvārakā, Ele desposou 16.108 rainhas, e todas elas foram abençoadas com um número suficiente de filhos. A soma total dos membros de Sua família pessoal alcançava cerca de 100.000, popularmente conhecidos como a Yadu-vaṁśa. E, novamente, durante Sua vida, Ele providenciou para aniquilá-los a todos. Ele é famoso como o Govardhanadhari Hari, porque, com apenas sete anos de idade, ergueu a colina conhecida como Govardhana. O Senhor matou muitos reis indesejáveis em Seu tempo e, como kṣatriya, combateu galhardamente. Ele é famoso como o asamaurdha, o incomparável. Ninguém é igual ou superior a Ele."
}

d["sb/1/10/26"] = {
 "purport": "No Bhagavad-gītā, a Personalidade de Deus Śrī Kṛṣṇa deu uma descrição expressiva de Seu aparecimento, desaparecimento e atividades transcendentais. O Senhor aparece em determinada família ou lugar por Sua potência inconcebível. Ele não nasce como uma alma condicionada que abandona seu corpo e aceita outro corpo. Seu nascimento, porém, é como o aparecimento e o desaparecimento do Sol. O Sol surge no horizonte oriental, mas isso não significa que o horizonte oriental seja o genitor do Sol. O Sol está presente em todas as partes do sistema solar, mas torna-se visível em um horário programado e, igualmente, torna-se invisível em outro horário programado. De modo semelhante, o Senhor aparece neste universo como o Sol e, em outro momento, novamente desaparece de nossa vista. Ele existe em todos os tempos e em todos os lugares, mas, por Sua misericórdia imotivada, quando aparece diante de nós, tomamos como certo que Ele nasceu. Quem quer que possa compreender essa verdade, em conformidade com as afirmações das escrituras reveladas, certamente se liberta logo após abandonar o corpo atual. A liberação obtém-se após muitos nascimentos e após grande esforço de paciência e perseverança, em conhecimento e renúncia. Mas, simplesmente por conhecer em verdade os nascimentos e as atividades transcendentais do Senhor, a pessoa pode obter a liberação de imediato. Esse é o veredito do Bhagavad-gītā. Aqueles, porém, que estão na escuridão da ignorância concluem que o nascimento e as atividades do Senhor no mundo material são semelhantes aos do ser vivo comum. Tais conclusões imperfeitas não podem dar a ninguém a liberação. Seu nascimento, portanto, na família do rei Yadu como filho do rei Vāsudeva, e Sua transferência para a família de Nanda Mahārāja na terra de Mathurā, são todas providências transcendentais feitas pela potência interna do Senhor. As fortunas da dinastia Yadu e as dos habitantes da terra de Mathurā não podem ser materialmente avaliadas. Se, simplesmente por conhecer a natureza transcendental do nascimento e das atividades do Senhor, a pessoa pode obter facilmente a liberação, podemos apenas imaginar o que está reservado para aqueles que de fato desfrutaram da companhia do Senhor em pessoa, como membro da família ou como vizinho. Todos aqueles que foram afortunados o bastante para associar-se com o Senhor, o esposo da deusa da fortuna, certamente obtiveram algo mais do que aquilo que se conhece como liberação. Por conseguinte, com toda a razão, tanto a dinastia quanto a terra são eternamente gloriosas pela graça do Senhor."
