import json

d = {}

d["sb/2/10/26"] = {
 "translation": "**Em seguida, para o prazer sexual, a procriação de descendentes e a degustação do néctar celestial, o Senhor desenvolveu os órgãos genitais, e assim há o órgão genital e sua deidade controladora, o Prajāpati. O objeto do prazer sexual e a deidade controladora estão sob o controle dos órgãos genitais do Senhor.**",
 "purport": "O prazer celestial para a alma condicionada é o prazer sexual, e este prazer é saboreado pelos órgãos genitais. A mulher é o objeto do prazer sexual, e tanto a percepção sensorial do prazer sexual quanto a mulher são controladas pelo Prajāpati, que está sob o controle dos órgãos genitais do Senhor. O impersonalista deve aprender com este verso que o Senhor não é impessoal, pois Ele tem Seus órgãos genitais, dos quais dependem todos os objetos prazerosos do sexo. Ninguém se daria ao trabalho de manter filhos se não houvesse o sabor do néctar celestial por meio da relação sexual. Este mundo material é criado para dar uma oportunidade às almas condicionadas de se rejuvenescerem para voltar ao lar, voltar ao Supremo, e, por conseguinte, a geração do ser vivo é necessária para a manutenção do propósito da criação. O prazer sexual é um impulso para tal ação e, dessa forma, pode-se até mesmo servir ao Senhor no ato desse prazer sexual. O serviço é contabilizado quando os filhos nascidos desse prazer sexual são devidamente treinados em consciência de Deus. Toda a ideia da criação material é reavivar a consciência de Deus adormecida da entidade viva. Em outras formas de vida, além da forma humana, o prazer sexual é proeminente apenas, sem nenhum motivo de serviço à missão do Senhor. Mas, na forma humana de vida, a alma condicionada pode prestar serviço ao Senhor ao criar progênie adequada para que se alcance a salvação. Pode-se gerar centenas de filhos e desfrutar do prazer celestial da relação sexual, contanto que se seja capaz de treinar os filhos em consciência de Deus. Caso contrário, gerar filhos está no nível do porco. Aliás, o porco é mais perito que o ser humano, pois o porco pode gerar uma dúzia de leitões de uma só vez, ao passo que o ser humano pode dar à luz apenas um de cada vez. Portanto, deve-se sempre lembrar que os órgãos genitais, o prazer sexual, a mulher e os descendentes estão todos relacionados ao serviço ao Senhor, e aquele que se esquece dessa relação no serviço ao Senhor Supremo fica sujeito às três espécies de misérias da existência material pelas leis da natureza. A percepção do prazer sexual existe até no corpo do cão, mas não há nenhum senso de consciência de Deus. A forma humana de vida distingue-se da do cão pela percepção da consciência de Deus."
}

d["sb/2/10/28"] = {
 "purport": "O prāṇa-vāyu dá continuidade à vida, e o apāna-vāyu detém a força vital. E ambas as vibrações são geradas a partir do orifício abdominal, o umbigo. Este umbigo é a junção de um corpo a outro. O Senhor Brahmā nasceu do orifício abdominal de Garbhodakaśāyī Viṣṇu como um corpo separado, e o mesmo princípio é seguido até mesmo no nascimento de qualquer corpo comum. O corpo da criança desenvolve-se a partir do corpo da mãe, e, quando a criança é separada do corpo da mãe, é separada cortando-se a junção do umbigo. E é dessa maneira que o Senhor Supremo manifestou-Se como muitos separados. As entidades vivas são, portanto, partes separadas e, assim, não têm independência."
}

