import json

d = {}

d["sb/4/14/18"] = {
 "purport": "O dever do Estado e o dever do cidadão são muito bem explicados neste verso. As atividades do chefe de governo, ou rei, bem como as atividades dos cidadãos, devem ser dirigidas de tal modo que, em última análise, todos se ocupem em serviço devocional à Suprema Personalidade de Deus. Supõe-se que o rei, ou chefe de governo, seja o representante da Suprema Personalidade de Deus e que, portanto, zele para que as coisas transcorram bem e para que os cidadãos estejam situados na ordem social científica, composta de quatro varṇas e quatro āśramas. No Viṣṇu Purāṇa, afirma-se que, a menos que as pessoas sejam educadas ou estejam situadas na ordem social científica, composta de quatro varṇas (brāhmaṇa, kṣatriya, vaiśya e śūdra) e quatro āśramas (brahmacarya, gṛhastha, vānaprastha e sannyāsa), a sociedade jamais pode ser considerada uma verdadeira sociedade humana, nem pode fazer qualquer avanço rumo ao objetivo último da vida humana. É dever do governo zelar para que as coisas transcorram em termos de varṇa e āśrama. Como se afirma aqui, bhagavān yajña-pūruṣaḥ — a Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa, é o yajña-pūruṣa. Como se afirma no Bhagavad-gītā: bhoktāraṁ yajña-tapasām (Bg. 5.29). Kṛṣṇa é o propósito último de todo sacrifício. Ele também é o desfrutador de todos os sacrifícios; por isso é conhecido como yajña-pūruṣa. A palavra yajña-pūruṣa indica o Senhor Viṣṇu ou o Senhor Kṛṣṇa, ou qualquer Personalidade de Deus na categoria de viṣṇu-tattva. Na sociedade humana perfeita, as pessoas situam-se nas ordens de varṇa e āśrama e ocupam-se em adorar o Senhor Viṣṇu por meio de suas respectivas atividades. Cada cidadão ocupado numa atividade presta serviço pelas ações resultantes de suas atividades. Essa é a perfeição da vida. Como se afirma no Bhagavad-gītā:\n\nyataḥ pravṛttir bhūtānāṁ yena sarvam idaṁ tatam sva-karmaṇā tam abhyarcya siddhiṁ vindati mānavaḥ\n\n\"Adorando o Senhor, que é a fonte de todos os seres e que é onipenetrante, o homem pode, no desempenho de seu próprio dever, alcançar a perfeição.\" (Bg. 18.46)\n\nAssim, os brāhmaṇas, os kṣatriyas, os śūdras e os vaiśyas devem executar seus deveres prescritos tais como se afirmam nos śāstras. Dessa maneira, todos podem satisfazer a Suprema Personalidade de Deus, Viṣṇu. O rei, ou chefe de governo, tem de zelar para que os cidadãos estejam assim ocupados. Em outras palavras, o Estado ou o governo não deve desviar-se de seu dever declarando que o Estado é secular e não tem interesse em que o povo avance ou não no varṇāśrama-dharma. Hoje, as pessoas ocupadas no serviço do governo e as pessoas que governam os cidadãos não têm respeito algum pelo varṇāśrama-dharma. Elas sentem-se complacentemente convencidas de que o Estado é secular. Num governo desses, ninguém pode ser feliz. O povo deve seguir o varṇāśrama-dharma, e o rei deve zelar para que o povo o esteja seguindo bem."
}