}

d["sb/1/10/27"] = {
 "purport": "Os planetas celestiais são habitados por semideuses como Indra, Candra, Varuṇa, Vāyu, etc., e as almas piedosas chegam lá após a realização de muitos atos virtuosos na Terra. Os cientistas modernos concordam também que o arranjo do tempo nos sistemas planetários superiores é diferente do da Terra. Assim, compreende-se, das escrituras reveladas, que a duração da vida lá é de 10.000 anos (por nosso cálculo). Seis meses na Terra equivalem a um dia nos planetas celestiais. As facilidades de desfrute são igualmente acrescidas, e a beleza dos habitantes é lendária. Os homens comuns na Terra são muito afeiçoados a alcançar os planetas celestiais, porque ouviram dizer que os confortos da vida lá são muito maiores do que na Terra. Eles agora tentam alcançar a Lua por meio de naves espaciais. Considerando tudo isso, os planetas celestiais são mais célebres do que a Terra. Mas a celebridade da Terra superou a dos planetas celestiais por causa de Dvārakā, onde o Senhor Śrī Kṛṣṇa reinou como Rei. Três lugares, a saber, Vṛndāvana, Mathurā e Dvārakā, são mais importantes do que os famosos planetas dentro do universo. Esses lugares são perpetuamente santificados, porque, sempre que o Senhor desce à Terra, Ele exibe Suas atividades transcendentais particularmente nesses três lugares. Eles são perpetuamente as terras sagradas do Senhor, e os habitantes ainda tiram proveito desses lugares sagrados, embora o Senhor esteja agora fora de sua vista. O Senhor é a alma de todos os seres vivos, e Ele sempre deseja ter todos os seres vivos, em sua svarūpa, ou em sua posição constitucional, participando da vida transcendental em Sua associação. Seus traços atraentes e Seus doces sorrisos penetram profundamente no coração de todos e, uma vez que isso acontece, o ser vivo é admitido no reino de Deus, de onde ninguém retorna. Isso se confirma no Bhagavad-gītā.\n\nOs planetas celestiais podem ser muito famosos por oferecer melhores facilidades de desfrute material, mas, como aprendemos do Bhagavad-gītā (Bg. 9.20-21), a pessoa tem de retornar novamente ao planeta Terra tão logo se esgote a virtude adquirida. Dvārakā é certamente mais importante do que os planetas celestiais, porque quem quer que tenha sido favorecido com o olhar sorridente do Senhor jamais retornará a esta Terra apodrecida, que é atestada pelo próprio Senhor como um lugar de miséria. Não só esta Terra, mas também todos os planetas dos universos são lugares de miséria, porque em nenhum dos planetas dentro do universo há vida eterna, bem-aventurança eterna e conhecimento eterno. Recomenda-se que qualquer pessoa ocupada no serviço devocional do Senhor viva em um dos três lugares mencionados acima, a saber, Dvārakā, Mathurā ou Vṛndāvana. Como o serviço devocional nesses três lugares é magnificado, aqueles que vão até lá para seguir os princípios em conformidade com as instruções transmitidas nas escrituras reveladas certamente alcançam o mesmo resultado obtido durante a presença do Senhor Śrī Kṛṣṇa. Sua morada e Ele próprio são idênticos, e um devoto puro, sob a orientação de outro devoto experiente, pode obter todos os resultados, mesmo no presente."
}

d["sb/1/10/28"] = {
 "translation": "**Ó amigas, pensai apenas em Suas esposas, cujas mãos Ele aceitou. Como elas devem ter cumprido votos, banhos, sacrifício de fogo e perfeita adoração ao Senhor do universo para agora saborear constantemente o néctar de Seus lábios [ao beijá-lO]! As donzelas de Vrajabhūmi muitas vezes desmaiavam só de esperar tais favores.**",
 "purport": "Os ritos religiosos prescritos nas escrituras destinam-se a purificar as qualidades mundanas das almas condicionadas, a fim de capacitá-las a serem gradualmente promovidas à fase de prestar serviço transcendental ao Senhor Supremo. A obtenção dessa fase de vida espiritual pura é a mais elevada perfeição, e essa fase chama-se svarūpa, ou a identidade real do ser vivo. Liberação significa renovar essa fase de svarūpa. Nessa fase perfeita de svarūpa, o ser vivo estabelece-se em cinco modalidades de serviço amoroso, uma das quais é a fase de mādhurya-rasa, ou o humor do amor conjugal. O Senhor é sempre perfeito em Si mesmo e, assim, Ele não anseia