d["sb/2/10/29"] = {
 "translation": "**Quando houve o desejo de ter alimento e bebida, o abdômen e os intestinos e também as artérias se manifestaram. Os rios e os mares são a fonte de sua sustentação e metabolismo.**",
 "purport": "As deidades controladoras dos intestinos são os rios, e as das artérias, os mares. O preenchimento do ventre com alimento e bebida é a causa da sustentação, e o metabolismo do alimento e da bebida repõe o desgaste das energias corporais. Portanto, a saúde do corpo depende das ações sadias dos intestinos e das artérias. Os rios e os mares, sendo as deidades controladoras dos dois, mantêm os intestinos e as artérias em ordem sadia.\n\nTEXT 30 nididhyāsor ātma-māyāṁ\n\nhṛdayaṁ nirabhidyata\n\ntato manaś candra iti\n\nsaṅkalpaḥ kāma eva ca\n\nnididhyāsoḥ–desejando conhecer; ātma-māyām–a própria energia; hṛdayam–a localização da mente; nirabhidyata–manifestou-se; tataḥ–em seguida; manaḥ–a mente; candraḥ–a deidade controladora da mente, a lua; iti–assim; saṅkalpaḥ–determinação; kāmaḥ–desejo; eva–tanto quanto; ca–também.\n\nTRADUÇÃO\n\nQuando houve o desejo de pensar acerca das atividades de Sua própria energia, então o coração, a sede da mente, a mente, a lua, a determinação e todo desejo manifestaram-se.\n\nSIGNIFICADO\n\nO coração de toda entidade viva é a sede da Superalma, o Paramātmā, uma expansão plenária da Suprema Personalidade de Deus. Sem Sua presença, a entidade viva não pode entrar na energia atuante conforme seus feitos passados. As entidades vivas que estão condicionadas no mundo material manifestam-se na criação conforme as respectivas inclinações inerentes a elas, e o corpo material requerido é oferecido a cada uma delas pela energia material sob a direção da Superalma. Isto se explica no Bhagavad-gītā (Bg. 9.10). Quando, portanto, a Superalma está situada no coração da alma condicionada, a mente requerida manifesta-se na alma condicionada, e ela se torna consciente de sua ocupação assim como a pessoa fica consciente de seu dever depois de despertar do sono. Por conseguinte, a mente material da entidade viva desenvolve-se quando a Superalma assenta-se em seu coração, após o que a mente, a deidade controladora, a lua, e então as atividades da mente (a saber, pensar, sentir e querer) ocorrem todas. As atividades da mente não podem começar sem a manifestação do coração, e o coração se manifesta quando o Senhor deseja ver as atividades da criação material."
}

d["sb/2/10/3"] = {
 "translation": "**A criação elementar de dezesseis itens de matéria – a saber, os cinco elementos [fogo, água, terra, ar e éter], o som, a forma, o sabor, o odor, o tato, os olhos, os ouvidos, o nariz, a língua, a pele e a mente – é conhecida como sarga, ao passo que a subsequente interação resultante dos modos da natureza material chama-se visarga.**",
 "purport": "A fim de explicar os dez sintomas divisórios do Śrīmad-Bhāgavatam, há sete versos contínuos. O primeiro deles, ora em consideração, refere-se às dezesseis manifestações elementares de terra, água e assim por diante, com o ego material composto de inteligência e mente materiais, e a criação subsequente é resultado das reações das dezesseis energias acima mencionadas do primeiro puruṣa, a encarnação Mahā-Viṣṇu de Govinda, como explica posteriormente Brahmā em seu tratado, a Brahma-saṁhitā, da seguinte maneira:\n\nyaḥ kāraṇārṇava-jale bhajati sma yoganidrām ananta-jagadaṇḍa-saromakūpaḥ\n\nādhāra-śaktim avalambya parāṁ sva-mūrtiṁ\n\ngovindam ādi-puruṣaṁ tamahaṁ bhajāmi (B.s. 5.47)\n\nA primeira encarnação puruṣa de Govinda, o Senhor Kṛṣṇa, conhecida como o Mahā-Viṣṇu, entra em um sono místico de yoga-nidrā, e os inumeráveis universos estão situados em potência em cada um dos poros de Seu corpo transcendental.\n\nComo se menciona no verso anterior, śrutena (ou com referência às conclusões Védicas), a criação torna-se possível diretamente a partir da Suprema Personalidade de Deus pela manifestação de Suas energias específicas. Sem tal referência Védica, a criação parece ser um produto da natureza material, e essa conclusão provém de um parco acervo de conhecimento. Da referência Védica conclui-se que a origem de todas as energias (a saber, a interna, a externa e a marginal) é a Suprema Personalidade de Deus. E, como se explicou anteriormente, a conclusão ilusória é que a criação é feita pela inerte natureza material. A conclusão Védica é luz transcendental, ao passo que a conclusão não Védica é escuridão material. A potência interna do Senhor Supremo é idêntica ao Senhor Supremo, e a potência externa é vivificada em contato com a potência interna. As partes integrantes da potência interna que reagem em contato com a potência externa chamam-se potência marginal, ou as entidades vivas.\n\nAssim, a criação original procede diretamente da Suprema Personalidade de Deus, ou Param Brahman, e a criação secundária, como resultado reativo dos ingredientes originais, é feita por Brahmā, e dessa forma se iniciam as atividades de todo o universo."
}