d["sb/4/14/20"] = {
 "purport": "Toda a civilização Védica está resumida neste verso: todas as entidades vivas, seja neste planeta, seja em outros planetas, têm de satisfazer a Suprema Personalidade de Deus por meio de seus respectivos deveres. Quando Ele está satisfeito, todas as necessidades da vida são automaticamente supridas. Nos Vedas, também se afirma: eko bahūnāṁ yo vidadhāti kāmān (Kaṭha Up. 2.2.13). Pelos Vedas, compreendemos que Ele supre as necessidades de todos, e podemos de fato ver que os animais inferiores, as aves e as abelhas não têm negócio nem profissão e, mesmo assim, não morrem por falta de alimento. Todos vivem à maneira da natureza, e todos têm providas as necessidades da vida — a saber, comer, dormir, acasalar-se e defender-se.\n\nA sociedade humana, contudo, criou artificialmente um tipo de civilização que faz a pessoa esquecer-se de sua relação com a Suprema Personalidade de Deus. A sociedade moderna até faz a pessoa esquecer-se da graça e da misericórdia da Suprema Personalidade de Deus. Em consequência, o homem civilizado moderno está sempre infeliz e necessitado de coisas. As pessoas não sabem que o objetivo último da vida é aproximar-se do Senhor Viṣṇu e satisfazê-Lo. Elas tomaram este modo materialista de vida como sendo tudo e ficaram cativadas pelas atividades materialistas. De fato, seus líderes estão sempre encorajando-as a seguir esta senda, e a população em geral, ignorante das leis de Deus, segue seus líderes cegos pela senda da infelicidade. A fim de retificar esta situação mundial, todas as pessoas devem ser treinadas em consciência de Kṛṣṇa e agir de acordo com o sistema varṇāśrama. O Estado também deve zelar para que o povo se ocupe em satisfazer a Suprema Personalidade de Deus. Este é o dever primordial do Estado. O movimento da consciência de Kṛṣṇa foi iniciado para convencer a população em geral a adotar o melhor processo pelo qual satisfazer a Suprema Personalidade de Deus e, assim, resolver todos os problemas."
}

d["sb/4/14/23"] = {
 "purport": "O rei Vena era tão tolo que acusou os santos sábios de serem inexperientes como criancinhas. Em outras palavras, ele os acusava de não terem conhecimento perfeito. Dessa maneira, ele podia rejeitar seus conselhos e fazer acusações contra eles, comparando-os a uma mulher que não se importa com o marido que a mantém, mas vai satisfazer um amante que não a mantém. O propósito desta comparação é evidente. É dever dos kṣatriyas ocupar os brāhmaṇas em diferentes tipos de atividades religiosas, e supõe-se que o rei seja o mantenedor dos brāhmaṇas. Se os brāhmaṇas não adoram o rei e vão aos semideuses, eles ficam tão poluídos quanto mulheres não castas."
}

d["sb/4/14/30"] = {
 "translation": "**Meu querido Vidura, que toda boa fortuna esteja contigo. O tolo rei, que se julgava muito erudito, insultou assim os grandes sábios, e os sábios, com o coração partido pelas palavras do rei, ficaram muito irados com ele.**"
}

d["sb/4/14/37"] = {
 "purport": "Sempre que há distúrbio no Estado, ou uma situação de pânico, a propriedade e a vida dos cidadãos tornam-se inseguras. Isso é causado pelo surgimento de vários ladrões e patifes. Em tal momento, deve-se compreender que o governante, ou o governo, está morto. Todos esses infortúnios aconteceram devido à morte do rei Vena. Assim, as pessoas santas ficaram muito ansiosas pela segurança das pessoas em geral. A conclusão é que, embora as pessoas santas não tenham nada que ver com assuntos políticos, elas são sempre compassivas para com as pessoas em geral. Desse modo, embora estejam sempre afastadas da sociedade, ainda assim, por misericórdia e compaixão, consideram como os cidadãos podem executar pacificamente seus rituais e seguir as regras e regulações do varṇāśrama-dharma. Essa era a preocupação desses sábios. Nesta era de Kali, tudo está perturbado. Portanto, as pessoas santas devem dedicar-se a cantar o mantra Hare Kṛṣṇa, como se recomenda nos śāstras. Harer nāma harer nāma harer nāmaiva kevalaṁ/ kalau nāsty eva nāsty eva nāsty eva gatir anyathā. Tanto para a prosperidade espiritual quanto para a material, todos devem cantar com devoção o mantra Hare Kṛṣṇa."
}