por nada para Si. Ele, contudo, torna-Se um amo, um amigo, um filho ou um esposo para satisfazer o intenso amor do devoto em questão. Aqui se mencionam duas classes de devotos do Senhor na fase do amor conjugal. Uma é svakīyā, e a outra é parakīyā. Ambas estão em amor conjugal com a Personalidade de Deus Kṛṣṇa. As rainhas de Dvārakā eram svakīyā, ou esposas devidamente desposadas, mas as donzelas de Vraja eram jovens amigas do Senhor enquanto Ele era solteiro. O Senhor permaneceu em Vṛndāvana até a idade de dezesseis anos, e Suas relações de amizade com as moças vizinhas eram em termos de parakīyā. Essas moças, bem como as rainhas, submeteram-se a severas penitências, cumprindo votos, banhando-se e oferecendo sacrifício no fogo, como prescrito nas escrituras. Os ritos, como são, não constituem um fim em si mesmos, tampouco a ação fruitiva, o cultivo do conhecimento ou a perfeição em poderes místicos são fins em si mesmos. São todos meios para alcançar a mais elevada fase de svarūpa, a fim de prestar serviço transcendental constitucional ao Senhor. Cada ser vivo tem sua posição individual em uma das cinco diferentes espécies de meios de reciprocidade com o Senhor mencionadas acima e, em sua forma espiritual pura de svarūpa, a relação manifesta-se sem afinidade mundana. O beijo do Senhor, quer por Suas esposas, quer por Suas jovens amigas que aspiravam a ter o Senhor como noivo, não é de nenhuma qualidade mundana pervertida. Se tais coisas fossem mundanas, uma alma liberada como Śukadeva não teria se dado ao trabalho de saboreá-las, nem o Senhor Śrī Caitanya Mahāprabhu teria se inclinado a participar desses temas após renunciar à vida mundana. Essa fase conquista-se após muitas vidas de penitência."
}

d["sb/1/10/29"] = {
 "translation": "**Pradyumna, Sāmba, Ambā, etc., são Seus filhos, e damas como Rukmiṇī, Satyabhāmā, Jāmbavatī, etc., foram levadas à força por Ele quando as selecionou como noivas após derrotar muitos reis poderosos, encabeçados por Śiśupāla. E outras damas também foram levadas à força por Ele depois que Ele matou Bhaumāsura e milhares de seus assistentes. Todas elas são gloriosas.**",
 "purport": "As filhas excepcionalmente qualificadas de reis poderosos tinham permissão para fazer sua própria escolha de noivo em competição aberta, e tais cerimônias eram chamadas svayaṁvara, ou a seleção do noivo. E, por se tratar de competição aberta entre os príncipes rivais e valentes, tais príncipes eram convidados pelos pais da princesa, e geralmente havia combates regulares entre a ordem principesca convidada, num espírito esportivo; mas acontecia que, às vezes, os príncipes beligerantes eram mortos nesse combate matrimonial, e ao príncipe vitorioso era oferecida a princesa-troféu pela qual tantos príncipes morreram. Rukmiṇī, a principal rainha do Senhor Kṛṣṇa, era filha do rei de Vidarbha, que desejava que sua qualificada e bela filha fosse dada ao Senhor Kṛṣṇa. Mas seu irmão mais velho queria que ela fosse dada ao rei Śiśupāla, que por acaso era primo de Kṛṣṇa. Houve, então, competição aberta e, como de costume, o Senhor Kṛṣṇa saiu vitorioso, após atormentar Śiśupāla e os demais príncipes com Sua incomparável bravura. Rukmiṇī teve dez filhos, como Pradyumna, etc. Houve também outras rainhas levadas pelo Senhor Kṛṣṇa de maneira semelhante. A descrição completa desse belo espólio do Senhor Kṛṣṇa será dada no Décimo Canto. Havia 16.100 belas moças que eram filhas de muitos reis e foram roubadas à força por Bhaumāsura, que as mantinha cativas para seu desejo carnal. Essas moças oraram lastimosamente ao Senhor Kṛṣṇa por sua libertação e, chamado por suas fervorosas preces, o misericordioso Senhor libertou-as a todas, combatendo e matando Bhaumāsura. Todas essas princesas cativas foram então aceitas pelo Senhor como Suas esposas, embora, na estimativa da sociedade, fossem todas moças decaídas. O Senhor Kṛṣṇa, todo-poderoso, aceitou as humildes preces dessas moças e desposou-as com a adoração devida a rainhas. Assim, ao todo, o Senhor Kṛṣṇa teve 16.108 rainhas em Dvārakā e, em cada uma delas, gerou dez filhos. Todos esses filhos cresceram, e cada um teve tantos filhos quanto o pai. O número total da família alcançou 10.000.000."