d["sb/2/10/31"] = {
 "translation": "**Os sete elementos do corpo, a saber, a fina camada sobre a pele, a pele, a carne, o sangue, a gordura, a medula e o osso, são todos feitos de terra, água e fogo, ao passo que o ar respiratório que dá vida é produzido pelo éter, pela água e pelo ar.**",
 "purport": "A construção de todo o mundo material é feita predominantemente por três elementos, a saber, terra, água e fogo. Mas a força vital é produzida pelo éter, pelo ar e pela água. Logo, a água é o elemento comum tanto nas formas grosseiras quanto nas sutis de toda a criação material, e cabe notar aqui que, por necessidade, a água, sendo a mais proeminente na criação material, é o principal elemento dos cinco. Este corpo material é, assim, uma encarnação dos cinco elementos, e a manifestação grosseira é percebida por causa de três, a saber, terra, água e fogo. A sensação do tato é percebida em virtude da fina camada sobre a pele, e o osso é tão duro quanto pedra. Como o ar respiratório da vida é produzido de éter, ar e água, o ar livre, o banho regular e amplo espaço para se viver são favoráveis a uma vitalidade saudável. Os produtos frescos da terra, como grãos e vegetais, a água fresca e o calor são bons para a manutenção do corpo grosseiro."
}

d["sb/2/10/32"] = {
 "translation": "**Os órgãos dos sentidos estão atrelados aos modos da natureza material, e os modos da natureza material são produtos do ego falso. A mente está sujeita a toda espécie de experiências materiais (felicidade e aflição), e a inteligência é o aspecto da deliberação da mente.**",
 "purport": "Iludida pela natureza material, a entidade viva identifica-se com o ego falso. Mais claramente, quando a entidade viva é aprisionada pelo corpo material, ela imediatamente se identifica com as relações corporais, esquecendo-se de sua própria identidade como alma espiritual. Este ego falso associa-se com diferentes modos da natureza material, e assim os sentidos ficam atrelados aos modos da natureza material. A mente é o instrumento para sentir diferentes experiências materiais, mas a inteligência é deliberativa e pode mudar tudo para melhor. A pessoa inteligente, portanto, pode alcançar a salvação da ilusão da existência material pelo uso apropriado da inteligência. Uma pessoa inteligente pode detectar a posição incômoda da existência material e assim começar a indagar quem ela é, por que está sujeita a diferentes espécies de misérias, como livrar-se de todas as misérias, e dessa forma, pela boa associação, uma pessoa inteligente e avançada pode voltar-se para a vida superior da autorrealização. Aconselha-se, por conseguinte, que a pessoa inteligente se associe com grandes sábios e santos que estão na senda da salvação. Por tal associação, podem-se receber instruções capazes de afrouxar o apego da alma condicionada pela matéria, e assim, gradualmente, o homem inteligente livra-se da ilusão da matéria e do ego falso e é promovido à verdadeira vida de eternidade, conhecimento e bem-aventurança."
}

d["sb/2/10/33"] = {
 "translation": "**Assim, por tudo isso, o aspecto externo da Personalidade de Deus é coberto por formas grosseiras de planetas et cetera, que vos foram explicadas por mim.**",
 "purport": "Como se explica no Bhagavad-gītā (Bg. 7.4), a energia material separada da Personalidade de Deus é coberta por oito espécies de coberturas materiais: a saber, terra, água, fogo, ar, éter, mente, inteligência e ego falso. Todas elas são emanações da Personalidade de Deus como Sua energia externa. Essas coberturas são como a cobertura de nuvens para o sol. A nuvem é uma criação do sol, mas, de fato, cobre os olhos de modo que não se pode ver o sol. O sol não pode ser coberto pelas nuvens. A nuvem pode, no máximo, estender-se por algumas centenas de quilômetros no céu, mas o sol é muito maior do que milhões de quilômetros. Logo, uma cobertura de cem quilômetros não é competente para cobrir milhões de quilômetros. Por conseguinte, uma das várias energias da Suprema Personalidade de Deus não pode, é claro, cobrir o Senhor. Mas essas coberturas são criadas por Ele para cobrir os olhos das almas condicionadas que querem assenhorear-se da natureza material. Na verdade, as almas condicionadas são cobertas pela ilusória nuvem criativa da matéria, e o Senhor reserva para Si o direito de não Se expor aos olhos das almas condicionadas. E, porque não têm olhos de visão transcendental e porque não podem ver a Personalidade de Deus, elas, por isso, negam a existência do Senhor bem como a forma transcendental do Senhor. A cobertura do gigantesco aspecto material é aceita por tais homens de parco acervo de conhecimento, e como isso se dá explica-se no verso seguinte."
}