d["sb/4/14/41"] = {
 "purport": "Os brāhmaṇas, a seção mais elevada da sociedade humana, são em sua maioria devotos. Em geral, eles não têm conhecimento dos acontecimentos dentro do mundo material, porque estão sempre ocupados em suas atividades para o avanço espiritual. Não obstante, quando há uma calamidade na sociedade humana, eles não podem permanecer imparciais. Se não fazem algo para aliviar a condição aflita da sociedade humana, diz-se que, devido a essa negligência, seu conhecimento espiritual diminui. Quase todos os sábios vão aos Himālayas em seu próprio benefício, mas Prahlāda Mahārāja disse que não desejava a liberação sozinho. Ele decidiu esperar até ser capaz de libertar todas as almas caídas do mundo.\n\nEm sua condição elevada, os brāhmaṇas são chamados de vaiṣṇavas. Há dois tipos de brāhmaṇas — a saber, brāhmaṇa-paṇḍita e brāhmaṇa-vaiṣṇava. Um brāhmaṇa qualificado é naturalmente muito erudito, mas, quando sua erudição avança na compreensão da Suprema Personalidade de Deus, ele se torna um brāhmaṇa-vaiṣṇava. A menos que a pessoa se torne um vaiṣṇava, sua perfeição na cultura bramânica fica incompleta.\n\nAs pessoas santas consideraram muito sabiamente que, embora o rei Vena fosse muito pecaminoso, ele, não obstante, havia nascido numa família descendente de Dhruva Mahārāja. Portanto, o sêmen na família devia ser protegido pela Suprema Personalidade de Deus, Keśava. Assim sendo, os sábios quiseram tomar algumas medidas para aliviar a situação. Por falta de um rei, tudo estava sendo perturbado e posto de pernas para o ar."
}

d["sb/4/14/42"] = {
 "translation": "**Os sábios decidiram que os descendentes da família do santo rei Aṅga não deviam ser interrompidos, pois, nesta família, o sêmen era muito poderoso e os filhos eram propensos a tornar-se devotos do Senhor.**",
 "purport": "A pureza da sucessão hereditária chama-se amogha-vīrya. A piedosa sucessão seminal nas famílias duas vezes nascidas dos brāhmaṇas e kṣatriyas especialmente, bem como nas famílias dos vaiśyas também, deve ser mantida muito pura pela observância dos processos purificatórios, a começar pelo garbhādhāna-saṁskāra, que se observa antes de gerar uma criança. A menos que esse processo purificatório seja estritamente observado, especialmente pelos brāhmaṇas, os descendentes da família tornam-se impuros, e gradualmente atividades pecaminosas tornam-se visíveis na família. Mahārāja Aṅga era muito puro por causa da purificação do sêmen na família de Mahārāja Dhruva. Contudo, seu sêmen contaminou-se em associação com sua esposa, Sunīthā, que por acaso era a filha da morte personificada. Por causa desse sêmen poluído, produziu-se o rei Vena. Isso foi uma catástrofe na família de Dhruva Mahārāja. Todas as pessoas santas e sábios consideraram este ponto e decidiram tomar providências neste assunto, como se descreve nos versos seguintes."
}

d["sb/4/14/43"] = {
 "purport": "O fato de uma pessoa ter nascido pelo batimento das coxas do rei Vena prova que a alma espiritual é individual e separada do corpo. Os grandes sábios e as pessoas santas puderam gerar outra pessoa do corpo do morto rei Vena, mas não lhes foi possível trazer o rei Vena de volta à vida. O rei Vena havia partido, e certamente assumira outro corpo. As pessoas santas e os sábios só estavam preocupados com o corpo de Vena porque este era resultado da sucessão seminal na família de Mahārāja Dhruva. Em consequência, os ingredientes pelos quais outro corpo podia ser produzido estavam ali, no corpo do rei Vena. Por meio de certo processo, quando as coxas do corpo morto foram batidas, outro corpo surgiu. Embora morto, o corpo do rei Vena fora preservado por drogas e mantras cantados pela mãe do rei Vena. Dessa forma, os ingredientes para a produção de outro corpo estavam ali. Quando o corpo da pessoa chamada Bāhuka saiu do corpo morto do rei Vena, isso realmente não foi muito espantoso. Era simplesmente uma questão de saber como fazê-lo. Do sêmen de um corpo, produz-se outro corpo, e os sintomas de vida tornam-se visíveis em virtude de a alma abrigar-se neste corpo. Ninguém deve pensar que era impossível outro corpo surgir do corpo morto de Mahārāja Vena. Isso foi realizado pela hábil ação dos sábios."
}