}

d["sb/1/10/3"] = {
 "purport": "A moderna lei inglesa de primogenitura, ou a lei de herança pelo primogênito, também vigorava naqueles dias em que Mahārāja Yudhiṣṭhira governava a terra e os mares. Naqueles dias, o rei de Hastināpura (atualmente parte de Nova Delhi) era o imperador do mundo, incluindo os mares, até a época de Mahārāja Parīkṣit, o neto de Mahārāja Yudhiṣṭhira. Seus irmãos mais novos atuavam como seus ministros e comandantes do Estado, e havia plena cooperação entre os perfeitamente religiosos irmãos do rei. Mahārāja Yudhiṣṭhira era o rei ideal, ou o representante do Senhor Śrī Kṛṣṇa para governar o reino da terra, e era comparável ao rei Indra, o governante representante do planeta celestial. Os semideuses como Indra, Candra, Sūrya, Varuṇa e Vāyu, etc., são os reis representantes dos diferentes planetas do universo e, de modo semelhante, Mahārāja Yudhiṣṭhira também era um deles, governando o reino da Terra. Mahārāja Yudhiṣṭhira não era um típico líder político não esclarecido da democracia moderna. Mahārāja Yudhiṣṭhira foi instruído por Bhīṣmadeva e também pelo infalível Senhor e, por isso, tinha pleno conhecimento de tudo em perfeição.\n\nO moderno chefe executivo eleito de um Estado é como um fantoche, pois não tem poder régio. Mesmo que seja esclarecido como Mahārāja Yudhiṣṭhira, ele não pode fazer nada por sua própria boa vontade, devido à sua posição constitucional. Por isso, há tantos Estados sobre a Terra em disputa por causa de diferenças ideológicas ou de outros motivos egoístas. Mas um rei como Mahārāja Yudhiṣṭhira não tinha ideologia própria. Ele tinha apenas de seguir as instruções do infalível Senhor e do representante e agente autorizado do Senhor, Bhīṣmadeva. Os śāstras instruem que se deve seguir a grande autoridade e o infalível Senhor, sem qualquer motivo pessoal nem ideologia fabricada. Por conseguinte, foi possível a Mahārāja Yudhiṣṭhira governar o mundo inteiro, incluindo os mares, porque os princípios eram infalíveis e universalmente aplicáveis a todos. A concepção de um único Estado mundial só pode realizar-se se pudermos seguir a autoridade infalível. Um ser humano imperfeito não pode criar uma ideologia aceitável para todos. Somente o perfeito e o infalível podem criar um programa que seja aplicável em todos os lugares e possa ser seguido por todos no mundo. É a pessoa que governa, e não o governo impessoal. Se a pessoa é perfeita, o governo é perfeito. Se a pessoa é tola, o governo é um paraíso de tolos. Essa é a lei da natureza. Há tantas histórias de reis ou chefes executivos imperfeitos. Por isso, o chefe executivo deve ser uma pessoa treinada como Mahārāja Yudhiṣṭhira, e deve ter pleno poder autocrático para governar o mundo. A concepção de um Estado mundial só pode tomar forma sob o regime de um rei perfeito como Mahārāja Yudhiṣṭhira. O mundo era feliz naqueles dias porque havia reis como Mahārāja Yudhiṣṭhira para governá-lo."
}

json.dump(d, open('/tmp/retrans/out/pt/batch_089.json','w'), ensure_ascii=False, indent=1)
print("wrote", len(d), "refs")