d["sb/2/10/34"] = {
 "translation": "**Portanto, além desta [manifestação grosseira], há uma manifestação transcendental, mais fina do que a mais fina forma, que não tem começo, nem estágio intermediário, nem fim; logo, está além dos limites da expressão ou da especulação mental e é distinta da concepção material.**",
 "purport": "O corpo externo grosseiro do Supremo manifesta-se a certos intervalos, e assim o aspecto ou forma externa da Suprema Personalidade de Deus não é a forma eterna do Senhor, que não tem começo, nem estágio intermediário, nem fim. Qualquer coisa que tenha começo, meio e fim chama-se material. O mundo material começa a partir do Senhor e, dessa forma, a forma do Senhor, antes do começo do mundo material, é certamente transcendental à mais fina ou mais sutil concepção material. O éter, no mundo material, é considerado o mais fino. Mais finos do que o éter são a mente, a inteligência e o ego falso. Mas todas as oito coberturas externas explicam-se como coberturas externas da Verdade Absoluta. A Verdade Absoluta está, portanto, além da expressão e da especulação da concepção material; Ela é certamente transcendental a todas as concepções materiais. Isto se chama nirviśeṣaṇam. Não se deve, contudo, compreender erroneamente nirviśeṣaṇam como sendo desprovido de quaisquer qualificações transcendentais. Viśeṣaṇam significa qualidades. Por conseguinte, nir acrescentado a ele significa que Ele não tem qualidades materiais nem diversidade material. Esta expressão anuladora é descrita em quatro qualificações transcendentais, a saber: imanifesto, transcendental, eterno e além da concepção da mente ou da palavra. Além dos limites das palavras significa a negação da concepção material, e, a menos que se esteja transcendentalmente situado, não é possível conhecer a forma transcendental do Senhor."
}