d["sb/4/14/46"] = {
 "purport": "Aos Naiṣādas não se permite viver em cidades e vilas, porque eles são pecaminosos por natureza. Assim sendo, seus corpos são muito feios, e suas ocupações também são pecaminosas. Devemos, contudo, saber que mesmo esses homens pecaminosos (que às vezes são chamados de kirātas) podem ser libertados de sua condição pecaminosa e elevados à mais alta plataforma vaiṣṇava pela misericórdia de um devoto puro. A ocupação no transcendental serviço devocional amoroso ao Senhor pode tornar qualquer pessoa, por mais pecaminosa que seja, apta a voltar ao lar, voltar ao Supremo. Basta a pessoa livrar-se de toda contaminação pelo processo do serviço devocional. Dessa maneira, todos podem tornar-se aptos a voltar ao lar, voltar ao Supremo. Isso é confirmado pelo próprio Senhor no Bhagavad-gītā:\n\nmāṁ hi pārtha vyapāśritya ye 'pi syuḥ pāpa-yonayaḥ striyo vaiśyās tathā śūdrās te 'pi yānti parāṁ gatim\n\n\"Ó filho de Pṛthā, aqueles que se abrigam em Mim, embora sejam de nascimento inferior — mulheres, vaiśyas [comerciantes], bem como śūdras [trabalhadores] —, podem aproximar-se do destino supremo.\" (Bg. 9.32)\n\nNeste ponto, encerram-se os significados Bhaktivedanta do décimo quarto capítulo do Quarto Canto do Śrīmad-Bhāgavatam, intitulado \"A História do Rei Vena\".\n\n15. O Aparecimento e a Coroação do Rei Pṛthu"
}

d["sb/4/14/7"] = {
 "translation": "**Portanto, todos os grandes sábios reuniram-se e, após observar as atrocidades do cruel Vena, concluíram que um grande perigo e uma grande catástrofe se aproximavam das pessoas do mundo. Assim, por compaixão, começaram a conversar entre si, pois eles próprios eram os executores dos sacrifícios.**"
}

d["sb/4/14/9"] = {
 "purport": "No Bhagavad-gītā (Bg. 18.5), afirma-se que, mesmo na ordem renunciada, ninguém deve abandonar o sacrifício, a caridade e a penitência. Os brahmacārīs devem realizar sacrifícios, os gṛhasthas devem dar em caridade, e aqueles na ordem renunciada da vida (os vānaprasthas e sannyāsīs) devem praticar penitência e austeridades. Esses são os procedimentos pelos quais todos podem ser elevados à plataforma espiritual. Quando os sábios e as pessoas santas viram que o rei Vena havia interrompido todas essas funções, ficaram preocupados com o progresso do povo. As pessoas santas pregam a consciência de Deus, ou consciência de Kṛṣṇa, porque estão ansiosas por salvar a população em geral dos perigos da vida animalesca. Deve haver um bom governo para zelar que os cidadãos estejam de fato executando seus rituais religiosos, e os ladrões e patifes devem ser refreados. Quando isso é feito, o povo pode avançar pacificamente em consciência espiritual e tornar a vida bem-sucedida."
}

d["sb/4/15/1"] = {
 "translation": "**O grande sábio Maitreya continuou: Meu querido Vidura, assim os brāhmaṇas e os grandes sábios bateram os dois braços do corpo morto do rei Vena. Como resultado, um casal — um homem e uma mulher — surgiu de seus braços.**"
}

d["sb/4/15/14"] = {
 "translation": "**O grande sábio continuou: Meu querido Vidura, Kuvera presenteou o grande rei Pṛthu com um trono dourado. O semideus Varuṇa presenteou-o com um guarda-chuva que constantemente borrifava finas partículas de água e era tão brilhante quanto a lua.**"
}

d["sb/4/15/15"] = {
 "translation": "**O semideus do ar, Vāyu, presenteou o rei Pṛthu com dois espanadores [cāmaras] de pelos; o rei da religião, Dharma, presenteou-o com uma guirlanda de flores que expandiria sua fama; o rei do céu, Indra, presenteou-o com um valioso elmo; e o superintendente da morte, Yamarāja, presenteou-o com um cetro com o qual governar o mundo.**"
}

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