d["sb/2/10/35"] = {
 "translation": "**Ambas as formas do Senhor acima descritas, tal como acabam de ser narradas a ti sob o ângulo material de visão, não são aceitas pelos devotos puros do Senhor que O conhecem bem.**",
 "purport": "Os impersonalistas pensam na Absoluta Personalidade de Deus de duas maneiras distintas, como acima mencionado. Por um lado, adoram o Senhor em Sua viśva-rūpa, ou forma universal onipenetrante, e, por outro, pensam na forma imanifesta, indescritível e sutil do Senhor. As teorias do panteísmo e do monismo aplicam-se, respectivamente, a essas duas concepções do Supremo como grosseiro e sutil, mas ambas são rejeitadas pelos eruditos devotos puros do Senhor, porque eles têm consciência da posição verdadeira. Isto se menciona muito claramente no Décimo Primeiro Capítulo do Bhagavad-gītā, a experiência de Arjuna da viśva-rūpa do Senhor Supremo Śrī Kṛṣṇa.\n\nadṛṣṭa-pūrvaṁ hṛṣito 'smi dṛṣṭvā\n\nbhayena ca pravyathitaṁ mano me\n\ntad eva me darśaya deva rūpaṁ\n\nprasīda deveśa jagannivāsa\n\n(Bg. 11.45)\n\nArjuna, como devoto puro do Senhor, nunca antes vira a contemplada forma universal do Senhor (viśva-rūpa), mas, quando de fato a viu, suas curiosidades ficaram satisfeitas. Mas ele não ficou feliz em ver tal forma do Senhor, por causa de seu apego como devoto puro. Por isso, teve medo de ver a gigantesca forma do Senhor. Por conseguinte, orou ao Senhor para que assumisse Sua forma de Nārāyaṇa de quatro braços, ou de Kṛṣṇa, que somente ela poderia agradá-lo (a Arjuna). Indubitavelmente, o Senhor tem a potência suprema de exibir-Se em formas multifárias, mas os devotos puros do Senhor interessam-se por Suas formas tais como eternamente exibidas na morada do Senhor, conhecida como o tripād-vibhūti, ou reino de Deus. O Senhor, na morada tripād-vibhūti, exibe-Se em duas formas, ou com quatro braços ou com dois braços. A viśva-rūpa exibida na manifestação material tem mãos ilimitadas e dimensões ilimitadas, com tudo ilimitado. Os devotos puros do Senhor adoram-No em Suas formas de Vaikuṇṭha, como Nārāyaṇa ou Kṛṣṇa. Às vezes, as mesmas formas de Vaikuṇṭha do Senhor estão também no mundo material, por Sua graça, como Śrī Rāma, Śrī Kṛṣṇa, Śrī Narasiṁhadeva e assim por diante, e, dessa forma, os devotos puros também as adoram. Em geral, os aspectos exibidos no mundo material não têm existência nos planetas Vaikuṇṭha e, por isso, não são aceitos pelos devotos puros. O que os devotos puros adoram desde o próprio começo são as formas eternas do Senhor existentes nos planetas Vaikuṇṭha. Os impersonalistas não devotos imaginam as formas materiais do Senhor e, em última análise, fundem-se no impessoal brahmajyoti do Senhor, ao passo que os devotos puros do Senhor são adoradores do Senhor tanto no começo quanto também no estágio perfeito da salvação, eternamente. A adoração do devoto puro nunca cessa, ao passo que a adoração do impersonalista cessa após ele alcançar a salvação, ao fundir-se na forma impessoal do Senhor conhecida como brahmajyoti. Por conseguinte, os devotos puros do Senhor são aqui descritos como vipaścita, ou os eruditos que estão perfeitamente no conhecimento do Senhor."
}

d["sb/2/10/36"] = {
 "purport": "Sempre que há necessidade de criação material, a transcendental Personalidade de Deus aceita formas no mundo material para a criação, manutenção e destruição, e a pessoa deve ser inteligente o bastante para conhecer Suas atividades em verdade, sem ser tendenciosa ao ponto de concluir que Ele desce ao mundo material aceitando uma forma criada pela natureza material. Qualquer forma aceita da natureza material tem sua afeição por tudo o que se faz no mundo material. Uma alma condicionada que aceita a forma material para passar por certo prazo de atividades materiais fica sujeita às leis da matéria. Mas aqui, neste verso, afirma-se claramente que as formas e atividades do Senhor, embora pareçam ser as mesmas que as de outra alma condicionada, são sobrenaturais e impossíveis para a alma condicionada. Ele, a Suprema Personalidade de Deus, jamais é afetado por tais atividades. No Bhagavad-gītā, o Senhor diz:\n\nna māṁ karmāṇi limpanti na me karma-phale spṛhā\n\niti māṁ yo 'bhijānāti karmabhir na sa badhyate\n\n(Bg. 4.14)\n\nO Senhor jamais é afetado pelas atividades que Ele aparentemente realiza por meio de Suas diferentes encarnações e personalidades, nem tem qualquer desejo de obter êxito por atividades fruitivas. O Senhor é pleno por Suas diferentes potências de riqueza, força, fama, beleza, conhecimento e renúncia, e, dessa forma, Ele não tem razão para esforço físico como a alma condicionada. Por conseguinte, uma pessoa inteligente que saiba distinguir entre as atividades transcendentais do Senhor e as das almas condicionadas também não fica atada às reações das atividades. O Senhor, como Viṣṇu, Brahmā e Śiva, conduz os três modos da natureza material. De Viṣṇu nasce Brahmā, e de Brahmā nasce Śiva. Às vezes, Brahmā é uma parte separada de Viṣṇu, e, às vezes, Brahmā é o próprio Viṣṇu. Assim, Brahmā cria as diferentes espécies de vida por todo o universo, o que significa que o Senhor cria toda a manifestação ou por Si mesmo ou por intermédio de Seus delegados autorizados."
}

d["sb/2/10/4"] = {
 "translation": "**A situação correta para as entidades vivas é obedecer às leis do Senhor e assim estar em perfeita paz de espírito sob a proteção da Suprema Personalidade de Deus. Os Manus e suas leis destinam-se a dar a direção correta na vida. O impulso da atividade é o desejo de trabalho fruitivo.**",
 "purport": "Este mundo material é criado, mantido por algum tempo e novamente aniquilado pela vontade do Senhor. Os ingredientes para a criação e o criador subordinado, Brahmā, são primeiramente criados pelo Senhor Viṣṇu em Sua primeira e segunda encarnações. A primeira encarnação Puruṣa é Mahā-Viṣṇu, e a segunda encarnação Puruṣa é o Garbhodakaśāyī Viṣṇu, de quem Brahmā é criado. O terceiro Puruṣa avatāra é o Kṣīrodakaśāyī Viṣṇu, que vive como a Superalma de tudo no universo e mantém a criação gerada por Brahmā. Śiva é um dos muitos filhos de Brahmā, e ele aniquila a criação. Portanto, o criador original do universo é Viṣṇu, e Ele também é o mantenedor dos seres criados por Sua misericórdia imotivada. Sendo assim, é dever de todas as almas condicionadas reconhecer a vitória do Senhor e assim tornar-se devotas puras e viver pacificamente neste mundo onde misérias e perigos de vida estão sempre presentes. As almas condicionadas que tomam esta criação material como o lugar para a satisfação dos sentidos, e assim ficam iludidas pela energia externa de Viṣṇu, permanecem novamente sujeitas às leis da natureza material, da criação e da destruição.\n\nNo Bhagavad-gītā, diz-se que, a começar do planeta mais elevado deste universo até o planeta mais baixo, o Pātālaloka, todos são destrutíveis, e as almas condicionadas podem viajar no espaço, seja por bom ou mau trabalho, seja pela moderna nave espacial, mas estão fadadas a morrer em toda parte, embora a duração da vida em diferentes planetas seja distinta. O único meio de alcançar a vida eterna é voltar ao lar, voltar ao Supremo, onde não há mais renascimento como nos planetas materiais. As almas condicionadas, sem saber deste fato tão simples por esquecerem a relação com o Senhor de Vaikuṇṭha, tentam planejar uma vida permanente neste mundo material, iludidas pela energia externa, e assim ocupam-se em vários tipos de desenvolvimento econômico e religioso da vida, esquecendo-se de que se destinam a voltar ao lar, voltar ao Supremo. Este esquecimento é tão forte, devido à influência de māyā, que as almas condicionadas não querem absolutamente voltar ao Supremo. Pelo gozo dos sentidos, tornam-se vítimas de nascimento e morte repetidamente e assim desperdiçam vidas humanas, que são oportunidades para voltar a Viṣṇu. As escrituras diretivas feitas pelos Manus em diferentes eras e milênios chamam-se sad-dharma, boa orientação para os seres humanos, que devem aproveitar todas as escrituras reveladas em seu próprio interesse para fazer uma bem-sucedida conclusão da vida. A criação não é falsa, mas é uma manifestação temporária apenas para dar uma oportunidade às almas condicionadas de voltar ao Supremo. E o desejo de voltar ao Supremo e as funções desempenhadas nessa direção são a senda correta de trabalho. Quando se aceita tal senda regulativa, o Senhor dá toda a proteção a Seus devotos por Sua misericórdia imotivada, ao passo que os não devotos arriscam suas próprias atividades a atar-se na cadeia das reações fruitivas. A palavra sad-dharma é significativa neste contexto. O sad-dharma, ou dever desempenhado para voltar ao Supremo e assim tornar-se Seu devoto imaculado, é a única atividade piedosa; todas as outras podem ser aparentemente piedosas, mas, de fato, não o são. É somente por esta razão que o Senhor aconselha, no Bhagavad-gītā, que se abandonem todas as supostas atividades religiosas e que se esteja completamente ocupado no serviço devocional ao Senhor a fim de tornar-se livre de todas as ansiedades devidas à perigosa vida da existência material. Trabalhar situado no sad-dharma é a direção correta da vida. O objetivo de vida da pessoa deve ser voltar ao lar, voltar ao Supremo, e não estar sujeita a repetidos nascimentos e mortes no mundo material por obter corpos bons ou maus para uma existência temporária. Nisto reside a inteligência da vida humana, e a pessoa deve desejar as atividades da vida dessa maneira."
}

d["sb/2/10/41"] = {
 "purport": "As entidades vivas, individualmente, são conduzidas por um modo particular da natureza, mas, ao mesmo tempo, há toda possibilidade de serem influenciadas pelos outros dois. Em geral, todas as almas condicionadas, no enjaulamento material, são influenciadas pelo modo da paixão, pois cada uma delas está tentando assenhorear-se da natureza material para satisfazer o desejo individual. Mas, apesar do modo individual da paixão, há sempre a possibilidade de serem influenciadas por outros modos da natureza pela associação. Se a pessoa está em boa associação, pode desenvolver os modos da bondade, e, se está em má associação, pode desenvolver os modos da escuridão, ou da ignorância. Nada é estereotipado. Pode-se mudar o hábito por boa ou má associação, e a pessoa deve tornar-se inteligente o bastante para discriminar entre o bem e o mal. A melhor associação é o serviço aos devotos do Senhor, e, por essa associação, a pessoa pode tornar-se o homem mais qualificado pela graça dos devotos puros do Senhor. Como já vimos na vida de Śrīla Nārada Muni, ele se tornou o mais elevado devoto do Senhor simplesmente pela associação dos devotos puros do Senhor. Por nascimento, era filho de uma criada e não tinha conhecimento de seu pai nem educação acadêmica, nem mesmo do mais baixo status. Mas, simplesmente por se associar com os devotos e por comer os restos de seu alimento, gradualmente desenvolveu as qualidades transcendentais dos devotos. Por tal associação, seu gosto por cantar e ouvir as glórias transcendentais do Senhor tornou-se proeminente e, porque as glórias do Senhor não são diferentes do Senhor, ele obteve associação direta com o Senhor por meio da representação sonora. De modo semelhante, há a vida de Ajāmila (Sexto Canto), que era filho de um brāhmaṇa e foi educado e treinado apropriadamente no desempenho dos deveres de um brāhmaṇa, mas, apesar de tudo isso, porque travou a má associação de uma prostituta, foi posto na senda da mais baixa qualidade de caṇḍāla, ou a última posição dos seres humanos. Por conseguinte, o Bhāgavatam recomenda sempre a associação do mahat, ou a grande alma, para abrir o portão da salvação. E associar-se com pessoas ocupadas em assenhorear-se do mundo material significa entrar na mais escura região do inferno. A pessoa deve tentar elevar-se pela associação da grande alma, e essa é a senda da perfeição da vida."
}

d["sb/2/10/42"] = {
 "translation": "**Ele, a Personalidade de Deus, como mantenedor de tudo no universo, aparece em diferentes encarnações depois de estabelecer a criação, e assim resgata toda espécie de almas condicionadas entre os humanos, os não humanos e os semideuses.**",
 "purport": "A Suprema Personalidade de Deus, Viṣṇu, encarna em diferentes sociedades de entidades vivas para resgatá-las das garras da ilusão, e tais atividades do Senhor não se limitam apenas à sociedade humana. Ele encarna até mesmo como peixe, javali, árvore e muitas outras formas, mas as pessoas menos inteligentes que não têm conhecimento Dele zombam Dele mesmo quando Ele está na sociedade humana como ser humano. O Senhor, portanto, diz no Bhagavad-gītā:\n\navajānanti māṁ mūḍhā mānuṣīṁ tanum āśritam\n\nparaṁ bhāvam ajānanto mama bhūta-maheśvaram. (Bg. 9.11)\n\nComo já discutimos nos versos anteriores, conclui-se que o Senhor nunca é um produto da criação material. Sua posição transcendental é sempre imutável. Ele é a forma eterna de conhecimento e bem-aventurança, e executa Sua todo-poderosa vontade por Suas diferentes energias. Sendo assim, Ele jamais é sujeito à reação por todos os Seus atos. Ele é transcendental a todas essas concepções de ação e reações. Mesmo que Ele seja visível no mundo material, a exibição é apenas de Sua energia interna, pois Ele está acima das concepções de bom e mau deste mundo material. No mundo material, o peixe ou o javali pode ser considerado inferior ao homem, mas, quando o Senhor aparece como peixe ou javali, Ele não é nenhum deles na concepção material. É Sua misericórdia imotivada que Ele apareça em toda sociedade ou espécie de vida, mas jamais se deve considerá-Lo um deles. Concepções do mundo material, tais como bom e mau, inferior e superior, importante e insignificante, são estimativas da energia material, e o Senhor Supremo é transcendental a todas essas concepções. A palavra paraṁ bhāvam, ou natureza transcendental, nunca pode ser comparada com a concepção material. Não devemos esquecer que as potências do todo-poderoso Senhor são sempre as mesmas e não diminuem porque o Senhor assume a forma de um animal inferior. Não há diferença entre o Senhor Śrī Rāma, o Senhor Śrī Kṛṣṇa ou Suas encarnações de peixe e javali. Ele é onipenetrante e, ao mesmo tempo, localizado em todo e qualquer lugar. Mas a pessoa tola, de parco acervo de conhecimento, por falta desse paraṁ bhāvam do Senhor, não pode compreender como o Senhor Supremo pode assumir a forma de um homem ou de um peixe. Tudo é comparado ao seu próprio critério de conhecimento, assim como a rã no poço considera que o mar é como o poço. A rã no poço não pode sequer pensar no mar, e, quando tal rã é informada da grandeza do mar, ela toma a concepção do mar como um pouco maior do que o poço. Sendo assim, aquele que é tolo na ciência transcendental do Senhor achará difícil compreender como o Senhor Viṣṇu pode manifestar-Se igualmente em toda sociedade de entidades vivas."
}

d["sb/2/10/43"] = {
 "purport": "Esta criação é muito apropriadamente comparada às nuvens. As nuvens são criadas ou situadas no céu, e, quando são deslocadas, permanecem no mesmo céu sem manifestação. De modo semelhante, toda a criação é feita pela Suprema Personalidade de Deus em Sua forma de Brahmā, é mantida por Ele na forma de Viṣṇu, e é destruída por Ele na forma de Rudra, ou Śiva, tudo no devido tempo. Esta criação, manutenção e destruição são bem explicadas no Bhagavad-gītā da seguinte maneira:\n\nbhūta-grāmaḥ sa evāyaṁ bhūtvā bhūtvā pralīyate\n\nrātryāgame 'vaśaḥ pārtha prabhavaty aharāgame\n\nparas tasmāt tu bhāvo 'nyo 'vyakto 'vyaktāt sanātanaḥ\n\nyaḥ sa sarveṣu bhūteṣu naśyatsu na vinaśyati (Bg. 8.19-20)\n\nA natureza do mundo material é que ele é primeiro criado muito bem, desenvolve-se muito bem, permanece por um grande número de anos (até além do cálculo do maior matemático), mas, depois disso, é novamente destruído durante a noite de Brahmā sem nenhuma resistência, e, novamente, ao final da noite de Brahmā, ele é outra vez manifestado como criação para seguir os mesmos princípios de manutenção e destruição. A tola alma condicionada que tomou este mundo temporário como uma morada permanente tem de aprender inteligentemente por que tal criação e destruição ocorrem. Os atores fruitivos no mundo material são muito entusiastas na criação de grandes empreendimentos, grandes casas, grandes impérios, grandes indústrias e tantas outras grandes coisas a partir da energia e dos ingredientes fornecidos pelo agente material do Senhor Supremo. Com tais recursos, e ao custo de valiosa energia, a alma condicionada cria, satisfaz seus caprichos, mas, contra a vontade, tem de partir de todas as suas criações e entrar em outra fase de vida para criar repetidas vezes. E, para dar esperança a tais tolas almas condicionadas que desperdiçam sua energia neste mundo material temporário, o Senhor dá a informação de que há outra natureza que é eternamente existente, sem ser ocasionalmente criada ou destruída, e a alma condicionada pode compreender o que deve fazer e como sua valiosa energia pode ser utilizada. Em vez de desperdiçar sua energia na matéria, que com certeza será destruída no devido tempo pela vontade suprema, ela (a alma condicionada) deve utilizar sua energia no serviço devocional ao Senhor, de modo que possa ser transferida à outra natureza, eterna, onde não há nascimento, nem morte, nem criação, nem destruição, mas vida permanente, em vez disso, plena de conhecimento e ilimitada bem-aventurança. Esta criação temporária é assim exibida e destruída apenas para dar informação à alma condicionada que está apegada às coisas temporárias. Destina-se também a dar-lhe uma oportunidade de autorrealização, e não de gratificação dos sentidos, que é o objetivo primordial de todos os atores fruitivos."
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